Empréstimo sem garantia: Jeff Patzlaff explica por que a facilidade do crédito pessoal esconde juros altos

No segundo bloco do 'Papo NC News', planejador financeiro alerta o apresentador Alex Sampaio sobre as diferenças de custos entre cheque especial, consignado e crédito de aplicativo.
Redação NC News
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A facilidade com que o crédito é oferecido nos aplicativos de banco hoje em dia pode parecer um alívio nas finanças, mas esconde uma das regras mais antigas do mercado: a lei do risco. Na segunda parte da entrevista ao programa Papo NC News, conduzido por Alex Sampaio, o planejador financeiro Jeff Patzlaff explicou a lógica por trás das diferentes modalidades de crédito e deixou um alerta claro: quanto mais simples e rápido for o acesso ao dinheiro, maior será o juro cobrado.

Após debater o perigo dos gastos emocionais e das parcelas invisíveis, o especialista detalhou as três principais linhas de crédito utilizadas pelos brasileiros, revelando quais são as mais perigosas para o orçamento e qual pode ser usada de forma estratégica.

A escala do crédito: Do mais barato ao mais perigoso

Para ajudar o consumidor a entender onde está pisando, Jeff Patzlaff estruturou as três opções mais comuns no mercado com base no nível de risco e custo:

  • 1. Cheque Especial (O mais caro): É aquele limite automático na conta que o cliente usa sem perceber. “Quando você viu, você usou e você nem viu que entrou. O cheque especial é um empréstimo caro, ele é só para emergências mesmo”, adverte Jeff. Ele lembra que, mesmo nos bancos que oferecem “10 dias sem juros”, o governo ainda cobra o imposto (IOF) de pelo menos 3% sobre a operação.

  • 2. Empréstimo Pessoal (O mais lucrativo para os bancos): Aquela notificação semanal no celular avisando que o “crédito pré-aprovado aumentou” não é bondade das instituições. “Esse empréstimo é muito lucrativo para os bancos porque não exige nenhuma garantia”, explica o planejador. Embora costume ser mais barato que o cheque especial, ele é bem mais caro que o consignado, justamente pela falta de garantias de pagamento.

  • 3. Empréstimo Consignado (O mais barato): Como a parcela é descontada diretamente da folha de pagamento do trabalhador ou aposentado, o risco de calote é mínimo. Por isso, as taxas são as menores do mercado. “O consignado pode ser interessante se feito de forma organizada”, pontua Jeff.

A ilusão do dinheiro fácil na tela do celular

Alex Sampaio chamou a atenção para a mudança drástica no comportamento de quem precisa de dinheiro. Se no passado o cliente precisava ir até a agência, conversar com o gerente e assinar calhamaços de papel, hoje o processo leva segundos. “Eu abro minha conta e toda semana tem uma novidade. Seu crédito pessoal aumentou… Eu nem clico porque tenho medo”, confessou o apresentador.

Jeff explicou que essa agilidade foi desenhada para estimular a contratação por impulso, mas reforçou o impacto real que o crédito causa no bolso no mês seguinte, especialmente no caso do consignado:

“Em outras palavras, você ganha menos. Esse é o segredo do consignado, porque você começa a se acostumar a um salário menor. Ao invés de ganhar R$ 10.000, você vai ter R$ 1.000 de parcela, então vai ganhar R$ 9.000 que vai cair na sua conta. Seu poder de compra diminuiu, tem que ficar atento a isso”, concluiu o especialista.

A análise completa de Jeff Patzlaff sobre como funcionam os prazos determinados do crédito pessoal e as táticas para não cair nas armadilhas dos aplicativos está disponível no vídeo acima.

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