O fim do conflito armado entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio pode ser selado nas próximas horas. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abás Araqchi, declarou nesta sexta-feira (12) que o chamado “memorando de entendimento de Islamabad” avançou substancialmente e que um acordo histórico “nunca esteve tão próximo”.
A sinalização positiva de Teerã foi reforçada pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif. Atuando como o principal mediador das tratativas diplomáticas, Sharif confirmou que ambos os países já concordaram com o texto final do documento e que agora trabalham apenas na finalização dos próximos passos logísticos.
A confirmação iraniana surge como um alívio geopolítico imediato, dado que ocorre logo após o recrudescimento da violência militar na região. Nesta mesma semana, os países trocaram bombardeios focados no controle do Estreito de Ormuz, principal artéria global para o transporte de petróleo, após a queda de um helicóptero militar norte-americano.
O xadrez de Trump e a guerra de narrativas
Do lado americano, o presidente Donald Trump adotou uma postura pública marcada por idas e vindas ao longo desta sexta-feira. Inicialmente, o republicano utilizou sua rede social, a Truth Social, para criticar duramente o governo iraniano, chamando-os de “pessoas muito desonrosas para se negociar”. O ataque retórico foi uma reação ao vazamento de supostos termos do acordo de paz pela imprensa dos EUA, os quais Trump classificou como falsos.
Horas depois, contudo, o presidente norte-americano mudou o tom e republicou a mensagem otimista do chanceler iraniano, validando o sentimento de que o acerto está prestes a ser assinado, possivelmente neste fim de semana, na Europa.
O que diz o acordo? As diferentes versões
A incerteza atual orbita em torno do que os países precisaram ceder para alcançar a paz. O chanceler iraniano pediu que a imprensa evite especulações, mas três versões diferentes dos termos já circulam globalmente:
- Versão norte-americana (CNN): Prevê um cessar-fogo de 60 dias em todas as frentes (incluindo Líbano), reabertura imediata e gratuita do Estreito de Ormuz, fim do bloqueio naval dos EUA, flexibilização progressiva das sanções e o compromisso iraniano de não obter armas nucleares.
- Versão norte-americana (Reuters): Mais dura para Teerã. Exige o desmantelamento total do programa nuclear iraniano e a retenção do dinheiro bloqueado por sanções até que o país cumpra integralmente sua parte do trato.
- Versão iraniana (Agência Mehr): Focada na soberania. Destaca a suspensão imediata das sanções, a retirada das tropas militares dos EUA das proximidades do Irã, o fim do bloqueio aos portos do país e a paralisação das hostilidades americanas.