Os cães farejadores do Corpo de Bombeiros não identificaram sinais de novas vítimas sob os escombros do prédio de quatro andares que desabou no Brás, região central de São Paulo. A informação foi divulgada na manhã deste sábado (7), após a retomada das buscas no imóvel que desmoronou na noite de sexta-feira (6). Apesar do resultado, as equipes ainda precisam concluir a retirada dos destroços para descartar a presença de outras pessoas.
O desabamento aconteceu na Rua Maria Joaquina, número 192, em um estabelecimento que funcionava como loja e depósito de roupas e tecidos. Segundo os bombeiros, 35 pessoas estavam no imóvel. Oito conseguiram sair por conta própria e outras 27 foram retiradas pelas equipes de resgate. Quatro precisaram de atendimento médico na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Mooca, sem risco de morte.
A nova varredura representa um avanço nas buscas, especialmente porque um dos cães havia apresentado uma sinalização suspeita durante os trabalhos de sexta-feira. Na avaliação dos bombeiros, o resultado deste sábado diminui a possibilidade de haver alguém soterrado, mas ainda não permite encerrar as verificações.
Cães farejadores não encontram sinais de vítimas sob escombros
Dois cães de salvamento foram utilizados nas buscas por volta das 11h deste sábado, depois que as equipes retomaram o trabalho de remoção dos destroços.
Os animais percorreram as áreas acessíveis do imóvel e não apresentaram sinais que indicassem a presença de pessoas sob os escombros.
O tenente-coronel Barelli, comandante do 1º Grupamento de Bombeiros, explicou que a resposta dos cães reduz a suspeita de que ainda existam vítimas no local.
“Estamos reduzindo a possibilidade de ter uma vítima.”
A corporação, entretanto, mantém cautela. A grande quantidade de concreto, tecidos e outros materiais acumulados pode dificultar o trabalho dos animais.
Por isso, uma nova entrada dos cães estava prevista para o fim da tarde, quando parte dos escombros já deveria ter sido removida.
Até a atualização divulgada, não havia confirmação de mortes nem registro de pessoas desaparecidas relacionadas ao desabamento.
Buscas foram interrompidas após risco de novo desabamento
As equipes de emergência precisaram interromper parte das operações na noite de sexta-feira depois de identificarem sinais de instabilidade na estrutura que permaneceu de pé.
Durante os trabalhos, bombeiros ouviram estalos e perceberam movimentações que indicavam risco de um novo desmoronamento.
A decisão de suspender as buscas manuais foi tomada para preservar a segurança dos profissionais envolvidos.
Na manhã deste sábado, os trabalhos foram retomados por volta das 6h30, com utilização de maquinário para retirar os materiais acumulados dentro do estabelecimento.
A operação também envolve avaliações das condições estruturais do imóvel, já que parte da fachada permaneceu de pé.
O risco de novos desabamentos exige que a remoção dos destroços seja realizada de maneira controlada.
Como as 35 pessoas conseguiram sair do prédio?
O estabelecimento estava em funcionamento quando a estrutura começou a ceder, no início da noite de sexta-feira.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, 35 pessoas estavam dentro do imóvel no momento do acidente.
Oito conseguiram deixar o prédio sem precisar ser retiradas pelas equipes de emergência.
Outras 27 foram resgatadas pelos bombeiros durante a operação.
Quatro pessoas sofreram ferimentos que exigiram atendimento na UPA da Mooca. Segundo as informações divulgadas, nenhuma delas corria risco de morte.
Trabalhadores relataram que o desabamento ocorreu enquanto o estabelecimento recebia uma carga de rolos de tecido.
A estrutura teria cedido na região interna do prédio, preservando parcialmente a fachada e atingindo também parte de uma loja vizinha.
As circunstâncias exatas ainda dependem da investigação técnica.
Prédio não tinha licença de funcionamento nem vistoria dos bombeiros
Além das buscas, as autoridades investigam as condições de segurança do estabelecimento.
Segundo as informações divulgadas após o acidente, o imóvel não possuía Auto de Licença de Funcionamento da Prefeitura de São Paulo nem Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB).
O AVCB é o documento que certifica o atendimento às exigências de segurança contra incêndios e outras situações de emergência previstas para a edificação.
A ausência desses documentos levanta questionamentos sobre a regularidade do funcionamento da loja.
Entretanto, a falta das autorizações não comprova, por si só, o que provocou o desabamento.
A definição das causas depende da análise das condições estruturais, dos materiais armazenados e das circunstâncias em que ocorreu a queda.
Excesso de peso está entre as hipóteses investigadas
Uma das possibilidades consideradas pelas autoridades é que a estrutura tenha sofrido sobrecarga devido à quantidade de mercadorias armazenadas.
Relatos de trabalhadores apontam que o estabelecimento recebia grandes volumes de tecidos e que uma nova carga estava sendo descarregada pouco antes do acidente.
O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, informou que a responsável pelo estabelecimento havia recebido dois contêineres de mercadorias.
Um deles teria sido descarregado pela manhã, enquanto o segundo estava sendo movimentado no momento do desabamento.
A investigação deverá verificar se a distribuição dos materiais, o peso acumulado nos pavimentos ou problemas estruturais anteriores contribuíram para a queda.
Até o momento, não existe conclusão pericial definitiva sobre a causa do acidente.
Prédios vizinhos também passam por avaliação
A Defesa Civil acompanha a situação dos imóveis próximos ao estabelecimento atingido.
Parte dos destroços alcançou uma loja vizinha, aumentando a preocupação com a estabilidade das estruturas da região.
As equipes técnicas avaliam se o desmoronamento comprometeu paredes, fundações ou outros elementos de construções próximas.
O isolamento da área permanece necessário para proteger trabalhadores, moradores e pedestres durante a remoção dos escombros.
A liberação dos espaços dependerá das condições de segurança identificadas nas vistorias.
Próximos passos
O Corpo de Bombeiros deve continuar a retirada dos escombros e realizar novas verificações para descartar a presença de outras vítimas.
A Polícia Civil e os órgãos responsáveis pela perícia deverão investigar o que provocou o desabamento e se havia irregularidades relacionadas ao uso da edificação.
Também será necessário avaliar a possibilidade de excesso de carga nos pavimentos superiores e as condições estruturais anteriores ao acidente.
Até a atualização divulgada neste sábado, todas as 35 pessoas identificadas no imóvel haviam saído com vida. A ausência de sinais detectados pelos cães é considerada positiva pelos bombeiros, mas a conclusão das buscas ainda depende da verificação completa da área.