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Lula reúne Haddad, Durigan e Alckmin para discutir dívida pública e futuro da economia no quarto mandato

Encontro no Palácio da Alvorada ocorre após Banco Central manter Selic em 13,75% ao ano. Governo avalia medidas para conter despesas, preservar programas sociais e atrair investimentos.
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reuniu nesta quinta-feira (5), às 11h, ministros, ex-ministros e economistas para discutir os rumos da política econômica no quarto mandato. O encontro, no Palácio da Alvorada, ocorre em meio à pressão sobre as contas públicas e um dia depois de o Banco Central interromper o ciclo de redução dos juros e manter a taxa Selic em 13,75% ao ano.

A reunião tem como objetivo discutir medidas para conter o crescimento das despesas, melhorar a trajetória da dívida pública e garantir a continuidade dos programas sociais. O governo também pretende ampliar a atração de investimentos estrangeiros, especialmente em áreas como transição energética, preservação ambiental e exploração de minerais estratégicos.

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Governo busca equilíbrio entre ajuste fiscal e programas sociais

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, deve apresentar um panorama da situação econômica e das medidas que estão em análise pela equipe. Entre as propostas em estudo estão o aumento do contingenciamento de despesas e a criação de mecanismos para limitar o crescimento dos gastos obrigatórios, como os destinados à saúde e à educação, sem redução dos recursos dessas áreas.

A intenção, segundo interlocutores do ministro, é promover um ajuste fiscal gradual e consistente, que ajude a criar condições para a redução dos juros e permita manter as políticas sociais no longo prazo.

A dívida pública brasileira ultrapassou 82% do Produto Interno Bruto (PIB) durante o atual governo. O indicador chegou a 82,9% do PIB, segundo dados divulgados nesta quinta-feira.

A discussão também ocorre poucos dias depois da reeleição de Lula, em 25 de outubro, quando o petista conquistou um quarto mandato ao derrotar Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. O resultado oficial foi de 51,79% dos votos válidos para Lula e 48,21% para o adversário.

Selic em 13,75% aumenta pressão sobre a política econômica

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), anunciada na quarta-feira (4), interrompeu uma sequência de cinco cortes consecutivos da taxa básica de juros. A manutenção da Selic em 13,75% ao ano ocorreu em meio às incertezas sobre o cenário econômico e fiscal.

Mais cedo nesta quinta-feira, Durigan classificou os juros brasileiros como muito altos, mas evitou criticar diretamente a decisão do Banco Central.

“Eu não vou fazer esse tipo de comentário valorativo, mas, mais uma vez, a taxa de juros no Brasil é muito alta, o esforço que nós temos que fazer no governo Lula 4 é dar as condições corretas, estruturais, os corretos estímulos para que a gente diminua a taxa de juros”, afirmou o ministro.

A política monetária deve ser um dos pontos de divergência no debate. Enquanto integrantes do PT criticam o patamar dos juros e defendem mudanças na condução da política monetária, o mercado financeiro cobra medidas concretas para controlar as despesas públicas.

Diferentes propostas para controlar as despesas

A reunião conta com representantes de diferentes correntes econômicas. Entre os convidados estão o vice-presidente Geraldo Alckmin, os ministros Dario Durigan, Bruno Moretti, do Planejamento, e Esther Dweck, da Gestão e da Inovação; os ex-ministros Fernando Haddad e Guido Mantega; além dos economistas Luciano Coutinho e Laura Carvalho. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, também foi convidado, mas, segundo as informações disponíveis, não poderá comparecer por outro compromisso.

Durigan defende ajustes graduais e de longo prazo nas contas públicas. O ministro também considera os investimentos estrangeiros uma das alternativas para impulsionar o crescimento e vê oportunidades em projetos ligados aos recursos naturais brasileiros. Por isso, rejeita medidas que possam ser interpretadas como controle de capitais e afastar investidores.

Haddad, por sua vez, já defendeu uma reorganização dos programas assistenciais. Em fevereiro, quando ainda comandava a Fazenda, propôs uma nova arquitetura para os gastos sociais, com a possibilidade de unificar benefícios. A ideia segue uma lógica semelhante à adotada em 2003, quando programas dispersos foram reunidos no Bolsa Família.

Alckmin defende revisão de gastos e emendas parlamentares

O vice-presidente Geraldo Alckmin pretende levar para o governo federal medidas de ajuste fiscal que adotou durante sua gestão no governo de São Paulo.

A estratégia incluiu contingenciamento do Orçamento no início da administração, redução de despesas de custeio, corte de cargos comissionados e revisão de contratos. A proposta era controlar os gastos sem comprometer a capacidade de investimento do Estado.

Alckmin também defende que o governo federal dê o exemplo antes de cobrar sacrifícios de outros setores. Entre as medidas que pretende discutir estão a redução de despesas consideradas supérfluas, a revisão dos supersalários do funcionalismo, do fundo eleitoral e das emendas parlamentares.

Na avaliação do vice-presidente, esses gastos reduzem a margem disponível para investimentos do Executivo.

Mantega questiona juros altos e defende crescimento econômico

O ex-ministro Guido Mantega representa uma corrente desenvolvimentista dentro do PT. Ele atribui os principais entraves da economia brasileira à política monetária e aos juros elevados, e não ao excesso de despesas públicas.

Na avaliação de Mantega, juros altos encarecem a dívida, dificultam o investimento produtivo e limitam o crescimento econômico. O ex-ministro defende que a expansão da atividade econômica pode contribuir para reequilibrar as contas públicas.

Mantega comandou o Ministério da Fazenda entre 2006 e 2014. Defensores de sua gestão destacam que, naquele período, a dívida líquida do país caiu de 49% para 33% do PIB.

