Uma mulher de 37 anos foi presa em Joinville, no Norte de Santa Catarina, após confessar que se passou por uma adolescente de 12 anos e enganou uma família por mais de um ano. Durante o período, ela foi acolhida pelo casal, recebeu presentes, teve despesas pagas pelos chamados “pais adotivos” e chegou a ganhar tratamento com o medicamento Mounjaro para emagrecimento.
Segundo as investigações, a mulher utilizava o nome falso de “Gabriele” e adotava comportamentos infantis para convencer as pessoas de que era uma criança. Ela alegava ser autista e afirmava possuir outros problemas de saúde para justificar características físicas incompatíveis com a idade que dizia ter.
De acordo com a Polícia Civil, a suspeita utilizava mamadeiras, chupetas e até objetos de apego para reforçar a personagem que havia criado. A estratégia teria sido suficiente para conquistar a confiança da família, que passou a tratá-la como uma filha.
A aproximação ocorreu por meio de um pastor. Inicialmente, a mulher se apresentou como uma jovem adulta em situação de vulnerabilidade. Com o passar do tempo, porém, mudou sua versão e passou a afirmar que tinha apenas 11 anos, relatando ainda supostos episódios de abuso e abandono.
Sensibilizado, o casal decidiu acolhê-la em casa. A partir daí, ela passou a viver como integrante da família, recebendo alimentação, moradia, roupas, cuidados médicos e diversos outros benefícios.
A investigação aponta que os responsáveis chegaram a organizar uma festa de aniversário para celebrar os supostos 12 anos da adolescente. Além disso, custearam tratamento para obesidade com uso de medicamentos de alto custo.
O esquema começou a ruir após uma parente da família desconfiar da história. Segundo a polícia, a mulher realizou pesquisas na internet e encontrou registros de ocorrências semelhantes envolvendo a mesma pessoa em outros estados.
A partir da denúncia, os investigadores iniciaram a apuração e descobriram que a suspeita possui histórico de golpes parecidos em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e Rio Grande do Sul.
Durante o depoimento, a mulher confessou ter mentido sobre a identidade e a idade. Ela foi presa e responderá pelos crimes de falsa identidade e estelionato.
A Justiça determinou a conversão da prisão em flagrante para prisão preventiva. Também foi autorizada a realização de exames psiquiátricos para avaliar a condição mental da investigada.
O caso chamou atenção em todo o país pela complexidade da fraude e pelo tempo em que a suspeita conseguiu manter a falsa identidade sem levantar suspeitas dentro do ambiente familiar. A Polícia Civil segue investigando se existem outras vítimas e possíveis episódios semelhantes ainda não identificados.