O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), subiu o tom nesta quarta-feira (10) ao detalhar o afastamento do gerente de eventos da São Paulo Turismo (SPTuris), Rodrigo Raveli. Em declaração contundente, o chefe do Executivo municipal garantiu que não aceita conflitos de interesse e prometeu rigor absoluto na apuração do caso, que envolve suspeitas de favorecimento a um ex-sócio do servidor investigado.
“Não faz nenhum sentido que a nossa gestão concorde, ou muito menos que pactue com isso”, afirmou Nunes. O prefeito confirmou que a Controladoria Geral do Município (CGM) já instaurou um processo investigativo que, segundo ele, será “muito rápido e célere”.
Nunes foi claro sobre o futuro do servidor caso as denúncias se confirmem. “Identificando alguma ilegalidade, obviamente ele vai ser demitido. Do mesmo jeito que eu não quero carregar nas minhas costas nenhum peso de cometer injustiça, eu não vou carregar o peso de ser omisso e de não ser absolutamente rigoroso com qualquer tipo de desvio de conduta”, cravou.
Transparência e intervenção na SPTuris
Nunes fez questão de ressaltar que não quer deixar “nenhuma dúvida” pairando sobre os contratos da administração. Para blindar a SPTuris, o prefeito destacou a nomeação de pessoas de sua estrita confiança para o comando do órgão: a presidência está a cargo do Coronel Salles, ex-comandante da Polícia Militar, que agora trabalha em conjunto com a Dra. Talita, uma técnica “emprestada” da CGM diretamente para o setor interno da autarquia.
O prefeito explicou que Raveli é um funcionário antigo, na casa desde 2005, e que ele era o fiscal responsável por apenas oito dos 220 contratos mantidos pela empresa. Nunes também agradeceu o papel da imprensa — citando diretamente a reportagem do portal Metrópoles — por expor a situação, o que motivou a ação imediata do Executivo.
“A decisão da controladoria vai ser passada e a gente vai definir o que vai ser feito. Mas é importante destacar que, neste momento, ele está afastado”, concluiu o prefeito.
O contexto da investigação
A crise se instalou após vir à tona que Raveli fiscalizava contratos na SPTuris geridos por seu ex-sócio, Eduardo Ferreira Franco. As empresas ligadas a Franco passaram a ser contratadas pela autarquia a partir do fim de 2023. O ex-parceiro de negócios de Raveli também atua no Instituto Conhecer Brasil (ICB), alvo da “Operação Sem Wi-Fi”, deflagrada na semana passada pela Polícia Civil para investigar supostas fraudes na instalação de internet nas periferias paulistanas.