A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) emitiu um pronunciamento oficial em resposta à reportagem do NC News, que revelou um gasto de cerca de R$ 4 milhões com o impulsionamento de publicações no Instagram e no Facebook. O levantamento trouxe à tona a discussão sobre o direcionamento de verbas públicas para o financiamento de tráfego pago.
Em nota, a Casa Legislativa não contestou os valores, mas defendeu o modelo de gestão e a legalidade das despesas realizadas pelos parlamentares. A Alesp esclareceu que a estrutura de trabalho dos deputados estaduais é regulamentada e que cada gabinete pode abrigar até 23 servidores.
Sobre os recursos financeiros utilizados, o órgão informou que há uma cota rigorosa de despesas mensais. O limite para reembolso é fixado em até 1.250 Ufesps (Unidade Fiscal do Estado de São Paulo).
“A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo informa que os gabinetes dos deputados estaduais podem ter até 23 servidores e possuem limite de despesas mensais – por reembolso – de até 1.250 Ufesps. Todos os dados são públicos e estão disponíveis no site da Alesp. Cada gabinete tem autonomia para administrar sua estrutura de trabalho.”, declarou a instituição, transferindo a responsabilidade pela escolha de investir em redes sociais para as equipes dos próprios deputados.
Comunicação institucional ou marketing político?
O centro da polêmica levantada pela reportagem envolve o destino estratégico desse dinheiro. A ferramenta de impulsionamento permite que o algoritmo das redes sociais entregue os conteúdos patrocinados para milhares de eleitores que não acompanham organicamente as páginas da Casa ou dos deputados.
A preocupação de especialistas e órgãos de controle recai sobre a linha tênue do ambiente digital, que divide duas práticas:
- Informação de utilidade pública: A comunicação institucional legítima, focada em divulgar votações, novas leis e serviços do Legislativo paulista.
- Promoção pessoal: O uso indireto do recurso do contribuinte para fortalecer a imagem política de parlamentares, configurando uma espécie de marketing eleitoral contínuo.
Com o crescimento das despesas digitais em órgãos públicos de todo o país, a pressão por maior rigor técnico e transparência na prestação dessas contas aumenta, visando impedir que o dinheiro público seja usado como vantagem competitiva nas urnas.