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Mãe de Oruam deixa a prisão por decisão de Moraes após defesa revelar situação familiar; entenda o motivo

Márcia Gama Nepomuceno deixou o presídio neste domingo (8) e passou a cumprir prisão domiciliar após pedido da defesa, que alegou que ela é a principal cuidadora de um neto com autismo.
Redação NC News
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A mãe do rapper Oruam, Márcia Gama Nepomuceno, , deixou a prisão na manhã deste domingo (8), após uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A medida substituiu a prisão preventiva pela domiciliar, com uso obrigatório de tornozeleira eletrônica. A informação foi confirmada pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do Rio de Janeiro (Seap).

Márcia estava detida no Instituto Penal Djanira Dolores de Oliveira, no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na Zona Oeste do Rio. Ela havia sido presa em 19 de outubro, durante uma operação da Polícia Federal que investiga a exploração ilegal de serviços de internet em comunidades dominadas pelo Comando Vermelho.

A mudança foi solicitada pela defesa, que argumentou que Márcia é a principal responsável pelos cuidados de um neto com autismo. O STF autorizou a transferência para prisão domiciliar, mas manteve o monitoramento eletrônico. A decisão não representa absolvição nem encerra as investigações.

Mãe e irmão de Oruam são presos em operação da PF contra a “internet do tráfico”

Por que Alexandre de Moraes autorizou a prisão domiciliar?

A defesa de Márcia Gama apresentou ao Supremo Tribunal Federal um pedido para que ela pudesse deixar o presídio e cumprir a prisão preventiva em casa.

O principal argumento foi a responsabilidade familiar. Segundo os advogados, Márcia é a principal cuidadora de um de seus netos, que tem autismo e necessita de acompanhamento.

O ministro Alexandre de Moraes, responsável pela decisão, autorizou a substituição da prisão preventiva pela domiciliar.

A medida permite que Márcia permaneça em uma residência, mas não significa que esteja em liberdade plena.

A Secretaria de Administração Penitenciária informou que instalou uma tornozeleira eletrônica para acompanhar seus deslocamentos e garantir o cumprimento da determinação judicial.

Até a última atualização, não haviam sido divulgados todos os detalhes das condições específicas estabelecidas para a prisão domiciliar.

Márcia Gama estava presa desde outubro

A mãe de Oruam foi presa em 19 de outubro de 2026, durante a Operação Backbone, deflagrada pela Polícia Federal.

A investigação tem como objetivo desarticular um esquema de exploração ilegal de serviços de internet em comunidades do Rio de Janeiro.

Segundo a PF, integrantes do Comando Vermelho estariam utilizando ameaças e violência para impedir a atuação de empresas concorrentes e obrigar moradores e comerciantes a contratar provedores autorizados pela facção.

A operação também investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e utilização de empresas para movimentar recursos obtidos com atividades criminosas.

Além de Márcia, Lucas Santos Nepomuceno, conhecido como Lucca, outro filho dela e irmão do rapper Oruam, também foi preso durante a ação.

Os mandados foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, sob relatoria de Alexandre de Moraes.

Entenda a investigação sobre a chamada internet do tráfico

A Operação Backbone foi realizada para combater o controle de serviços de internet em regiões dominadas por organizações criminosas.

De acordo com a Polícia Federal, grupos armados destruíam cabos, equipamentos e estruturas de operadoras que tentavam oferecer conexão nessas comunidades.

A prática teria como objetivo impedir a concorrência e forçar moradores e comerciantes a utilizar serviços vinculados a empresas autorizadas pela facção.

Os investigadores também apontam que provedores autorizados a funcionar nesses territórios seriam obrigados a pagar taxas periódicas ao grupo criminoso.

Segundo a investigação, a exploração desse mercado se transformou em uma fonte de arrecadação para a organização.

Em um dos levantamentos apresentados pela PF, a receita ligada ao fornecimento de internet teria representado mais de 40% da arrecadação da facção no Complexo da Penha durante um determinado mês.

Esse percentual faz parte das informações apuradas pelos investigadores e não significa que a mesma proporção seja registrada continuamente em outras regiões.

Operação teve bloqueio de até R$ 558 milhões

A investigação também alcançou empresas e pessoas suspeitas de participar da movimentação financeira dos recursos.

A Justiça determinou o bloqueio de bens e valores de até R$ 558 milhões, atingindo 40 pessoas físicas e 42 empresas.

A operação teve 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão, além de medidas destinadas a interromper a atuação econômica de empresas investigadas.

Segundo a Polícia Federal, parte do dinheiro obtido com a exploração ilegal da internet teria circulado por empresas de diferentes setores, incluindo negócios ligados a eventos, publicidade e prestação de serviços.

Os investigadores também apuram possíveis operações com imóveis e criptoativos para ocultar a origem dos recursos.

O bloqueio determinado judicialmente representa um limite autorizado para a medida patrimonial e não significa que todo esse valor tenha sido efetivamente recuperado.

Qual é a ligação de Marcinho VP com a investigação?

Márcia Gama é companheira de Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, pai do rapper Oruam.

Ele está preso há décadas e é apontado pelas autoridades como uma das principais lideranças históricas do Comando Vermelho.

Segundo a Polícia Federal, Marcinho VP teria continuado a exercer influência sobre atividades empresariais exploradas em territórios dominados pela facção, mesmo estando no sistema penitenciário.

A investigação sustenta que esse controle ocorreria com a participação de familiares, operadores financeiros e outras lideranças do grupo criminoso.

As suspeitas são objeto de apuração e precisam ser analisadas no processo judicial. A existência de vínculos familiares, por si só, não comprova envolvimento em atividades criminosas.

Prisão domiciliar significa que Márcia foi inocentada?

Não. A concessão da prisão domiciliar modifica a forma de cumprimento da medida cautelar, mas não equivale a uma decisão de inocência.

A prisão preventiva é uma medida aplicada durante uma investigação ou processo criminal, desde que estejam presentes os requisitos estabelecidos em lei.

Em determinadas circunstâncias, a Justiça pode autorizar que essa prisão seja cumprida em residência, especialmente quando existem necessidades familiares ou condições pessoais relevantes.

No caso de Márcia, o pedido apresentado pela defesa destacou sua responsabilidade nos cuidados de um neto com autismo.

Com a autorização, ela deixou a unidade penitenciária, mas continua submetida a restrições judiciais e ao monitoramento por tornozeleira eletrônica.

A investigação sobre a exploração ilegal de serviços de internet permanece em andamento.

O que acontece agora?

Márcia deverá cumprir as condições estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal enquanto estiver em prisão domiciliar.

A tornozeleira eletrônica permitirá o acompanhamento do cumprimento da medida pelas autoridades responsáveis.

O descumprimento das determinações judiciais poderá levar a uma reavaliação da prisão domiciliar, conforme a legislação e as circunstâncias do caso.

A Polícia Federal poderá continuar reunindo provas sobre a suspeita de participação de investigados no esquema de exploração ilegal de internet e lavagem de dinheiro.

Até o momento, a mudança determinada pelo STF beneficia Márcia Gama. Não há confirmação de que a decisão tenha alterado a situação judicial de seu filho Lucas Santos Nepomuceno, também preso na operação.

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