O aumento repentino das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos ganhou um novo capítulo diplomático nesta quarta-feira (3). O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, e o representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, tiveram um breve encontro durante a reunião ministerial da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), realizada na França.
Apesar da ofensiva norte-americana dos últimos dias, o clima foi de abertura. Greer se aproximou do chanceler brasileiro nos corredores do evento para cumprimentá-lo e fez questão de afirmar que o governo dos Estados Unidos segue de portas abertas para debater as questões comerciais e as tarifas recém-propostas.
A janela de 30 dias para negociação
De acordo com interlocutores que acompanharam a conversa, o representante americano ressaltou que existe um contato fluido entre os dois governos e reforçou o desejo de manter as negociações em andamento.
Mauro Vieira sinalizou que o Brasil compartilha da mesma disposição. O ministro brasileiro pontuou que a dura sequência de recomendações tarifárias divulgadas pelo USTR nesta semana apenas reforça a necessidade urgente de intensificar as conversas bilaterais.
Vieira lembrou a Greer que as negociações ainda ocorrem dentro da janela de 30 dias acordada recentemente entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, durante um encontro em Washington. O chanceler defendeu que esse período seja aproveitado ao máximo para que ambos os países alcancem uma solução negociada, evitando uma guerra comercial.
A delegação brasileira interpretou a aproximação de Greer como um sinal positivo de que os canais de comunicação continuam abertos, apesar das ameaças econômicas.
A escalada das taxas: o peso dos 37,5%
A conversa ocorre na esteira de dois anúncios que colocaram o mercado exportador brasileiro em alerta máximo. Se as propostas americanas entrarem em vigor, os produtos do Brasil podem enfrentar uma taxação combinada de 37,5%. A conta se divide em duas frentes de retaliação:
- Tarifa de 25% (Anunciada segunda-feira, 1º/6): Sugerida após investigação que acusa o Brasil de adotar práticas que “oneram ou restringem” o comércio dos EUA, incluindo o favorecimento do Pix e a suposta falha no combate ao desmatamento.
- Tarifa de 12,5% (Anunciada terça-feira, 2/6): Adicional proposto sob a justificativa de que o Brasil falha ao não proibir e fiscalizar rigorosamente a importação de mercadorias estrangeiras produzidas com trabalho forçado.
Esse acúmulo de tarifas elevaria a punição a um patamar próximo aos 40% impostos pelo governo norte-americano no ano passado, gerando forte impacto na balança comercial caso o diálogo dos próximos dias não surta efeito.