Morre Leivinha, ídolo eterno do Palmeiras e craque da Segunda Academia, aos 76 anos

Ex-meia-atacante brilhou na década de 1970, disputou o Mundial de 1974 e é um dos maiores artilheiros da história do clube alviverde. Problemas físicos abreviaram sua carreira aos 29 anos.
Redação NC News
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O futebol brasileiro se despede de um de seus grandes craques. Morreu nesta quinta-feira (4), aos 76 anos, João Leiva Campos Filho, mundialmente conhecido como Leivinha. O ex-jogador marcou época como um dos símbolos da “Segunda Academia”, equipe do Palmeiras que encantou o país na primeira metade da década de 1970.

Nascido em Novo Horizonte (SP) no dia 11 de setembro de 1949, Leivinha construiu sua fama unindo toques rápidos, excelente presença de área e um cabeceio letal — característica impressionante para um atleta de estatura mediana.

Do interior paulista ao estrelato

O talento para o esporte corria nas veias da família: seus irmãos gêmeos, Dadá e Didi, também seguiram a carreira no futebol. Leivinha deu seus primeiros passos profissionais aos 15 anos, no Linense, na cidade de Lins (SP).

Logo no ano seguinte, em 1966, foi levado à Portuguesa de Desportos. A oportunidade de ouro no time principal do Canindé surgiu por acaso, quando os titulares Ivair e Renê se machucaram. No seu primeiro treino com a equipe de cima, Leivinha marcou quatro gols e garantiu de vez seu espaço no cenário estadual.

A consagração na Segunda Academia do Palmeiras

Após se destacar na Lusa, o meia-atacante foi contratado pelo Palmeiras em 1971. Sua estreia já deu o tom do que seria sua trajetória: marcou um gol na goleada por 4 a 0 sobre o Guarani.

No Parque Antarctica, Leivinha tornou-se peça-chave de um esquadrão histórico, conquistando títulos de peso em pouco mais de quatro anos:

  • Bicampeonato Brasileiro;
  • Bicampeonato Paulista;
  • Diversos troféus nacionais e internacionais.

Ele chegou a assumir com maestria o comando de ataque do time por quatro meses, cobrindo uma suspensão do artilheiro César Maluco. Pelo Verdão, seus números são irretocáveis: foram 267 jogos (158 vitórias, 80 empates e 29 derrotas) e 108 gols, figurando entre os 15 maiores artilheiros de toda a história do clube e no Top 5 de goleadores palmeirenses em Campeonatos Brasileiros.

O gol anulado no Mundial

Apesar das glórias, a passagem de Leivinha pelo Palmeiras também foi marcada por uma das maiores polêmicas da arbitragem nacional. Na final do Campeonato Paulista de 1971, contra o São Paulo, ele marcou um gol legítimo de cabeça, mas o árbitro Armando Marques anulou o lance alegando toque de mão, prejudicando o Verdão. “O Armando queria ser o personagem da partida”, lamentou o craque anos depois.

Suas atuações de gala o levaram à Seleção Brasileira, onde teve a honra de disputar o Mundial de 1974, na Alemanha.

A promessa ao avô e a aposentadoria precoce

Em 1975, após marcar na vitória sobre o Real Madrid que garantiu o título do Torneio Ramón de Carranza, na Espanha, Leivinha foi negociado com o Atlético de Madrid junto com o zagueiro Luis Pereira.

A transferência teve um forte apelo emocional. “Eu tinha feito uma promessa ao meu avô, que era espanhol, que um dia eu jogaria na Espanha. (…) Até fui lá na terra dele, tirei fotos e dei para ele depois. Ele ficou muito feliz”, relembrava o jogador.

Infelizmente, o talento do eterno camisa 8 precisou sair de cena cedo. Devido a sucessivos problemas físicos, Leivinha foi forçado a pendurar as chuteiras com apenas 29 anos de idade, deixando um legado que atravessa gerações e o coloca para sempre no panteão dos gigantes do futebol brasileiro.

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