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Jovem segue desaparecido há quase 100 dias em Florianópolis; família continua sem respostas

Vinícius Valente da Silva, de 30 anos, sumiu após sair de um hostel em agosto rumo a uma praia de nudismo. Meses antes, uma denúncia sobre um suposto grupo de extermínio na região da Praia da Galheta chegou ao Ministério Público
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O caso do jovem desaparecido em Florianópolis completa 92 dias nesta sexta-feira, 6 de novembro, sem respostas definitivas sobre seu paradeiro. Vinícius Valente da Silva, de 30 anos, natural do Guarujá, no litoral de São Paulo, foi visto pela última vez em 6 de agosto, quando deixou um hostel na região da Lagoa da Conceição, na capital catarinense. Desde então, familiares e amigos tentam descobrir o que aconteceu.

Uma das pistas identificadas pela investigação aponta que Vinícius solicitou uma corrida por aplicativo com destino à região da Praia da Galheta, no Leste da Ilha, no mesmo dia em que desapareceu. O pedido foi registrado pouco antes de seu celular deixar de apresentar atividade, por volta das 23h.

A informação foi obtida a partir da análise de dados telefônicos e de aplicativos. Entretanto, a solicitação da corrida não comprova que o jovem tenha embarcado no veículo ou chegado ao destino informado.

A região indicada fica nas proximidades do Bar do Deca, um dos pontos conhecidos da Praia da Galheta. Equipes realizaram duas operações de busca na área, incluindo trilhas e formações rochosas, mas não encontraram vestígios que permitissem localizar Vinícius.

Denúncia sobre grupo de extermínio na Praia da Galheta chegou ao Ministério Público
A Praia da Galheta, região que aparece entre as pistas do desaparecimento, também foi alvo de denúncias envolvendo a possível atuação de um grupo de extermínio. O assunto ganhou repercussão durante uma audiência pública realizada em junho deste ano na Câmara Municipal de Florianópolis, cerca de um mês e meio antes do desaparecimento de Vinícius.

Na ocasião, um homem afirmou diante dos vereadores e de representantes das forças de segurança que integrava uma equipe especializada que pretendia “exterminar” pessoas que considerava responsáveis por crimes e abusos na região.

A declaração ocorreu durante uma discussão sobre segurança, fiscalização, naturismo e denúncias de atividades ilícitas nas trilhas de acesso à praia.

O vereador Leonel Camasão (PSOL) questionou a afirmação e denunciou o episódio às autoridades. Segundo o parlamentar, o homem também era investigado por suspeitas de agressões contra homens gays que frequentavam a região.

Em julho, Camasão informou que o Ministério Público de Santa Catarina havia determinado a abertura de um inquérito policial para investigar possíveis atos de homofobia nas proximidades da Praia da Galheta, conhecida por ser uma praia de nudismo.

Apesar da proximidade geográfica entre a região mencionada na denúncia e o destino solicitado por Vinícius no aplicativo, não há informações públicas que comprovem qualquer ligação entre o desaparecimento do jovem e a possível atuação do grupo denunciado na Câmara Municipal. Também não há confirmação de que Vinícius tenha chegado à praia ou sido vítima de um crime.

Jovem desaparecido em Florianópolis deixou hostel com mochila

Vinícius chegou a Florianópolis durante suas férias e se hospedou em um hostel na Lagoa da Conceição em 5 de agosto. Inicialmente, deveria deixar o estabelecimento no dia seguinte, mas pagou uma diária adicional, referente à noite de 6 para 7 de agosto.

Apesar disso, saiu do imóvel por volta das 17h do dia 6, levando apenas uma mochila com pertences pessoais. Imagens de câmeras de segurança registraram sua saída.

Antes de desaparecer, ele também esteve com um amigo, na residência de quem deixou parte de sua bagagem. O homem foi identificado e ouvido pela Polícia Civil durante a investigação.

O jovem deveria retornar a São Paulo no dia 9 de agosto, mas não houve confirmação de que tenha deixado Santa Catarina. Sem conseguir contato, pessoas próximas registraram o desaparecimento e iniciaram uma mobilização para encontrá-lo.

Polícia investiga dados financeiros e de aplicativos

A investigação também passou a analisar informações financeiras, registros telefônicos e dados de plataformas digitais para tentar reconstruir os últimos deslocamentos de Vinícius.

Em setembro, a advogada da família, Lígia Cerqueira, informou que não haviam sido identificadas movimentações financeiras posteriores ao desaparecimento. Entretanto, os documentos completos ainda eram aguardados pela representação familiar.

Pedidos de informações também foram encaminhados a empresas como 99, Uber, iFood e Meta, responsável pelo WhatsApp.

Na ocasião, a advogada relatou dificuldades para obter parte dos dados solicitados, especialmente os relacionados à 99 e à Meta. Essas informações poderiam ajudar a esclarecer a sequência de acontecimentos entre a saída do hostel e a interrupção dos registros do celular.

Em 6 de outubro, quando o desaparecimento completou dois meses, a Polícia Civil de Santa Catarina informou que as investigações continuavam, mas não havia novidades sobre a localização de Vinícius.

Até esta sexta-feira (6), não foi localizada uma atualização oficial mais recente que esclareça seu paradeiro ou confirme a conclusão das diligências pendentes.

Como ajudar a localizar Vinícius Valente?

A Polícia Militar de Santa Catarina mantém um serviço para receber informações sobre pessoas desaparecidas.

Quem tiver informações que possam ajudar a esclarecer o caso pode entrar em contato com o SOS Desaparecidos pelos telefones (48) 3665-4715, (48) 99156-8264 ou (48) 98843-3152.

Informações também podem ser encaminhadas à Polícia Civil pelo Disque-Denúncia 181. O serviço permite o repasse anônimo de informações que possam contribuir para as investigações.

 

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