A trajetória para se tornar uma das mulheres bilionárias self-made mais jovens do mundo começou com um estalo vindo diretamente do mundo das celebridades. No início de 2018, enquanto o mercado financeiro de Wall Street ainda engatinhava na ideia de negociar palpites sobre o futuro, a brasileira Luana Lopes Lara, então estagiária de uma firma de trading em Nova Iorque, percebeu que as redes sociais fervilhavam com boatos sobre uma possível gravidez da empresária Kylie Jenner. Ao notar que milhões de pessoas possuíam convicções fortes sobre desfechos incertos, mas não tinham onde colocar essa certeza, ela enxergou uma mina de ouro.
Ainda naquele ano, Luana fundou a Kalshi ao lado do colega de faculdade Tarek Mansour. Hoje, aos 30 anos, a executiva nascida no Brasil acumula um patrimônio estimado em US$ 2,6 bilhões gerenciando uma plataforma cujo lema é permitir que o cidadão comum aposte em praticamente qualquer resultado do dia a dia.
Crescimento explosivo e o império dos esportes
O negócio, que começou como um projeto de estudantes do prestigiado MIT, converteu-se em um gigante financeiro. Na sua rodada de captação de recursos mais recente, a Kalshi foi avaliada por investidores no valor astronômico de US$ 22 bilhões — o dobro do valor de mercado registrado em dezembro passado. A empresa saltou de 35 para 150 funcionários e planeja novas contratações até o fim do ano, impulsionada pelo uso de ferramentas de Inteligência Artificial.
Embora tenha nascido sob o pretexto de prever eventos políticos e econômicos, o grande motor de faturamento da empresa migrou para os gramados e quadras, caindo no gosto popular:
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Domínio Esportivo: As apostas esportivas e os contratos de eventos — que envolvem ligas de futebol americano, basquete, beisebol e futebol tradicional — responderam por cerca de 80% de todo o volume de negociação da plataforma nos últimos dias.
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Volume Recorde: No mês passado, a Kalshi movimentou a marca histórica de US$ 17,9 bilhões em volume nocional de negociações, permitindo que operadores travem disputas financeiras direto na tela do celular.
Batalhas judiciais e as polêmicas no governo americano
Como diretora de operações (COO), Luana Lopes Lara comanda os bastidores e a engenharia da empresa, enfrentando de frente uma enxurrada de contestações políticas e regulatórias. Durante a gestão de Joe Biden, a Kalshi travou uma batalha épica contra a Commodity Futures Trading Commission (CFTC) para liberar contratos ligados às disputas eleitorais do Congresso, vencendo o processo nos tribunais de última hora.
Sob a atual administração do presidente Donald Trump, o ambiente em Washington tornou-se mais amigável, mas a empresa ainda enfrenta processos judiciais pesados em pelo menos 19 estados americanos, que acusam a plataforma de operar como uma casa de jogos tradicional, sem a devida fiscalização dos procuradores-gerais estaduais. No estado do Arizona, o embate gerou inclusive acusações criminais contra a companhia.
“Se precisar ir até a Suprema Corte, pode ir até a Suprema Corte. Estamos muito confiantes de que estamos certos e não somos novatos em processos”, declarou a executiva brasileira durante um evento corporativo.
O tropeço de US$ 2,2 milhões e as regras em caso de morte
O crescimento acelerado também trouxe dores de cabeça éticas e operacionais. Em fevereiro, em meio a um bombardeio no Irã, um mercado que acompanhava as chances de o líder supremo Ali Khamenei ser deposto disparou. O líder acabou falecendo no ataque, e em vez de liquidar as apostas em “Sim”, a Kalshi optou por congelar as operações, alegando que a morte invalidava os termos técnicos do contrato.
A decisão gerou revolta e reclamações pesadas dos clientes nas redes sociais. Para conter a crise de imagem e reatar a confiança dos apostadores, a empresa recuou, assumiu a falha de comunicação e reembolsou US$ 2,2 milhões em taxas e perdas líquidas aos usuários afetados.
Apoio de peso: De Donald Trump Jr. ao rapper Jay-Z
Para abrir caminhos no mercado internacional e consolidar a marca na cultura pop, a Kalshi montou um conselho de conselheiros de altíssimo escalão. Entre os nomes que dão suporte aos negócios está Donald Trump Jr., filho do presidente americano.
Outra ligação de peso mantida sob sigilo nos bastidores e revelada recentemente é a do músico e megainvestidor Jay-Z, que injetou capital na startup por meio de sua firma de venture capital, a MarcyPen. A empresa também fechou contratos publicitários de longo prazo com a mítica arena do Madison Square Garden e com o ator Timothée Chalamet, atual namorado de Kylie Jenner — fechando um ciclo perfeito que começou com o palpite da gravidez da influenciadora anos atrás.