Os brasileiros podem se preparar para uma nova alta na conta de energia elétrica em 2026. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) projeta um reajuste médio de 8,6% nas tarifas do próximo ano, percentual significativamente acima da inflação estimada para o período.
Segundo o boletim InfoTarifas, divulgado pela agência reguladora, a previsão supera o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), cuja expectativa de mercado gira em torno de 4,98% para 2026. Na prática, isso significa que a energia elétrica deverá pesar ainda mais no orçamento das famílias brasileiras.
O que está puxando o aumento
De acordo com a Aneel, diversos fatores contribuem para a projeção de alta. Entre eles estão o avanço da inflação, o aumento dos custos de geração e transmissão de energia e os chamados componentes financeiros que compõem a tarifa.
Outro fator relevante é a redução gradual dos créditos tributários de PIS/Cofins que, nos últimos anos, ajudaram a aliviar as contas de luz dos consumidores. Com o esgotamento desses recursos, a tendência é que o impacto nas tarifas fique mais evidente.
Também pesa no cálculo a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), encargo utilizado para financiar políticas públicas do setor elétrico e diversos subsídios previstos na legislação.
Medidas tentam reduzir impacto
Apesar da previsão de aumento, a Aneel avalia mecanismos para amenizar os reajustes. Um dos instrumentos envolve recursos provenientes da repactuação de dívidas relacionadas ao Uso de Bem Público (UBP), que poderão ser utilizados para equilibrar parte dos custos das distribuidoras e reduzir o impacto para os consumidores.
A expectativa do setor é que esses recursos ajudem a evitar reajustes ainda maiores em algumas regiões do país.
Pressão no orçamento das famílias
O aumento previsto preocupa especialistas por ocorrer em um cenário de desaceleração econômica e de pressão sobre o custo de vida. Energia elétrica é considerada uma despesa essencial e afeta diretamente o orçamento doméstico, além de influenciar custos de produção, comércio e serviços.
Caso a projeção se confirme, a conta de luz registrará uma alta acima da inflação pelo segundo ano consecutivo, ampliando o desafio de milhões de brasileiros para equilibrar as despesas mensais.
A previsão ainda poderá sofrer alterações ao longo dos próximos meses, dependendo das condições climáticas, dos custos de geração de energia e das decisões regulatórias que forem adotadas pela Aneel e pelo governo federal.