A suposta discussão entre João Vicente de Castro e Antonio Tabet trouxe novamente à tona as brigas e polêmicas que marcaram a história do Porta dos Fundos. O grupo, criado em 2012 e responsável por transformar o humor brasileiro na internet, viveu desentendimentos entre fundadores, mudanças de sócios, disputas judiciais e até um atentado contra sua sede no Rio de Janeiro. A nova controvérsia começou após uma publicação de Tabet interpretada por internautas como uma indireta ao antigo parceiro.
Na terça-feira (3), Tabet publicou críticas a uma pessoa que chamou de “nepobaby babaca” e “hipócrita”, sem revelar sua identidade. A mensagem apareceu pouco depois de João Vicente defender Marina Ruy Barbosa de ataques nas redes sociais. A coincidência fez seguidores associarem a postagem ao ator, mas Tabet não confirmou que as críticas eram dirigidas a João Vicente. O episódio reacendeu o interesse pelos bastidores da saída do humorista e de Ian SBF da produtora, em março de 2025.
A história do Porta dos Fundos, porém, acumula outros episódios marcantes. Entre eles estão as discussões sobre a administração da empresa, a rejeição de projetos apresentados por fundadores, a polêmica de um especial de Natal que chegou ao Supremo Tribunal Federal e relatos de ameaças contra integrantes do elenco. Relembre sete controvérsias que acompanharam a trajetória do grupo e entenda o que aconteceu em cada uma delas.

Racha no Porta dos Fundos: divergências entre João Vicente e Tabet vêm à tona após indireta
1. João Vicente e Tabet: indireta reacende rumores de briga
A polêmica mais recente começou em meio a uma discussão envolvendo a atriz Marina Ruy Barbosa, que enfrentou críticas e especulações sobre o afastamento de antigas amigas, incluindo Luma Costa.
João Vicente de Castro decidiu defender publicamente a atriz, afirmando que ela estaria sendo alvo de uma tentativa de cancelamento.
Pouco depois, Antonio Tabet publicou uma mensagem no X, antigo Twitter, com críticas contundentes a uma pessoa que não identificou.
“Apareceu o nepobaby babaca!”
Na sequência, o humorista acusou o alvo não identificado de hipocrisia, de evitar posicionamentos políticos durante as eleições e de buscar reconhecimento aproveitando a visibilidade de outras pessoas.
A publicação foi interpretada por usuários das redes sociais como uma possível crítica a João Vicente, que foi sócio de Tabet durante mais de uma década.
O apresentador preferiu não responder publicamente à possível indireta.
Apesar da repercussão, não houve confirmação de que os dois tenham discutido diretamente nos últimos dias.
O episódio ganhou importância porque o relacionamento profissional entre os antigos parceiros já vinha sendo questionado desde a saída de Tabet do Porta dos Fundos.
Segundo informações publicadas pela imprensa, os ex-sócios estão sujeitos a um acordo de confidencialidade que restringe manifestações sobre os termos do rompimento societário.
2. Saída de Antonio Tabet e Ian SBF expôs divergências entre fundadores
Uma das maiores mudanças da história do Porta dos Fundos aconteceu em 8 de março de 2025, quando Antonio Tabet e o diretor Ian SBF anunciaram que estavam deixando o quadro societário da empresa.
Na mesma reestruturação, a Paramount também vendeu sua participação, e a produtora passou a ser controlada por Fábio Porchat, Gregório Duvivier e João Vicente de Castro.
O anúncio oficial apresentou a mudança como o encerramento de um ciclo profissional, com agradecimentos às contribuições de Tabet e Ian durante quase 13 anos.
Nos bastidores, entretanto, o clima teria sido diferente.
Segundo relatos de funcionários e pessoas ligadas à empresa publicados pela imprensa em março de 2025, os fundadores acumulavam divergências sobre decisões criativas, administração e os caminhos comerciais da produtora.
João Vicente, responsável por parte importante da gestão empresarial, teria conquistado maior influência nas decisões devido à proximidade com Porchat e Duvivier.
Pessoas ouvidas pela imprensa criticaram seu estilo de administração, apontando dificuldades de diálogo com profissionais que apresentavam opiniões diferentes.
Tabet e Ian estariam insatisfeitos com os rumos do negócio e teriam se afastado da rotina presencial da produtora meses antes do desligamento.
A versão pública apresentada por Porchat, entretanto, foi de que a separação aconteceu de maneira amigável.
“Não teve briga, foi tudo tranquilo, todo mundo se dando bem.”
A declaração foi dada pelo humorista em março de 2025.
