A Justiça de Portugal determinou nesta quarta-feira (27) a soltura de Ygor Daniel Zago, conhecido como “Hulk”, apontado pelas autoridades brasileiras como um dos principais operadores do Primeiro Comando da Capital (PCC) na Europa. A decisão foi tomada pelo Tribunal da Relação de Lisboa após o esgotamento do prazo legal da prisão preventiva.
Segundo investigadores da Polícia Federal e do Ministério Público de São Paulo, Hulk atuava como peça-chave da engrenagem financeira e operacional da facção fora do Brasil. Ele era considerado responsável por coordenar esquemas de adulteração de combustíveis, lavagem de dinheiro e movimentações milionárias ligadas ao crime organizado.
O traficante havia sido preso em novembro de 2025 em Portugal após entrar na lista vermelha da Interpol. Desde então, o governo brasileiro tentava concluir sua extradição. No entanto, um entrave jurídico acabou suspendendo o processo.
De acordo com a Justiça portuguesa, a extradição chegou a ser autorizada, mas a defesa de Hulk apresentou um pedido de asilo político no país europeu. Apesar da solicitação ter sido negada inicialmente, houve recurso para a Justiça administrativa portuguesa, que ainda não analisou o caso.
A legislação de Portugal prevê que, enquanto houver um pedido de asilo pendente, a entrega do investigado ao país de origem deve permanecer suspensa. O problema, segundo o tribunal, é que a lei não determina a interrupção da contagem do prazo máximo da prisão preventiva durante esse período. Com isso, o tempo legal da detenção expirou e a soltura foi determinada.
Mesmo em liberdade, Hulk terá de cumprir medidas cautelares impostas pelas autoridades portuguesas. Entre elas estão a entrega do passaporte brasileiro em até 40 horas, a proibição de deixar Portugal e a obrigação de comparecer diariamente a uma unidade policial próxima da residência onde estiver vivendo.
As investigações brasileiras apontam que Ygor Daniel Zago mantinha contato direto com integrantes da facção no Brasil e tinha autonomia para autorizar pagamentos, compras de produtos químicos e operações financeiras usadas no esquema criminoso. Relatórios da Polícia Federal indicam que ele supervisionava negócios ligados à adulteração de combustíveis com metanol — substância proibida para esse tipo de uso.
Segundo a apuração, o grupo manipulava combustíveis com adição de metanol e água, além de fraudar bombas em postos para entregar menos combustível do que o volume registrado ao consumidor. A organização também utilizava empresas de fachada para lavar dinheiro e movimentar recursos milionários.
Os investigadores afirmam ainda que Hulk integrava o núcleo de liderança do esquema ao lado de outros operadores do PCC. Conversas interceptadas mostrariam que ele participava de decisões estratégicas, controlava transferências bancárias e autorizava movimentações financeiras consideradas essenciais para manter as operações da quadrilha.