Fale com a gente NC News TV Ao Vivo

Anvisa barra lote falsificado de creatina DUX e alerta consumidor

Anvisa identifica e bloqueia lote falso de creatina DUX, reforçando a importância da cautela no consumo de suplementos.
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

A proibição imediata do lote K52354A da creatina DUX sem sabor, apontado como falsificado e sem notificação sanitária, soma pressão sobre um mercado de suplementos em alta no Brasil e reacende o alerta para o consumo seguro desses produtos.

A determinação foi publicada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no Diário Oficial da União nesta sexta-feira (6) e atinge a fabricação, venda, distribuição, divulgação e uso do suplemento em pó Creatina DUX, pote de 300 g, com validade até abril de 2027. Segundo a agência, a Dux Company Ltda. informou não reconhecer o lote, que vinha sendo ofertado pela loja Charmozza Comércio e Indústria de Produtos em uma plataforma de vendas online, o que caracteriza falsificação.

A medida faz parte de um pacote de ações contra suplementos alimentares irregulares. Também foram alvo da Anvisa todos os produtos da Bálsamo Jes Suplemento Natural Ltda., por ausência de notificação e uso de ingredientes não autorizados, e o lote D25-2601441 do Equaliv Ômega 3, com validade até maio de 2028, após denúncia da própria fabricante sobre falsificação.

Na prática, fabricantes, distribuidores e lojistas ficam obrigados a retirar os itens do mercado. Quem insistir na venda está sujeito a apreensão de produtos e sanções sanitárias. Para o consumidor, a orientação é suspender o uso de qualquer unidade identificada com os lotes proibidos e acionar os canais oficiais da Anvisa ou das vigilâncias sanitárias locais.

Ao reforçar as regras para o setor, a agência lembra que esses produtos não podem se apresentar como se fossem remédios nem prometer cura. “Suplementos alimentares não são medicamentos e, por isso, não servem para tratar, prevenir ou curar doenças. Os suplementos são destinados a pessoas saudáveis. Sua finalidade é fornecer nutrientes, substâncias bioativas, enzimas ou probióticos em complemento à alimentação”, informa a Anvisa em material oficial.

Quais lotes de creatina foram proibidos pela Anvisa?

O lote K52354A da creatina DUX em pó, sem sabor, pote de 300 g, com validade até abril de 2027, é o alvo específico da proibição relacionada à creatina anunciada nesta sexta-feira.

De acordo com a Anvisa, a Dux Company Ltda. comunicou não reconhecer esse lote, o que indica falsificação. O produto estava sendo comercializado pela loja Charmozza Comércio e Indústria de Produtos em um marketplace. Com a resolução, fica vedada qualquer forma de fabricação, oferta, divulgação, distribuição ou uso desse lote em todo o território nacional.

Embora outros suplementos tenham sido incluídos nas decisões de hoje — como todos os itens da Bálsamo Jes Suplemento Natural Ltda. e o lote D25-2601441 do Equaliv Ômega 3 —, entre as creatinas a suspensão recai especificamente sobre o lote K52354A da DUX.

Por que a Anvisa proibiu a venda de alguns suplementos de creatina?

O lote K52354A da creatina DUX foi proibido porque é considerado falsificado, não possui notificação sanitária regular e pode conter ingredientes fora do padrão autorizado.

No caso da creatina DUX, a Anvisa aponta três problemas centrais: a empresa titular não reconhece o lote, o que indica fraude; não há comprovação da regularidade sanitária do produto; e, ao integrar um conjunto de suplementos irregulares, ele se enquadra no esforço do órgão para retirar do mercado produtos sem controle de qualidade ou com fórmulas alteradas. A agência também mira alegações terapêuticas indevidas, comuns nesse tipo de produto.

A mesma lógica vale para outros itens barrados: suplementos da Bálsamo Jes foram suspensos por falta de notificação e inclusão de “constituintes não autorizados para uso em suplementos alimentares”, sem comprovação de segurança; já o Equaliv Ômega 3 teve um de seus lotes vetado após denúncia da fabricante sobre falsificação. Em todos os casos, a justificativa central é proteger a saúde pública de itens sem garantia de origem e composição.

Entenda o contexto

Desde que regras específicas para suplementos alimentares entraram em vigor, a Anvisa trabalha com uma lista de ingredientes autorizados, exigência de regularização dos produtos e normas rígidas de rotulagem. Itens que prometem tratar ou prevenir doenças, usam substâncias proibidas ou circulam sem qualquer vínculo com o fabricante oficial entram na mira da fiscalização.

