WASHINGTON/EUA – O governo dos Estados Unidos concluiu a fase preliminar de uma investigação comercial contra o Brasil e apresentou propostas de retaliação que podem resultar em novas barreiras econômicas e tarifas sobre produtos brasileiros.
A apuração foi conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com base na chamada Seção 301 da legislação comercial americana, instrumento utilizado para investigar práticas consideradas desleais ou prejudiciais aos interesses econômicos do país.
Segundo o relatório preliminar, os Estados Unidos apontam uma série de questões envolvendo o Brasil, incluindo decisões judiciais relacionadas às plataformas digitais, políticas tarifárias, proteção à propriedade intelectual, combate à corrupção e ações de fiscalização ambiental ligadas ao desmatamento.
Entre os pontos levantados pelos americanos estão decisões do Judiciário brasileiro envolvendo empresas de tecnologia e redes sociais, além de medidas que, na avaliação de Washington, poderiam impactar a atuação de companhias norte-americanas no mercado brasileiro.
O documento também menciona tarifas de importação aplicadas pelo Brasil, mecanismos de preferência comercial e questionamentos sobre políticas econômicas consideradas restritivas para empresas estrangeiras.
Outro tema que aparece no relatório é o desmatamento ilegal. O governo americano argumenta que falhas na fiscalização ambiental poderiam gerar impactos sobre a competitividade internacional e afetar setores econômicos dos Estados Unidos.
Nos bastidores, a expectativa é de que as recomendações preliminares sirvam de base para a adoção de medidas comerciais contra o Brasil. Entre as possibilidades analisadas estão novas tarifas sobre produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano.
A investigação ganhou peso político por ocorrer em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre Brasília e Washington. O tema se soma a divergências recentes envolvendo comércio, regulação de plataformas digitais e combate ao crime organizado.
Integrantes do governo brasileiro acompanham o caso com preocupação e trabalham para evitar sanções que possam afetar setores estratégicos da economia nacional. Exportadores também monitoram o avanço do processo, especialmente empresas ligadas ao agronegócio, indústria e comércio exterior.
O relatório final da investigação deve ser divulgado nas próximas semanas. Até lá, representantes do setor privado e autoridades dos dois países ainda poderão apresentar manifestações e argumentos antes da decisão definitiva do governo americano.