O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou duramente, nesta quarta-feira (3), as recentes medidas comerciais propostas pelo governo dos Estados Unidos contra o Brasil. Ao abrir a segunda reunião ministerial do ano, o chefe do Executivo brasileiro afirmou que o país não aceitará um papel de subordinação e rechaçou as ameaças tarifárias da gestão de Donald Trump.
“Não podemos aceitar o tratamento que os EUA deram ao Brasil nesta semana”, disparou o titular do Palácio do Planalto, acrescentando que o país não pode ser tratado como uma “republiqueta”.
Nova carta a Donald Trump
Como resposta à escalada na tensão diplomática, Lula anunciou que pretende acionar diretamente o presidente norte-americano. Ele garantiu que usará canais oficiais e o debate público para contestar os relatórios produzidos por Washington.
“Eu ainda vou mandar outra carta ao presidente Trump. Vou escrever quantos artigos forem necessários para mostrar que eles estão errados, equivocados, e que eles estão induzindo o mundo a uma violência desnecessária”, ressaltou o petista.
Alinhamento político e nova equipe
A forte reação de Lula ocorreu durante o primeiro encontro com sua nova equipe de ministros, reformulada após a saída de auxiliares que deixaram os cargos para concorrer nas próximas eleições. Além da crise externa com os EUA, a pauta da reunião envolveu o alinhamento político da base, o balanço de entregas das pastas e as estratégias de comunicação do governo antes do início das restrições do período eleitoral.
A tensão com Washington escalou após investigações americanas, baseadas na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, sugerirem a aplicação de tarifas de 25% e 12,5% sobre os produtos brasileiros sob a alegação de práticas comerciais desleais e omissões na fiscalização de fronteiras.