A operação para conter o fogo que destruiu o galpão de uma grande empresa de logística em Guarulhos, na Grande São Paulo, já ultrapassa a impressionante marca de 15 horas ininterruptas de trabalho. O cenário na manhã deste sábado (6) ainda é de tensão e muita fumaça, enquanto as equipes lutam contra os últimos focos sob os escombros.
A noite de sexta-feira (5) e a madrugada se transformaram em um verdadeiro pesadelo para os moradores da região, exigindo uma força-tarefa colossal para evitar uma tragédia ainda maior.
O tamanho da destruição
O incêndio começou de forma agressiva por volta das 20h30 e rapidamente engoliu a estrutura. O local armazenava diversos materiais pesados, incluindo grandes quantidades de canos de PVC. Por ser um material derivado de plástico, a queima gerou chamas altíssimas, fumaça tóxica e dificultou drasticamente a ação dos profissionais.
O calor foi tão extremo que o telhado do galpão desabou por completo. As enormes vigas de ferro da estrutura cederam e ficaram retorcidas. Das 3.800 metros quadrados do terreno, 3.500 foram devastados — o equivalente a quase toda a área da empresa.
Pânico na vizinhança e explosões
O maior medo de quem acompanhava a destruição de perto era que o fogo invadisse as residências. A empresa fica exatamente em frente a uma comunidade e a cerca de 12 quilômetros do Aeroporto Internacional de São Paulo.
Durante a madrugada, moradores gravaram vídeos impressionantes da imensa coluna de fumaça que cobriu o bairro e relataram ter ouvido repetidos barulhos de explosões vindos de dentro do galpão. Apesar do susto extremo e do pânico que levou dezenas de famílias para a rua, as chamas foram barradas antes de atingir as casas vizinhas e, felizmente, nenhuma pessoa ficou ferida.
Operação de guerra entra pelo dia
Para enfrentar as chamas, as autoridades mobilizaram um verdadeiro exército de resgate. Foram enviados ao local 38 bombeiros em 14 viaturas. O ar no interior do galpão estava tão tóxico que os profissionais só conseguiam entrar na estrutura utilizando pesados cilindros de oxigênio.
Já na manhã deste sábado, com a marca de 15 horas de combate atingida, a corporação precisou acionar uma retroescavadeira. O maquinário pesado está sendo usado para revirar as ferragens retorcidas e garantir que a água chegue ao fundo dos entulhos, extinguindo o fogo por completo e evitando que as chamas voltem a ganhar força.
O que muda agora
Assim que o exaustivo trabalho de rescaldo terminar, o terreno passará por uma rigorosa avaliação de segurança. Equipes da Defesa Civil farão uma vistoria técnica nas poucas paredes que restaram em pé para decidir se o imóvel será totalmente interditado ou se haverá necessidade de demolição por risco de desabamento iminente. A causa do incêndio ainda é um mistério e será alvo de investigação policial.
A manhã, aliás, tem sido de trabalho dobrado para as equipes de emergência. Além da destruição em Guarulhos, outro incêndio chamou a atenção na capital paulista logo cedo: um ônibus elétrico pegou fogo na região do Butantã. Quatro viaturas foram deslocadas para apagar as chamas antes que o veículo fosse recolhido à garagem. Novamente, ninguém se machucou.