O sábado, 13 de junho, não será apenas mais um dia de futebol para o torcedor brasileiro. Quando o relógio marcar 19h (horário de Brasília) e o Brasil pisar no gramado do MetLife Stadium, nos Estados Unidos, para enfrentar o Marrocos, um homem em campo estará carregando o peso da história e de milhões de corações nas mãos. Alisson Becker, o camisa 1 da nossa Seleção, está prestes a entrar para um grupo tão seleto que parece até ficção.
Aos 33 anos, ele vai se tornar apenas o terceiro goleiro na história a defender o Brasil como titular em três edições do principal torneio de futebol mundial. Antes dele, apenas duas lendas vivas conseguiram essa façanha: Gylmar dos Santos Neves (nas campanhas de 1958, 1962 e 1966) e o eterno Taffarel (em 1990, 1994 e 1998).![]()
O que aconteceu?
Direto do hotel The Ridge, em Nova Jersey, onde a delegação verde e amarela está concentrada, Alisson abriu o coração em uma coletiva que mexeu com a emoção dos torcedores. Longe da frieza dos discursos ensaiados, o arqueiro do Liverpool usou uma palavra forte para definir o momento atual de sua carreira: honra.
“Estar junto destes grandes nomes é um privilégio. Quando criança, sonhava estar aqui, era uma realidade distante. Mas quero também entrar no grupo dos campeões junto dos outros 25 convocados”, desabafou o goleiro.
Por que isso virou assunto?
O torcedor brasileiro é exigente e a classe C e D, que sofre e vibra pelo futebol na frente da TV, sabe o quanto Alisson já foi cobrado. Após eliminações dolorosas no passado, muitos apontaram o dedo para o goleiro. Mas ele não foge da responsabilidade e mandou um recado direto para quem o critica.
O camisa 1 deixou claro que a cobrança do povo é justa porque o brasileiro só aceita o topo do mundo. Ele relembrou a glória de ter vencido a Copa América em 2019, mas sabe que o buraco é mais embaixo. “Nada se compara a vencer o torneio disputado nos Estados Unidos, Canadá e México pela seleção brasileira. As críticas vêm por isso, de não termos vencido antes. Mas ninguém vai me criticar mais do que eu mesmo”, disparou, mostrando que a cobrança interna é sua maior combustível.
Como funciona a relação com o ídolo Taffarel?
A história de Alisson com o principal torneio de seleções do planeta parece roteiro de cinema. Hoje, o homem que treina os goleiros da Seleção e puxa a orelha de Alisson no dia a dia é ninguém menos que Taffarel, seu grande espelho na vida e no esporte. Os dois têm uma ligação umbilical: foram revelados pelo Internacional e trabalharam juntos na Inglaterra até o ano passado.
Alisson relembrou com risadas e muita emoção uma história de infância que todo brasileiro que viveu os anos 90 vai se identificar. Na semifinal contra a Holanda, em 1998, a casa da família Becker quase veio abaixo.
“Uma das lembranças mais vivas é uma brincadeira do meu pai. Quando o Taffarel pegou o pênalti da classificação, ele pegou um bolo e enfiou na própria cara”, relembrou, rindo. Ele completou dizendo que, na sua infância, todas as crianças que iam para o gol no racha da rua gritavam o nome de Taffarel. “É um cara muito importante, como mentor mesmo.”
O que dizem os bastidores sobre a “Era Ancelotti”?
A caminhada do Brasil até este torneio mundial não foi fácil. Teve troca de treinador, bagunça na diretoria da CBF e atuações que deixaram o torcedor de cabelo em pé. Mas Alisson revelou o verdadeiro impacto da chegada do técnico italiano Carlo Ancelotti no elenco.
De acordo com o goleiro, o treinador multicampeão mudou completamente a energia do vestiário e blindou o grupo contra as fofocas e polêmicas que sempre rondam a Seleção.
“[Ancelotti] tem inteligência para escolher as palavras no momento certo. Um grande gestor, com ideias claras de futebol. Vejo nele alegria e gratidão por ser técnico da seleção brasileira. Desde a chegada, o ambiente foi transformado. Ele cria um ambiente focado em trabalho, sem polêmicas”, elogiou o camisa 1.
O que acontece agora?
O Brasil entra em campo neste sábado contra o Marrocos sabendo que não carrega o favoritismo absoluto de outros tempos, e o próprio Alisson reconhece isso. Mas o clima é de reconstrução e muita fé. O recado final do nosso paredão é um aprendizado para a vida de qualquer trabalhador brasileiro que enfrenta dificuldades diariamente.
“Você tem que escolher como vai lidar com as dificuldades da vida. Eu prefiro aprender com o passado e seguir em frente. E temos uma grande possibilidade pela frente”, concluiu o arqueiro.
BIO / CONTEXTO FINAL
Alisson Becker, gaúcho de Novo Hamburgo, tem 33 anos e iniciou sua trajetória profissional no Internacional. Destacou-se rapidamente pela frieza e elasticidade, o que o levou ao futebol europeu, onde defendeu a Roma e se consolidou como um dos melhores do mundo no Liverpool, conquistando a Champions League e o Mundial de Clubes. Pela Seleção Brasileira, foi o titular incontestável nos torneios mundiais de 2018 e 2022. Agora, sob o comando de Carlo Ancelotti e os conselhos de Taffarel, ele busca o único título que falta para colocar definitivamente sua foto na parede dos maiores de todos os tempos.