A diferença entre os relatos de bastidores e a versão oficial continua sendo um dos pontos centrais da discussão sobre o rompimento.
3. Tabet revelou que o Porta dos Fundos rejeitou proposta envolvendo Casimiro
Em outubro de 2026, Antonio Tabet voltou a comentar as divergências que enfrentou durante os últimos anos como sócio da produtora.
Em entrevista ao podcast Missão Saber, do Canal UOL, o humorista revelou que chegou a apresentar uma proposta para levar Casimiro Miguel, conhecido como Cazé, ao Porta dos Fundos.
A ideia era desenvolver um projeto ligado ao esporte, aproveitando o crescimento do criador de conteúdo e as oportunidades comerciais que começavam a surgir no ambiente digital.
Segundo Tabet, a proposta não recebeu o apoio necessário dos demais sócios e acabou rejeitada.
A lembrança ganhou importância porque Casimiro se tornou posteriormente um dos grandes nomes da comunicação esportiva brasileira, especialmente com o desenvolvimento da CazéTV.
Tabet apresentou o episódio como exemplo das oportunidades que, em sua avaliação, a produtora deixou de aproveitar.
Ele também comentou que o crescimento das carreiras individuais dos fundadores teria contribuído para o enfraquecimento de uma visão coletiva sobre o futuro do negócio.
O episódio não comprova uma briga específica entre Tabet e João Vicente, mas ajuda a compreender as divergências empresariais que antecederam a saída dos fundadores.
4. Parceria com o STF também dividiu opiniões
Outro episódio de controvérsia envolveu a relação do Porta dos Fundos com o Supremo Tribunal Federal (STF).
Em março de 2025, a produtora participou de uma campanha institucional voltada à divulgação de decisões e direitos relacionados às mulheres.
A parceria provocou discussões públicas sobre a participação de um grupo conhecido por suas sátiras políticas em uma iniciativa de comunicação de um órgão do Poder Judiciário.
Nos bastidores, a situação também teria contribuído para evidenciar diferenças entre os fundadores.
Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, Tabet e Ian SBF eram contrários a parcerias em campanhas realizadas com poderes públicos.
A divergência estava relacionada aos limites que deveriam existir entre a atuação artística e os projetos comerciais ou institucionais da empresa.
Não há, entretanto, confirmação pública de que essa parceria tenha sido a causa isolada da saída dos dois sócios.
O episódio se tornou mais um exemplo das diferentes visões sobre o tipo de conteúdo e de negócio que o Porta dos Fundos deveria desenvolver.
5. Especial de Natal sobre Jesus provocou protestos, processo e atentado
Uma das polêmicas mais graves enfrentadas pelo Porta dos Fundos aconteceu em dezembro de 2019, com o lançamento do especial de Natal “A Primeira Tentação de Cristo”, na Netflix.
A produção utilizava o humor para apresentar uma interpretação satírica de personagens e episódios ligados ao cristianismo.

Entre os elementos que provocaram críticas estava a sugestão de uma relação homoafetiva envolvendo Jesus.
A obra gerou indignação entre setores religiosos, que consideraram o conteúdo ofensivo à fé cristã.
A controvérsia deixou as redes sociais e chegou à Justiça, com pedidos para impedir a exibição do especial.
O momento mais grave aconteceu na madrugada de 24 de dezembro de 2019, quando a sede do Porta dos Fundos, no Rio de Janeiro, foi atacada com coquetéis molotov.
O incêndio foi controlado e não houve feridos. A investigação relacionou o ataque à reação extremista contra a produção.
O episódio provocou manifestações de solidariedade aos humoristas e ampliou a discussão sobre liberdade artística, intolerância religiosa e violência.
O caso também chegou ao Supremo Tribunal Federal.
Em janeiro de 2020, o ministro Dias Toffoli suspendeu uma decisão judicial que havia determinado a retirada do especial da Netflix.
Posteriormente, em novembro daquele ano, a Segunda Turma do STF confirmou o entendimento favorável à manutenção da obra.
Segundo o tribunal, a discordância com o conteúdo de uma produção artística não constitui, por si só, justificativa para impedir sua circulação.
A decisão pode ser consultada no comunicado oficial do Supremo Tribunal Federal sobre o julgamento.
É importante diferenciar as críticas feitas por grupos religiosos, protegidas pelo direito de manifestação, da violência praticada contra a sede da produtora.
6. Porta dos Fundos cancelou o próprio especial de Natal em 2023
Quatro anos depois da polêmica envolvendo a Netflix, o grupo voltou a enfrentar uma discussão relacionada aos tradicionais especiais natalinos.
