O Boeing 737 MAX 10, maior avião da família 737 MAX, recebeu a certificação final da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) nesta semana e libera a fabricante para iniciar, nos próximos meses, as entregas do modelo a companhias aéreas em todo o mundo. A homologação sai em meio a um pacote de melhorias de segurança e vem acompanhada de um pedido de 140 aeronaves pela arrendadora Avolon, o maior já feito por uma empresa de leasing para esse jato.
Quais são as novidades do Boeing 737 MAX 10 aprovado para voar após seis anos de atraso?
O 737 MAX 10 leva até 230 passageiros e foi desenhado para rotas de curta e média distância com foco em mais capacidade e eficiência por assento em relação às demais versões da família. Ele supera o 737 MAX 9, que acomoda até 195 passageiros, e o MAX 7, com até 160, e mira justamente mercados de alta demanda, em que as companhias precisam colocar mais gente a bordo sem partir para aviões de dois corredores.
Segundo a presidente e diretora-executiva da Boeing Commercial Airplanes, Stephanie Pope, o novo modelo combina ganhos de desempenho com economia: “O MAX 10 oferece maior capacidade de passageiros, mais autonomia de voo e maior eficiência econômica por assento em sua categoria”. Ela afirma ainda que “as entregas começarão nos próximos meses”.
A Boeing já tem unidades do MAX 10 prontas em sua linha de montagem, à espera apenas da liberação da FAA para deixar a fábrica. A carteira de pedidos passa de 1.550 aeronaves, o que representa cerca de 31% dos pedidos ainda pendentes de toda a família 737. Entre as principais clientes estão United Airlines (167 jatos encomendados), Alaska Airlines (163), American Airlines (115), Delta Air Lines (100), Ryanair (150), WestJet (101), Pegasus Airlines (100), Akasa Air (99) e Korean Air (62).
Com a certificação, a canadense WestJet deve ser a primeira a operar o modelo comercialmente, enquanto gigantes aéreas dos Estados Unidos e da Europa planejam usar o MAX 10 para renovar frota e reforçar oferta em rotas disputadas. No Brasil, companhias que já operam o 737 MAX 8, como a Gol, passam a ter mais uma opção futura de aeronave de maior capacidade dentro da mesma família.
O que mudou na segurança do Boeing 737 MAX após as crises anteriores?
O MAX 10 chega ao mercado submetido a um escrutínio bem mais rígido que o aplicado a gerações anteriores do 737, após os dois acidentes fatais envolvendo o 737 MAX 8 que levaram as autoridades a revisar o processo de certificação do modelo. Para liberar a nova versão, a FAA exigiu atualizações no sistema de controle de voo, adoção de um sensor de ângulo de ataque aprimorado e correções em um problema no sistema de anti-gelo dos motores identificado recentemente.
Essas mudanças não ficam restritas ao MAX 10: elas passam a ser incorporadas também na frota já em operação nos próximos anos, elevando o padrão de segurança de toda a família 737 MAX. A agência norte-americana também reforçou a supervisão sobre a produção e o controle de qualidade da Boeing, depois de incidentes estruturais com outras variantes do jato.
Na prática, a aprovação do MAX 10 sinaliza que a fabricante conseguiu atender às novas exigências e que novas versões só avançam quando as equipes técnicas do regulador consideram as correções suficientes. O processo é mais demorado, mas ajuda a reconstruir a confiança de companhias aéreas, tripulantes e passageiros.
Pedido gigante da Avolon impulsiona setor de leasing
Em paralelo à certificação, a Boeing fechou com a irlandesa Avolon, uma das maiores empresas de arrendamento de aeronaves do mundo, um contrato para 140 unidades do 737 MAX 10. É o maior pedido já realizado por uma companhia de leasing para esse modelo e leva a carteira total da Avolon para mais de 240 aviões da família 737 MAX.
O movimento reforça o papel das arrendadoras na renovação das frotas globais, inclusive no Brasil. No modelo de leasing, as companhias aéreas passam a operar os jatos por meio de contratos de aluguel de médio e longo prazo, sem necessidade de aporte bilionário para comprar a aeronave à vista. Para a Boeing, o negócio consolida a presença do MAX 10 nesse mercado: hoje, cerca de 30% de todos os 737 em carteira são financiados por empresas de leasing.
O interesse das arrendadoras cresceu neste ano. Com o acordo da Avolon, os pedidos firmes de empresas de leasing para o MAX 10 passam de 230 unidades, um volume várias vezes maior que o registrado até o fim do ano passado, o que indica aposta no uso do modelo por um número amplo de companhias em diferentes regiões.
Entenda o contexto
A certificação do MAX 10 se soma à aprovação do MAX 7, concluída recentemente, e marca um passo importante para a conclusão da homologação de todas as versões da família 737 MAX. As variantes MAX 8 e MAX 9 já operam há alguns anos em rotas domésticas e internacionais, incluindo no Brasil, onde a Gol é usuária do 737 MAX 8.
Para a Boeing, a liberação do novo modelo é mais que um marco técnico: é peça central na estratégia de recuperação financeira e de imagem após anos de crise. Com o maior jato da linha finalmente apto a voar com passageiros, a empresa ganha fôlego para acelerar entregas, gerar caixa e disputar com mais força o mercado de aviões de corredor único — hoje o segmento mais concorrido da aviação comercial.
Ao mesmo tempo, a fabricante ainda trabalha na certificação de outros projetos, como o 777-9, seu maior avião de dois corredores, que acumula atrasos. O desempenho comercial e operacional do 737 MAX 10 nos próximos anos será um termômetro importante da capacidade da empresa de manter padrões de segurança e qualidade exigidos por reguladores, clientes e passageiros.