O presidente de Israel, Isaac Herzog, escolheu o líder da oposição e o principal rival político do atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, Gadi Eisenkot, para tentar formar um novo governo no país. A decisão foi anunciada neste sábado (7), após as eleições legislativas realizadas no fim de outubro deixarem o Parlamento sem uma maioria capaz de garantir a continuidade de uma coalizão governista.
Eisenkot preside o partido Yashar. A missão será oficialmente entregue neste domingo (8), às 17h, durante uma cerimônia na residência oficial do presidente, em Jerusalém. Depois de receber a incumbência, o líder oposicionista terá 28 dias para negociar e apresentar uma coalizão capaz de governar Israel. Herzog poderá conceder uma prorrogação de até 14 dias, caso as negociações precisem de mais tempo.
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Eisenkot recebeu mais apoio nas consultas políticas
A escolha do presidente ocorreu depois de consultas com representantes dos partidos eleitos para o Knesset, o Parlamento israelense, formado por 120 integrantes. Durante as reuniões, realizadas na quarta e na quinta-feira (4 e 5), Eisenkot recebeu 67 recomendações para assumir a missão de formar o governo. Netanyahu recebeu 46 indicações.
O resultado das consultas pesou na decisão de Herzog, que também conversou com os dois principais nomes envolvidos na disputa. Apesar de o Likud, partido de Netanyahu, ter sido a legenda mais votada, o bloco político do atual primeiro-ministro não conseguiu reunir apoio suficiente para garantir maioria parlamentar.
Em uma publicação na rede social X, Eisenkot afirmou que considera o momento adequado para a formação de um governo de emergência nacional. O político também declarou que fará o possível para corresponder à responsabilidade recebida.
Parlamento dividido dificulta formação de coalizão
Os resultados eleitorais mostram o tamanho do desafio. O Likud conquistou 27 cadeiras, mas a coalizão religiosa e nacionalista que apoia Netanyahu somou apenas 53 assentos, número inferior aos 61 necessários para alcançar maioria no Parlamento.
Já a aliança de quatro partidos liderada por Eisenkot conquistou 48 cadeiras. Outros 19 parlamentares foram eleitos por dois partidos que representam a minoria palestina em Israel e recomendaram o nome do líder oposicionista durante as consultas presidenciais.
O cenário, entretanto, não significa que Eisenkot já tenha os votos necessários para governar. Tanto ele quanto Netanyahu descartaram formar uma coalizão com partidos liderados por árabes, o que limita as possibilidades de negociação e torna a construção de uma maioria ainda mais complexa.
Netanyahu continuará como primeiro-ministro interino
Mesmo com a escolha de Eisenkot, Netanyahu permanecerá à frente de um governo interino enquanto as negociações estiverem em andamento. Ele continuará no cargo até que uma nova coalizão seja formada ou, caso nenhum candidato consiga reunir apoio suficiente, até a realização de outra eleição.
A situação representa um revés político para Netanyahu, que lidera o governo israelense há vários anos e agora enfrenta uma oposição com a oportunidade de assumir o comando do país.
Outro fator que contribuiu para o enfraquecimento de sua base foi o rompimento do partido Judaísmo Unido da Torá, que possui sete parlamentares. A legenda rompeu com o primeiro-ministro diante da falta de aprovação de uma lei que concederia isenção do serviço militar a homens ultraortodoxos.
Disputa eleitoral também envolve acusações sobre votos
Após o resultado das eleições, Netanyahu questionou o processo eleitoral e acusou partidos árabes de roubo de votos, em meio a uma investigação sobre uma possível adulteração. O Comitê Eleitoral Central, porém, afirmou que a integridade da votação não foi comprometida.
Agora, a atenção se volta às negociações conduzidas por Eisenkot. A tarefa será reunir partidos com interesses diferentes em torno de um acordo político que permita alcançar a maioria parlamentar. Se conseguir, poderá encerrar o ciclo de Netanyahu no comando do governo e iniciar uma nova etapa na política israelense.