A vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos pode aumentar a pressão política sobre Eduardo e Flávio Bolsonaro. Com a conquista da maioria na Câmara dos Representantes e no Senado, a oposição ao presidente Donald Trump terá mais instrumentos para investigar a relação do governo americano com os dois irmãos brasileiros a partir de janeiro de 2027.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está nos Estados Unidos desde 27 de outubro, após deixar o Brasil depois da derrota na eleição presidencial. Ele viajou acompanhado da esposa e das filhas e se encontrou com Eduardo Bolsonaro na Flórida. A saída ocorreu em meio a determinações do Supremo Tribunal Federal (STF) relacionadas à entrega de seus passaportes.
O novo cenário político em Washington poderá ampliar os questionamentos sobre a concessão de vistos, eventuais benefícios migratórios e a atuação de autoridades americanas. Apesar disso, a vitória democrata não significa que os irmãos serão deportados, já que decisões migratórias dependem de procedimentos conduzidos pelo Poder Executivo.
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Democratas querem investigar relação do governo Trump com os Bolsonaro
A nova composição do Congresso americano dará aos democratas maior capacidade de convocar autoridades, solicitar documentos e abrir investigações sobre decisões da Casa Branca.
Uma das iniciativas que poderá avançar envolve a atuação do governo Trump na entrada e permanência de Flávio Bolsonaro em território norte-americano.
A deputada democrata Pramila Jayapal está entre os parlamentares que defendem esclarecimentos sobre o caso. Ela também participou de uma iniciativa que cobra informações sobre a eventual participação de autoridades americanas na saída do senador brasileiro do país.
Os questionamentos incluem a concessão de vistos e a possibilidade de tratamento diferenciado em relação às regras migratórias aplicadas a outros estrangeiros.
As suspeitas, no entanto, ainda dependem de apuração e não representam comprovação de irregularidades cometidas pelo governo americano.
Congresso cobra respostas de Marco Rubio até 13 de novembro
Um grupo de 25 parlamentares democratas enviou uma carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, solicitando esclarecimentos sobre a entrada de Flávio Bolsonaro no país.
O documento apresenta 15 perguntas relacionadas à concessão de vistos, à atuação de autoridades americanas e às circunstâncias da viagem do senador.
Os congressistas estabeleceram o dia 13 de novembro de 2026 como prazo para que o Departamento de Estado apresente respostas por escrito e disponibilize funcionários para prestar esclarecimentos.
A cobrança foi apresentada antes da posse da nova maioria democrata e poderá ganhar força com a mudança no controle do Legislativo.
Eduardo Bolsonaro também pode enfrentar questionamentos
Eduardo Bolsonaro, que teve o mandato de deputado federal cassado, também poderá ser alcançado pelas investigações políticas sobre a relação entre a família e o governo Trump.
O ex-parlamentar mantém proximidade política com integrantes do Partido Republicano e recebeu autorização de residência permanente nos Estados Unidos em julho deste ano, segundo informações divulgadas sobre sua situação migratória.
A eventual abertura de investigações poderá incluir questionamentos sobre o tratamento concedido a integrantes da família Bolsonaro e as decisões adotadas por órgãos do governo americano.
Entretanto, uma investigação parlamentar não significa automaticamente a existência de irregularidades nem determina a perda de documentos migratórios.
Democratas podem deportar Flávio e Eduardo?
O Congresso dos Estados Unidos não possui competência direta para determinar a deportação de estrangeiros.
A política migratória é executada por órgãos federais vinculados ao governo americano, incluindo o Departamento de Segurança Interna.
Os parlamentares podem fiscalizar procedimentos, solicitar informações, realizar audiências e investigar possíveis irregularidades administrativas.
Uma eventual deportação, porém, dependeria da legislação migratória aplicável e da análise individual da situação de cada brasileiro.
Donald Trump continuará na Presidência dos Estados Unidos mesmo após a derrota eleitoral de seu partido e manterá as atribuições do Executivo relacionadas à imigração.
Derrota republicana muda equilíbrio de poder em Washington
As eleições realizadas em 3 de novembro garantiram aos democratas a maioria nas duas Casas do Congresso americano, encerrando o controle simultâneo que os republicanos mantinham sobre o Legislativo.
A nova composição está prevista para assumir em 3 de janeiro de 2027.
Com isso, Trump deverá enfrentar maior resistência para aprovar projetos e poderá ser submetido a uma fiscalização mais intensa por parte da oposição.
O cenário também pode influenciar discussões sobre política externa, imigração e relações diplomáticas envolvendo o Brasil.
Apesar do avanço democrata, o presidente americano continuará com poderes constitucionais, incluindo o veto a projetos aprovados pelo Congresso.
Próximos passos
O primeiro prazo importante é 13 de novembro, quando o Departamento de Estado deverá responder aos questionamentos dos parlamentares democratas sobre Flávio Bolsonaro.
A partir de janeiro de 2027, a nova maioria poderá decidir se abrirá investigações formais e convocará representantes do governo Trump para prestar esclarecimentos.
Até o momento, não há decisão de deportação contra os irmãos em decorrência do resultado eleitoral americano.
O principal efeito imediato das eleições é político: Eduardo e Flávio Bolsonaro poderão enfrentar maior fiscalização sobre suas relações com autoridades dos Estados Unidos.