Crédito fácil impulsiona acesso dos jovens ao sistema financeiro, mas acende alerta para dívidas

Número de brasileiros entre 15 e 29 anos com acesso ao crédito dobrou em oito anos.
Redação NC News
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Ter cartão de crédito, fazer compras por aproximação e contratar serviços financeiros pelo celular já faz parte da rotina de milhões de jovens brasileiros. Nos últimos oito anos, o número de pessoas entre 15 e 29 anos com acesso ao crédito saltou de 13,7 milhões para 27,6 milhões, refletindo a rápida expansão dos serviços financeiros digitais no país.

O crescimento é apontado como um avanço na inclusão financeira, mas também acende um sinal de alerta. Isso porque muitos jovens estão entrando na vida adulta com acesso facilitado ao consumo, mas sem o mesmo nível de preparo para administrar o próprio dinheiro.

O estudante Vitor Prata utiliza cartão de crédito há cerca de cinco anos e afirma que mantém um controle rigoroso das finanças. Para ele, o crédito oferece praticidade e vantagens, como programas de pontos e benefícios exclusivos. Apesar disso, observa uma realidade diferente entre alguns amigos.

“Vejo pessoas da minha idade gastando mais do que recebem. Muitos acabam usando o limite do cartão como se fosse um complemento da renda e entram em um ciclo de dívidas”, relata.

Especialistas explicam que a facilidade dos pagamentos digitais, aliada à influência das redes sociais e ao incentivo constante ao consumo, pode estimular compras por impulso. O problema se agrava quando o crédito é utilizado sem planejamento ou sem conhecimento dos juros cobrados em caso de atraso.

Por outro lado, os especialistas ressaltam que o crédito não é necessariamente um vilão. Quando usado de forma consciente, ele pode ajudar na organização financeira, na construção de histórico de crédito e até na realização de projetos pessoais.

A avaliação é que ampliar a educação financeira entre os jovens se tornou uma necessidade cada vez mais urgente. O desafio é garantir que o acesso ao crédito represente uma ferramenta de crescimento e autonomia, e não o primeiro passo para o endividamento.

Reportagem: Katia Gomes

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