Investimentos em energia e mineração também entram na estratégia

Além da discussão sobre o ajuste fiscal, o governo pretende usar a transição energética e os recursos minerais brasileiros como vitrines para atrair capital estrangeiro.

A aposta é ampliar investimentos em energia limpa, preservação ambiental e mineração estratégica, incluindo a exploração de terras raras. A expectativa é que esses projetos tragam recursos externos, estimulem o crescimento e ampliem a arrecadação sem pressionar diretamente o Orçamento.

A reunião desta quinta-feira integra uma discussão mais ampla sobre os caminhos da política econômica para o próximo mandato. A intenção do governo é ouvir diferentes avaliações antes de definir medidas para as contas públicas e para a manutenção das políticas sociais.

Quem são os 11 participantes da reunião de Lula e qual a importância de cada um?

A reunião convocada pelo presidente conta com ex-ministros e economistas para discutir a dívida pública, o controle das despesas e os rumos da economia brasileira no quarto mandato. Cada participante contribui com experiências em áreas como política fiscal, planejamento, gestão pública, investimentos e desenvolvimento econômico.

Geraldo Alckmin: experiência administrativa e articulação política

O vice-presidente da República participa das discussões com a experiência de quem governou São Paulo e adotou medidas de controle de despesas públicas. Alckmin pode contribuir com propostas de revisão de gastos, redução de custos administrativos e preservação dos investimentos. Sua presença também reforça a articulação política necessária para levar eventuais medidas econômicas ao Congresso.

Dario Durigan: responsável pela política econômica do governo

Ministro da Fazenda, Durigan ocupa uma posição central na elaboração das propostas fiscais. Cabe à sua equipe avaliar alternativas para controlar o crescimento da dívida pública, melhorar o equilíbrio das contas e criar condições para a redução dos juros. Ele também participa das discussões sobre a atração de investimentos estrangeiros e a sustentabilidade dos programas sociais.

Miriam Belchior: Coordenação das prioridades do governo

Ministra da Casa Civil, Miriam Belchior atua na articulação entre os ministérios e no acompanhamento das prioridades presidenciais. Com experiência anterior no Ministério do Planejamento e na coordenação de projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), sua participação é importante para avaliar como eventuais decisões fiscais poderão afetar obras, investimentos e políticas públicas.

Bruno Moretti: Planejamento do Orçamento e controle das despesas

À frente do Ministério do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti tem participação diretamente ligada à distribuição dos recursos federais. Sua pasta trabalha com as projeções orçamentárias e os limites de despesas. Na reunião, sua área é fundamental para avaliar a viabilidade de medidas de ajuste fiscal e os impactos sobre os recursos destinados aos serviços públicos.

Esther Dweck: Gestão da máquina pública e eficiência dos gastos

Ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck responde por políticas voltadas à administração federal. Sua contribuição está relacionada à modernização da gestão, à estrutura do funcionalismo e à melhoria dos processos administrativos. Essas áreas podem entrar nas discussões sobre eficiência do gasto público e redução de custos sem comprometer a prestação de serviços à população.

Aloizio Mercadante: Financiamento e investimentos para estimular a economia

Presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante representa uma das principais instituições federais de financiamento de longo prazo. Sua participação amplia o debate sobre como estimular investimentos em infraestrutura, indústria e inovação, conciliando crescimento econômico e responsabilidade fiscal.

Fernando Haddad: Experiência na Fazenda e reorganização dos programas sociais

Ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad participou da condução da política econômica durante o terceiro mandato de Lula. Sua experiência com regras fiscais, tributação e organização das despesas públicas contribui para a discussão de medidas de médio e longo prazo. Haddad também já apresentou propostas de reorganização de benefícios sociais, tema que pode integrar as avaliações sobre a sustentabilidade do Orçamento.

Guido Mantega: defesa do crescimento econômico e debate sobre os juros

Ministro da Fazenda entre 2006 e 2014, Guido Mantega retorna às discussões com uma visão voltada ao estímulo da atividade econômica. Ele é conhecido por defender a redução dos juros e o fortalecimento dos investimentos como caminhos para impulsionar o crescimento. Sua participação acrescenta ao debate a perspectiva de que a expansão da economia e da arrecadação também pode contribuir para melhorar as contas públicas.

Luciano Coutinho: experiência em financiamento e desenvolvimento industrial

Economista e ex-presidente do BNDES, Luciano Coutinho tem trajetória ligada ao financiamento de grandes projetos e à política industrial brasileira. Sua presença permite discutir instrumentos de crédito de longo prazo, investimentos produtivos e desenvolvimento tecnológico, especialmente em um momento em que o governo busca alternativas para estimular a economia sem aumentar excessivamente as despesas.

Eduardo Moreira: visão sobre crédito, desigualdade e atividade econômica

Empresário, engenheiro e comentarista econômico, Eduardo Moreira participa do encontro como uma voz externa à equipe ministerial. Conhecido por suas análises sobre o sistema financeiro, a distribuição de renda e o acesso ao crédito, ele pode contribuir com reflexões sobre os efeitos das decisões fiscais e monetárias na economia real, incluindo o consumo das famílias e a capacidade de investimento.

Laura Carvalho: desigualdade social e impactos da política fiscal

Economista e professora, Laura Carvalho desenvolve estudos sobre crescimento econômico, desigualdade e política fiscal. Sua participação contribui para avaliar os efeitos das decisões orçamentárias sobre a população, especialmente em áreas como renda, emprego e serviços públicos. A economista também traz ao debate a relação entre investimentos do Estado, desenvolvimento econômico e proteção social.

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