Em dezembro de 2023, o Porta dos Fundos decidiu não lançar um especial de Natal que já havia sido gravado e estava previsto para ser disponibilizado pela Paramount+.
A produção teria como referência histórias do Antigo Testamento, mas os responsáveis avaliaram que o contexto internacional havia mudado desde sua criação.
Na época, a guerra entre Israel e Hamas, iniciada em outubro de 2023, havia intensificado as discussões sobre religião, violência e representações culturais.
O grupo explicou que o conteúdo foi desenvolvido em um momento diferente e que a situação poderia alterar a maneira como as piadas seriam recebidas.
A decisão provocou questionamentos sobre os limites da sátira e a escolha de não divulgar uma obra já concluída.
Diferentemente do que aconteceu em 2019, não houve uma ordem judicial determinando o cancelamento da produção de 2023.
A decisão partiu dos próprios responsáveis pelo projeto.
Para ocupar o espaço no calendário, a produtora lançou “Férias Coletivas”, uma série de humor que parodiava programas de reality show.
O episódio marcou uma mudança na forma como o grupo decidiu lidar com temas considerados sensíveis.

7. Humoristas relataram ameaças após sátiras sobre polícia e milícia
Além das discussões internas e das polêmicas envolvendo religião, os integrantes do Porta dos Fundos também relataram situações de intimidação relacionadas ao conteúdo de seus vídeos.
Em julho de 2026, Fábio Porchat, Gregório Duvivier e João Vicente de Castro participaram do programa Conversa com Bial e relembraram episódios de ameaças que, segundo eles, ocorreram após sátiras envolvendo policiais e milicianos.
João Vicente contou que estava em um carro com Ian SBF e Gabriel Totoro quando foi parado em uma blitz no Rio de Janeiro.
Segundo seu relato, os três permaneceram retidos durante aproximadamente duas horas.
Ao final da abordagem, o ator afirmou ter recebido uma ameaça velada de um policial.
Gregório Duvivier também contou que precisou contratar segurança particular durante cerca de três meses, período em que o profissional chegou a acompanhá-lo em atividades familiares.
Porchat relacionou os episódios à reação de pessoas que se sentiram atingidas pelas produções humorísticas.
Os relatos foram apresentados pelos artistas durante a entrevista. Não foram divulgados elementos suficientes para confirmar de forma independente todas as circunstâncias das ameaças mencionadas.
As situações demonstram como as controvérsias envolvendo o humor do grupo, em determinados momentos, ultrapassaram as discussões sobre conteúdo e passaram a envolver preocupações com a segurança dos profissionais.
Quem são os donos do Porta dos Fundos atualmente?
Depois da saída de Antonio Tabet, Ian SBF e Paramount, Fábio Porchat, Gregório Duvivier e João Vicente de Castro permaneceram como sócios do Porta dos Fundos.
A produtora continuou desenvolvendo vídeos de humor, programas especiais e projetos para diferentes plataformas.
A reestruturação também trouxe mudanças no modelo de trabalho dos artistas.
Profissionais que anteriormente mantinham contratos fixos passaram a ser chamados para produções específicas, conforme a necessidade de cada projeto.
Entre os nomes associados a essas mudanças estão Thati Lopes, Evelyn Castro, Ed Gama e Rafael Portugal.
João Vicente passou a desempenhar papel importante nas decisões empresariais e criativas, enquanto Porchat e Duvivier seguiram envolvidos nos projetos artísticos.
Tabet e Ian SBF, por sua vez, continuaram desenvolvendo trabalhos independentes.
O que a nova polêmica revela sobre os bastidores do grupo?
A publicação de Antonio Tabet nesta semana não confirma uma discussão direta com João Vicente de Castro, mas recolocou em evidência as divergências que acompanharam o fim de uma sociedade de quase 13 anos.
As informações divulgadas desde março de 2025 apontam diferenças de opinião sobre administração, estratégias comerciais e decisões criativas.
Ao mesmo tempo, os integrantes que permaneceram na produtora afirmaram publicamente que a separação aconteceu sem conflitos pessoais.
A existência de um acordo de confidencialidade, relatada pela imprensa, também limita o acesso a detalhes sobre a negociação entre os antigos sócios.
Até esta quinta-feira (5), Tabet não havia identificado oficialmente o destinatário da publicação interpretada como uma indireta a João Vicente.
O episódio acrescenta um novo capítulo à trajetória de um grupo que transformou o humor na internet brasileira, mas que também acumulou discussões públicas, controvérsias e mudanças importantes nos bastidores.
A eventual manifestação dos envolvidos poderá esclarecer se houve um novo desentendimento ou se as especulações surgiram apenas da interpretação dos internautas.