Prefeito Ricardo Nunes rebate suspeitas de superfaturamento no WiFi Livre SP e aponta motivação política em denúncia

Nunes afirma que serviço da ONG em comunidades é mais complexo que o da Prodam, nega desvio de verbas para filme de Bolsonaro e diz que denúncia é "cópia" de documento de militante petista.
Redação NC News
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O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, se defendeu na manhã desta terça-feira das acusações de superfaturamento e irregularidades no contrato do programa WiFi Livre SP firmado entre a gestão municipal e o Instituto Conhecer Brasil (ICB). Alvo de mandados de busca e apreensão na última segunda-feira (1º), a parceria está sob escrutínio da Polícia Civil, que aponta disparidade de custos em relação aos serviços da Prodam. Em sua defesa, o prefeito alegou que as investigações comparam serviços de naturezas distintas e classificou a origem da denúncia como uma “perseguição política” ligada à produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Diferença Técnica: “Indoor” x “Outdoor”

O ponto central da suspeita levantada pelo delegado Antonio Carlos Munuera Silveira é a diferença de preços: enquanto a Prodam cobraria cerca de R$ 230 para instalação e R$ 306 mensais por ponto, o ICB recebeu R$ 1.800 por ponto instalado.

Nunes argumentou que a comparação é descabida, pois os escopos de trabalho são completamente diferentes. Segundo ele, a Prodam executa serviços internos e simples, enquanto o ICB foi contratado para um desafio de infraestrutura complexa em áreas vulneráveis.

“A Prodan diz que não faz esse serviço outdoor. Se precisar instalar um ponto de Wi-Fi aqui na UBS, ela vai vir instalar, porque está ali a tomada. Esse serviço outdoor que é feito dentro da comunidade, você tem que ter o poste para colocar o aparelho, puxar a energia, puxar a fibra óptica. É um serviço muito diferenciado”, explicou o prefeito.

Execução Financeira e Aval do TCM

Outro ponto rebatido pelo chefe do Executivo municipal diz respeito ao valor global da licitação, estipulado em R$ 108 milhões anuais. O prefeito esclareceu que a Prefeitura não desembolsou a quantia total, pois o pagamento é feito estritamente com base no que foi entregue.

  • Meta Original: 5.000 pontos de internet.
  • Entrega e Pagamento Real: 3.200 pontos instalados (devido a limitações de recursos da administração).

Nunes também negou que o Tribunal de Contas do Município (TCM) tenha paralisado a licitação à revelia da Prefeitura. “O Tribunal de Contas fez sugestões, alterações foram feitas, e aí publicou o edital depois que o Tribunal de Contas liberou”, afirmou, desmentindo a informação de que serviços não prestados teriam sido pagos, justificando os repasses iniciais como uma antecipação de capital de giro prevista em lei.

O Fator “Dark Horse” e as Acusações de Viés Político

A dona do ICB, Karina Ferreira da Gama, é sócia da produtora Go UP, responsável por “Dark Horse”, filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro com filmagens realizadas no final de 2025. Para o prefeito, a deflagração do caso em 2026 tem clara intenção eleitoral e mira o longa-metragem.

O prefeito classificou a denúncia original como obra de um “militante do PT do Rio Grande do Sul” e criticou a narrativa de que verbas municipais teriam financiado a obra cinematográfica.

“O que a Prefeitura de São Paulo tem a ver com isso? Eu não tenho nada a ver com isso. Lembrando que a gente fez a licitação em junho de 2024 e a gravação do filme foi em outubro de 2025”, pontuou.

Nunes negou possuir qualquer intimidade com Karina Gama, afirmando sequer ter o contato dela em seu telefone. Contudo, defendeu a empresária das acusações: “É uma pessoa evangélica, mãe, batalhadora, que acorda cedo e vai todo dia trabalhar. Estão crucificando uma pessoa”.

Relação com a Polícia Civil

Apesar das críticas contundentes à forma como a denúncia foi incorporada ao inquérito — a qual chamou de “copia e cola” do documento de um adversário político —, Nunes fez questão de preservar a imagem institucional da Polícia Civil.

O prefeito informou que não tratou do tema com o governador Tarcísio de Freitas ou com o secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite (Nico), justificando que a Polícia atua como uma “polícia de Estado” e não deve sofrer interferências.

“Eu tenho uma plena convicção que o delegado que está comandando esse caso vai se apropriar dessas informações e vai corrigir todas essas desinformações”, concluiu Nunes, cobrando mais responsabilidade na divulgação de dados que, segundo ele, não refletem a realidade operacional do contrato.

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