O avanço do comércio online ampliou o acesso a marcas e lotes vendidos por terceiros, muitas vezes sem checagem de procedência. A decisão de hoje funciona como recado para plataformas digitais e revendedores: ofertar suplementos sem origem clara, notificação sanitária ou com rótulos e alegações fora da norma pode resultar em medidas de apreensão e em proibição nacional.

A creatina pode aumentar músculos sem a prática de exercícios?

O aumento de 1,1 kg de massa magra observado em um estudo recente com creatina, mesmo sem treino, não é suficiente para dizer que houve ganho real de músculo, e especialistas pedem cautela antes de tirar conclusões.

A pesquisa, publicada no Journal of the International Society of Sports Nutrition, avaliou participantes que usaram creatina com e sem exercícios físicos. Houve ganho de massa magra e aumento de força e resistência em testes de supino e leg press, inclusive entre quem não treinou formalmente.

O ponto central da polêmica está no método de avaliação da composição corporal, a absorciometria por dupla emissão de raios X (DXA). O exame não consegue diferenciar com precisão o que é tecido muscular e o que é água acumulada nos tecidos. “Não podemos afirmar que esse 1,1 kg representa aumento de proteínas contráteis no tecido muscular esquelético”, pondera Igor Longobardi, doutor em Ciências pela Faculdade de Medicina da USP.

Guilherme Artioli, professor do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, lembra que massa magra engloba não só músculo, mas também outros tecidos e líquidos corporais. “Uma vez que a creatina sabidamente aumenta a retenção de cerca de 1 a 2 kg de água no tecido muscular, é muito provável que boa parte, senão todo o efeito atribuído a ela, seja na verdade mera retenção hídrica”, afirma.

Os especialistas também chamam atenção para falhas na randomização. A divisão aleatória foi feita apenas entre quem recebia creatina ou placebo; já a escolha de treinar ou não não foi totalmente randômica e acabou ficando, em parte, a critério dos próprios participantes. “Isso reduz a força das comparações entre os grupos com e sem exercício, pois eles podem diferir em motivação, hábitos ou condição física desde o início”, explica Longobardi.

Um dos autores do estudo, o professor Richard Kreider, da Texas A&M University, argumenta que os ganhos de força não se explicam apenas pela água a mais no músculo. Ele lembra que “o músculo esquelético contém aproximadamente 75% a 80% de água”, mas que isso não justificaria sozinho o aumento de desempenho observado. A hipótese dele é que, com a suplementação, os participantes podem ter se sentido mais dispostos a se mover no dia a dia, o que teria gerado algum benefício funcional, mesmo sem um programa de treino estruturado.

Ainda assim, Longobardi reforça que “não há evidência suficiente para recomendar o suplemento isoladamente como estratégia para preservar músculo ou função”, inclusive em idosos ou pessoas que não conseguem se exercitar. “Outros estudos indicam que a creatina sozinha não parece ser capaz de proteger o músculo durante o desuso completo, como no repouso prolongado no leito ou na imobilização de um membro”, diz.

Artioli segue a mesma linha e cita pesquisas conduzidas na USP com idosos e indivíduos com baixa atividade física: “Temos estudos realizados na USP com essas populações, com métodos muito mais rigorosos, que infelizmente não mostraram muitos benefícios da creatina para quem não treina”.

Hoje, o consenso mais sólido continua sendo o uso da creatina como complemento à prática regular de exercícios de força ou resistência, em pessoas saudáveis e com acompanhamento profissional. O possível efeito em quem não treina ainda é considerado incerto e não justifica consumo indiscriminado.

Entenda o contexto

A creatina monohidratada é um dos suplementos mais estudados no esporte e costuma ser usada para melhorar força, explosão e desempenho em esforços de alta intensidade. Produtos rotulados como “creatina pura”, “creatina growth”, “creatina max” ou similares disputam espaço em um mercado que também é sensível a preços e a promessas de ganho rápido de massa muscular.

No Brasil, a Anvisa classifica a creatina como suplemento alimentar, não como medicamento. Isso significa que ela não tem autorização para alegar prevenção ou tratamento de doenças, nem para se vender como substituta de treino ou de alimentação adequada. Para o consumidor, a mensagem que vem tanto do órgão regulador quanto da comunidade científica é clara: o suplemento pode ter papel importante em conjunto com o exercício, mas não faz milagre sozinho e precisa ser usado com orientação, atenção à procedência e respeito às regras sanitárias.

Carregar Comentários