Mundial deve movimentar R$ 4,3 bilhões no varejo brasileiro, mas juros altos mudam perfil de consumo

Alimentos, bebidas e itens de consumo rápido devem liderar as vendas durante os jogos do Mundial; eletroeletrônicos perdem espaço diante do crédito mais caro
Redação NC News
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A realização do Mundial de futebol deste ano promete aquecer a economia brasileira e gerar um impacto bilionário no comércio. Segundo projeções da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o torneio deve injetar R$ 4,32 bilhões no faturamento do varejo nacional, um crescimento real de 6,5% em relação à edição de 2022.

Apesar do avanço esperado nas vendas, o cenário econômico atual deve alterar o comportamento dos consumidores. Com os juros em patamares elevados e o crédito mais caro, a tendência é que os brasileiros priorizem gastos de curto prazo, especialmente com alimentos, bebidas e produtos voltados para os dias de jogos, deixando em segundo plano compras de maior valor.

O setor de supermercados aparece como o principal beneficiado pelo evento. A estimativa da CNC aponta que hiper e supermercados devem concentrar quase 70% de toda a receita adicional gerada pelo Mundial, movimentando cerca de R$ 3,97 bilhões. Também devem registrar desempenho positivo as lojas de vestuário e acessórios, com previsão de faturamento extra de R$ 803,7 milhões, além do segmento de artigos de uso pessoal e doméstico, que pode alcançar R$ 262,6 milhões.

Em contraste com edições anteriores do torneio, os bens duráveis não devem experimentar a mesma explosão de vendas. O setor de móveis e eletrodomésticos, tradicionalmente impulsionado pela procura por televisores e equipamentos para acompanhar as partidas, deve movimentar apenas R$ 80,2 milhões adicionais durante o período.

De acordo com o presidente da CNC, José Roberto Tadros, as condições atuais de financiamento limitam o interesse dos consumidores por compras parceladas. O cenário faz com que muitos brasileiros adiem projetos de renovação da casa ou a aquisição de novos equipamentos eletrônicos.

Os números do mercado de televisores ajudam a explicar essa mudança. Dados do IPCA-15 mostram que o preço médio das TVs caiu 18,9% desde o Mundial realizado em 2022. Mesmo assim, o interesse pela compra do produto diminuiu. Levantamento do Google Trends indica que as buscas por televisores nas lojas online estão 15,6% abaixo do nível registrado antes da competição anterior.

O principal fator por trás desse comportamento é o custo do crédito. Atualmente, a taxa Selic está em 14,5% ao ano, acima dos 12,75% observados em 2022. Além disso, os juros médios para empréstimos destinados às pessoas físicas já ultrapassam 61% ao ano, tornando as compras parceladas menos atrativas para grande parte da população.

Por outro lado, o mercado de trabalho segue como um importante motor para o consumo. Segundo o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, a taxa de desemprego no país caiu de 9,3% para 6,1% nos últimos anos, enquanto a massa de rendimento real dos trabalhadores cresceu 28,8%.

Esse aumento da renda disponível ajuda a sustentar os gastos do dia a dia e garante fôlego para setores ligados ao consumo imediato. Assim, mesmo sem repetir o boom de vendas de eletroeletrônicos observado em outras edições do torneio, o Mundial deve continuar desempenhando um papel relevante na movimentação da economia, beneficiando bares, restaurantes, supermercados e toda a cadeia de abastecimento em diferentes regiões do país.

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