RIO DE JANEIRO/RJ – A Polícia Federal intensificou as investigações sobre um possível rombo bilionário envolvendo recursos do RioPrevidência, fundo responsável pela gestão das aposentadorias e pensões dos servidores públicos do Estado do Rio de Janeiro.
As apurações fazem parte de uma nova fase da Operação Compliance Zero e investigam investimentos de aproximadamente R$ 3 bilhões realizados em produtos financeiros ligados ao Banco Master, instituição que passou a ser alvo de suspeitas de fraudes financeiras e gestão irregular.
Segundo documentos obtidos pela investigação, a Polícia Federal identificou o que classificou como um verdadeiro “almanaque de irregularidades” na condução dos investimentos realizados pelo RioPrevidência.
O foco principal da investigação está em aportes bilionários feitos pelo fundo previdenciário em letras financeiras e fundos de investimento ligados ao Banco Master entre os anos de 2023 e 2025.
De acordo com os investigadores, parte das operações teria ocorrido com forte influência política e sem respaldo técnico considerado adequado para a gestão de recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões de servidores públicos.
A PF apura se houve favorecimento ao Banco Master durante o processo de aprovação dos investimentos e investiga possíveis ligações entre dirigentes do RioPrevidência, operadores financeiros e integrantes do governo estadual da época.
O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, foi alvo de mandados de busca e apreensão autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito das investigações.
As suspeitas apontam que mudanças estratégicas na direção do RioPrevidência teriam antecedido o avanço dos aportes bilionários realizados em produtos financeiros ligados ao banco investigado.
Segundo relatórios da Polícia Federal, uma sequência de nomeações ocorridas dentro da estrutura do fundo previdenciário coincidiu com o início das operações que resultaram na liberação dos recursos.
Os investigadores também apontam que o processo de credenciamento do Banco Master junto ao RioPrevidência ocorreu de forma acelerada e com supostas falhas em análises técnicas exigidas para esse tipo de investimento.
Auditorias do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) já haviam identificado alertas relacionados aos investimentos e questionamentos sobre os riscos das operações realizadas pelo fundo.
As investigações apontam que cerca de R$ 970 milhões foram inicialmente aplicados em letras financeiras emitidas pelo Banco Master. Posteriormente, os investimentos migraram para fundos ligados à instituição financeira, elevando o volume total para aproximadamente R$ 3 bilhões.
A Polícia Federal apura se houve gestão fraudulenta, favorecimento indevido, lavagem de dinheiro e possíveis crimes contra o sistema financeiro nacional.
Nos bastidores, o caso é considerado uma das maiores investigações recentes envolvendo fundos previdenciários públicos no país.
O RioPrevidência é responsável pela administração dos recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões de milhares de servidores estaduais do Rio de Janeiro.
As investigações seguem em andamento e novas fases da operação não estão descartadas pelas autoridades.