Em um desdobramento inusitado da recente crise comercial entre o Brasil e os Estados Unidos, o governo do Irã utilizou a imagem do país para inflamar sua máquina de propaganda de guerra contra Washington. Nesta segunda-feira (1º), a Embaixada iraniana na Tunísia publicou na rede social X um vídeo gerado por inteligência artificial (IA) que simula um combate físico entre o Cristo Redentor e a Estátua da Liberdade.
A publicação ocorreu poucas horas após o governo de Donald Trump ameaçar impor uma barreira alfandegária de 25% sobre produtos brasileiros sob a alegação de práticas comerciais desleais. Aproveitando-se do desgaste diplomático entre Brasília e a Casa Branca, a representação do Irã divulgou a animação com a legenda: “Uma frente. Uma luta”.
O roteiro da animação digital
O vídeo satírico começa exibindo a Estátua da Liberdade, símbolo de Nova York, subindo o Morro do Corcovado, no Rio de Janeiro, com o objetivo de agredir o monumento brasileiro com um soco. Na sequência das imagens criadas por IA, o Cristo Redentor bloqueia o ataque e contra-ataca a “adversária”, que acaba completamente destruída e cai em pedaços do alto da montanha.
A investida audiovisual faz parte de uma estratégia de comunicação coordenada por Teerã no Ocidente. Em meio ao acirramento do confronto direto do Irã com os Estados Unidos e Israel no Oriente Médio, a mídia estatal iraniana e suas embaixadas têm recorrido massivamente a desenhos animados, vídeos gerados por computador e ferramentas de inteligência artificial como ferramentas de guerrilha digital e guerra de informação, buscando ironizar o poderio geopolítico e militar norte-americano.