Cepeda questiona contagem do 1º turno após virada da direita na Colômbia

Candidato de Gustavo Petro não aceita a contagem preliminar que deu a liderança a Abelardo De La Espriella. País se prepara para um segundo turno altamente polarizado em 21 de junho.
Redação NC News
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O cenário político na Colômbia entrou em estado de ebulição após o encerramento do primeiro turno das eleições presidenciais no domingo (31). Contrariando o favoritismo inicial das últimas semanas, o candidato de direita Abelardo De La Espriella surpreendeu ao conquistar a maioria dos votos, empurrando o governista Iván Cepeda para a segunda colocação. Diante do revés, Cepeda rejeitou os resultados preliminares e exigiu que o país aguarde a apuração oficial.

A diferença na liderança acendeu o sinal de alerta no Palácio de Nariño. De la Espriella, que é advogado e empresário independente, obteve 43,74% dos votos (mais de 10 milhões de sufrágios), abrindo quase três pontos de vantagem sobre Cepeda, que registrou 40,9%. O resultado frustrou a campanha do governo, que anteriormente via a vitória em primeiro turno como uma possibilidade real.

Denúncias sem provas e clima de desconfiança

A reação da esquerda foi imediata. Primeiro, o presidente Gustavo Petro e, na sequência, o próprio Iván Cepeda questionaram publicamente a contagem preliminar. Embora não tenham apresentado nenhuma prova de irregularidade, ambos pediram que a população e as instituições aguardem o pronunciamento das comissões de juízes que realizam o escrutínio vinculativo. Cepeda declarou que só vai se manifestar formalmente sobre o resultado após essa verificação oficial.

Do outro lado, o clima é de mobilização. Em um discurso inflamado para apoiadores em Barranquilla, De la Espriella adotou um tom duro contra a reação do governo. O candidato vitorioso afirmou que não permitirá “que a vontade do povo seja roubada” e disparou: “Vamos defender a democracia pela razão ou pela força”.

Com o segundo turno agendado para o dia 21 de junho, a direita tradicional colombiana agiu rápido para consolidar forças. De la Espriella recebeu imediatamente o apoio formal de Paloma Valencia e do ex-presidente Álvaro Uribe, líderes do partido Centro Democrático — que obteve apenas 6,9% dos votos na rodada inicial, uma fatia que pode ser decisiva para dar a vitória à direita caso seja totalmente transferida.

Em seu pronunciamento, De la Espriella pediu que os Estados Unidos e outras democracias internacionais monitorem a votação decisiva. O candidato tem demonstrado forte proximidade com a gestão de Donald Trump, que optou por não interferir no processo eleitoral até o momento. Alinhado a líderes da região como Javier Milei (Argentina) e Daniel Noboa (Equador), sua plataforma defende a redução drástica do tamanho do Estado.

Troca de acusações internacionais

A reta final da campanha também gerou atritos diplomáticos na América do Sul. Cepeda subiu o tom e criticou duramente o presidente equatoriano, Daniel Noboa, acusando-o de realizar uma “intervenção vulgar, aberta e descarada” nas eleições colombianas. O protesto ocorreu após Noboa prometer a suspensão de tarifas em uma videoconferência com De la Espriella.

O candidato governista ainda atacou o oponente doméstico, afirmando que seu adversário “representa um retorno ao passado” e simboliza “a extrema-direita fascista”. Após um dia de votação que ocorreu de forma pacífica, a Colômbia agora mergulha em três semanas de uma campanha profundamente polarizada.

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