Entenda a Operação Compliance Zero e por que a PF investiga rombo de R$ 3 bi no Rio

Polícia Federal investiga transferências milionárias do fundo de pensão estadual para o Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central por fraudes. Ex-governador do Rio é alvo de buscas pela segunda vez em 12 dias.
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Por: Celso Costa Júnior

A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta terça-feira (26) a 8ª fase da Operação Compliance Zero, que joga luz sobre um possível esquema de crimes financeiros envolvendo o dinheiro de aposentados e pensionistas do Estado do Rio de Janeiro. Autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a ação cumpre 10 mandados de busca e apreensão na capital fluminense e em Brasília.

O principal alvo da corporação é o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), que renunciou ao mandato neste ano e atualmente encontra-se inelegível.

Como funcionava o esquema investigado?

O foco da PF é rastrear o caminho do dinheiro público. Os investigadores apuram como e por que o Estado transferiu cerca de R$ 3 bilhões do Rioprevidência (o fundo único de previdência social do RJ) para fundos de investimento do Banco Master, comandado pelo banqueiro Daniel Vorcaro.

A operação desta terça-feira é o desdobramento de uma investigação anterior (Operação Barco de Papel). O rastro financeiro sob suspeita é dividido em duas etapas:

 

PF investiga transferências de quase R$ 3 bilhões do Rioprevidência para fundos ligados ao Banco Master, liquidado pelo Banco Central em 2025. Aplicações ocorreram em duas fases e são alvo de apuração sobre o destino do dinheiro público.

O agravante que chamou a atenção das autoridades é o destino desse dinheiro. O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente (fechado) pelo Banco Central em novembro de 2025, mergulhado em suspeitas de fraudes financeiras. Todas essas aplicações bilionárias de alto risco foram realizadas durante a gestão de Cláudio Castro à frente do Palácio Guanabara.

Cerco fechado contra o ex-governador

A situação jurídica de Cláudio Castro tem se deteriorado rapidamente. A visita dos agentes federais à sua residência nesta manhã marca a segunda operação contra ele em um intervalo de apenas 12 dias. Em 15 de maio, o ex-governador já havia sido alvo da Operação Sem Refino, que investiga crimes de ocultação patrimonial, fraude fiscal e lavagem de dinheiro envolvendo um grande conglomerado do setor de combustíveis.

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