Ir ao supermercado e abastecer a despensa tornou-se um desafio ainda maior para o bolso dos brasileiros no último mês. A alimentação no domicílio registrou um salto de 1,65% em maio, marcando a maior alta para este segmento em um mês de maio nos últimos 18 anos. Para se ter uma base de comparação, o último pico semelhante ocorreu em 2008, quando o índice marcou 2,27%.
Os dados fazem parte do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo IBGE. O avanço acelerado no grupo de “Alimentação e Bebidas” foi o principal motor da inflação oficial do país, que fechou o mês em 0,58%. O peso da comida foi tão expressivo que contribuiu diretamente para levar a inflação acumulada em 12 meses a romper o teto da meta perseguida pelo Banco Central.
Os vilões do prato feito
O encarecimento das refeições dentro de casa foi puxado por itens básicos e diários da mesa do consumidor. A lista das maiores altas é liderada por produtos hortifrúti e proteínas:
- Batata-inglesa: disparada de 44,69%
- Tomate: alta de 20,62%
- Cebola: aumento de 16,80%
- Carnes: acréscimo de 1,39%
Segundo o IBGE, ao analisar o grupo “Alimentação e Bebidas” como um todo, o nível atingido também é o maior para o mês em 15 anos, o que também considerar comer fora de casa.
O que explica a explosão de preços?
Para o agronegócio e para os economistas, o resultado é a tempestade perfeita de uma combinação de fatores internos e externos.
Historicamente, maio já é um mês de entressafra no Brasil, o que reduz a oferta de diversos alimentos e eleva naturalmente os preços por conta da sazonalidade. No entanto, o cenário de 2026 conta com agravantes globais.
O gerente da pesquisa do IBGE, Fernando Gonçalves, destacou que a guerra no Oriente Médio tem interferido diretamente no custo de insumos, na produção e na distribuição das mercadorias pelo Brasil. O reflexo internacional já é sentido nas gôndolas brasileiras, impulsionado pelo repasse logístico. “O que se mostra claro é o efeito dos fretes nos preços de alimentos”, afirmou Gonçalves. Além disso, fatores climáticos e a recuperação dos preços da carne bovina também mantêm o índice pressionado.