Um lutador de jiu-jítsu de 32 anos foi preso após agredir violentamente duas mulheres em um condomínio na Avenida Maracanã, na Tijuca, Zona Norte do Rio de Janeiro. Uma das vítimas, de 56 anos, tentou socorrer uma idosa que estava sendo atacada pelo homem, mas acabou espancada dentro do elevador do prédio. As agressões ocorreram na madrugada de quinta-feira (5) e foram registradas por câmeras de segurança.
O suspeito foi identificado como Lucas Portela Fontana Gomes, morador do próprio condomínio. Segundo a Polícia Civil, ele invadiu apartamentos, ameaçou matar vizinhos e atacou uma mulher de 65 anos, que precisou ser hospitalizada. Durante a abordagem policial, Lucas teria tentado tomar a arma de um agente e foi baleado nas pernas. A Justiça determinou sua prisão preventiva por tentativa de feminicídio.
Homem é preso após câmeras flagrarem agressão contra filha de 6 anos em elevador em SP
Mulher tentou salvar idosa e foi espancada dentro do elevador
O ataque começou por volta de 1h, quando moradores ouviram gritos e uma confusão dentro do apartamento de Lucas. Assustados, vizinhos acionaram a Polícia Militar e a Guarda Municipal.
De acordo com as investigações, o lutador saiu de sua residência e passou a invadir outros apartamentos, ameaçando os moradores. Uma das famílias conseguiu fugir pelas escadas e buscar ajuda.
Em seguida, Lucas entrou em outro imóvel e agrediu uma idosa de 65 anos. Familiares da mulher conseguiram escapar e foram até a portaria do prédio pedir socorro.
Uma vizinha de 56 anos, que morava no segundo andar, soube da situação e decidiu subir para ajudar. Ao chegar ao terceiro andar, encontrou o suspeito próximo à entrada do elevador.
Segundo os relatos reunidos pela polícia, Lucas ordenou que a mulher se ajoelhasse e começou a agredi-la.
As imagens de segurança mostram o lutador aplicando um golpe de estrangulamento e desferindo diversos socos contra o rosto e a cabeça da vítima. Ela também foi atingida por chutes durante o ataque, que durou vários minutos.
A violência provocou ferimentos em diferentes partes do corpo da mulher e deixou marcas de sangue no interior do elevador.
Vítima conseguiu escapar e pedir ajuda
Apesar das agressões, a mulher conseguiu sair do condomínio e buscar abrigo em um posto de combustíveis nas proximidades.
O Corpo de Bombeiros foi acionado para prestar atendimento. A vítima foi encaminhada ao Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro do Rio de Janeiro.
A idosa de 65 anos, agredida anteriormente dentro do próprio apartamento, também precisou de atendimento médico e permanecia internada até a divulgação das informações mais recentes.
Não foram divulgados boletins médicos detalhados sobre a gravidade de todos os ferimentos ou a previsão de alta das vítimas.
Os nomes das mulheres foram preservados.
Lutador tentou pegar arma de policial e foi baleado
Equipes do 6º Batalhão da Polícia Militar, da Tijuca, e agentes da Guarda Municipal foram enviados ao condomínio após as denúncias de agressões e ameaças.
Durante a abordagem, Lucas teria reagido à presença dos policiais e entrado em confronto físico com um dos agentes.
Segundo o registro da ocorrência, o suspeito tentou tomar a arma de um policial militar. Diante da situação, os agentes efetuaram disparos que atingiram suas pernas.
Mesmo ferido, o lutador teria continuado resistindo à prisão e tentado fugir pelas escadas do edifício.
Os policiais utilizaram uma arma de choque para imobilizá-lo.
Lucas também foi encaminhado ao Hospital Municipal Souza Aguiar para receber atendimento médico antes dos procedimentos relacionados à prisão.
Câmeras de segurança registraram a violência
As gravações do circuito interno do condomínio se tornaram uma das principais provas utilizadas pelos investigadores para reconstruir a sequência dos ataques.
O vídeo do elevador mostra a mulher sendo agredida repetidamente, mesmo sem apresentar condições de reagir aos golpes.
Além das imagens, policiais civis da 18ª Delegacia de Polícia, na Praça da Bandeira, ouviram vítimas e testemunhas e reuniram informações sobre as invasões aos apartamentos.
Os depoimentos também deverão ajudar a esclarecer como a confusão começou e o que motivou o comportamento violento atribuído ao suspeito.
Até o momento, não foi divulgada uma explicação confirmada para o início dos ataques.
Justiça decreta prisão preventiva por tentativa de feminicídio
Após a ocorrência, a Polícia Civil iniciou os procedimentos para responsabilizar Lucas Portela Fontana Gomes.
A Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva, considerando os elementos apresentados sobre a gravidade dos ataques.
O caso é investigado como tentativa de feminicídio, ameaça, invasão de domicílio, lesão corporal e resistência.
A tentativa de feminicídio é investigada quando existem indícios de uma tentativa de matar uma mulher por razões relacionadas à condição do sexo feminino. A definição jurídica dependerá da análise das circunstâncias, das provas e da atuação do Ministério Público e da Justiça.
A decretação da prisão preventiva não representa uma condenação definitiva, mas uma medida cautelar adotada durante a investigação e o processo.
Depois dos procedimentos policiais e do atendimento médico, Lucas foi transferido para o sistema penitenciário de Benfica, na Zona Norte do Rio de Janeiro.
Até a última atualização das informações consultadas, não havia manifestação pública da defesa do investigado sobre as acusações.
Investigação busca esclarecer toda a sequência dos ataques
A Polícia Civil deverá continuar analisando as gravações, os depoimentos e os demais elementos reunidos na ocorrência.
Os investigadores também deverão verificar as circunstâncias das ameaças feitas aos moradores e a participação do suspeito em cada uma das agressões relatadas.
Uma das questões que precisam ser esclarecidas é o motivo pelo qual Lucas teria iniciado a confusão dentro do próprio apartamento e, posteriormente, passado a atacar os vizinhos.
Os laudos médicos das vítimas poderão contribuir para determinar a gravidade das lesões e subsidiar os próximos procedimentos criminais.
A investigação está sob responsabilidade da 18ª DP, que deverá concluir o inquérito e encaminhar os elementos reunidos às autoridades competentes.
Como denunciar violência contra a mulher
Casos de violência contra mulheres podem ser denunciados pela Central de Atendimento à Mulher, por meio do telefone 180. O serviço é gratuito e funciona 24 horas por dia.
Em situações de agressão em andamento ou risco imediato à vida, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.
A denúncia também pode ser feita em delegacias de polícia, inclusive nas unidades especializadas de atendimento à mulher.
Próximos passos
Lucas Portela Fontana Gomes permanece preso preventivamente e à disposição da Justiça. A Polícia Civil continuará a investigação para reunir os elementos necessários à conclusão do inquérito.
O estado de saúde das vítimas e os resultados dos exames periciais também poderão trazer novas informações sobre a gravidade dos ataques.
Após a conclusão do procedimento policial, caberá ao Ministério Público avaliar as provas e decidir sobre a apresentação de denúncia criminal.