Na estreia do ‘Papo NC News’, Jeff Patzlaff explica como o consumo por impulso e juros altos sabotam o bolso do brasileiro

Em entrevista ao apresentador Alex Sampaio, especialista em finanças comportamentais alerta que o hábito de parcelar e gastar pela emoção é agravado pelas taxas de crédito no país
Redação NC News
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O número de brasileiros inadimplentes já ultrapassa a marca histórica de 75 milhões de pessoas, acendendo um alerta vermelho sobre a saúde financeira das famílias. Diante desse cenário preocupante, o programa de entrevistas Papo NC News estreou trazendo um debate essencial sobre psicologia do consumo, armadilhas do crédito e as principais razões que levam a população ao superendividamento.

Conduzido pelo apresentador Alex Sampaio, o episódio de estreia recebeu em estúdio o planejador certificado CFP® e especialista em finanças comportamentais, Jeff Patzlaff (conhecido no ambiente digital como Jeff Planner). No bate-papo, o especialista detalhou como as decisões financeiras moldadas pelo calor do momento — e sem racionalidade — cobram um preço altíssimo no orçamento.

O perigo do gasto emocional e a cilada dos juros no Brasil

De acordo com Jeff Patzlaff, o primeiro grande obstáculo para a organização financeira reside na própria psicologia do consumidor nacional. O especialista defende que o perfil de consumo no país é fortemente guiado por impulsos imediatos, gerando arrependimentos posteriores.

“O brasileiro é emocionado. Muito mais que emocional, o brasileiro é emocionado. Isso faz com que gaste muito, muitas vezes sem pensar. O gasto é mais emoção do que razão. De forma geral, as pessoas torram dinheiro com coisas que depois nem lembram o que é ou no que gastaram”, explicou Jeff Patzlaff.

Essa inclinação cultural para o consumo por impulso acaba agravada por fatores estruturais da economia do país.

“Isso piora porque a gente está no Brasil, que é um país que tem uma taxa de juros muito alta. Isso faz com que as dívidas e os empréstimos saiam muito caros. Então, além de gastar mais do que deveria, esses empréstimos têm taxas muito altas”, advertiu o planejador financeiro.

“Padaria da Maria”: A armadilha invisível do parcelamento no cartão

Durante a entrevista, o apresentador Alex Sampaio trouxe à mesa uma das maiores particularidades do mercado de consumo nacional: a cultura do parcelamento a perder de vista, um mecanismo de facilitação de compras que raramente é visto na mesma proporção em outros países do mundo.

“Se você parar um minutinho quando tiver aquele impulso de comprar, às vezes você nem vai gastar. Mas aqui no Brasil a gente tem o parcelamento. Tudo o que é R$ 1.000, a gente fala: ‘Ah, mas são só 10 de R$ 100, ou 20 de R$ 50’. E quando você vê no final do mês, vem tudo acumulado”, pontuou o jornalista Alex Sampaio.

Jeff Patzlaff concordou e chamou a atenção para o esquecimento crônico que as pequenas parcelas causam no controle de faturas, gerando surpresas desagradáveis no fim do ciclo mensal:

“Quantas parcelas você tem no seu cartão de crédito que você não lembra? Aquele gasto lá… ‘Padaria da Maria’. Quem é Maria? Que padaria que é? Aí você vai olhar bem e descobre que foi da balada que você foi na semana passada e não lembra”, concluiu o especialista.

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