Ala do STF aponta ‘jogada secreta’ de Moraes e PF para tirar filho de Lula das mãos de André Mendonça

Manobra de bastidor tentou evitar que o inquérito contra Lulinha ficasse com o ministro. O plano falhou após um sorteio irônico.
Redação NC News
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Uma suspeita de articulação nos bastidores elevou a temperatura no Supremo Tribunal Federal (STF). Ministros avaliam, em caráter reservado, que Alexandre de Moraes, a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) atuaram em conjunto para tentar arrancar de André Mendonça o inquérito que investiga o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O movimento, no entanto, terminou em frustração. A tentativa de forçar uma distribuição aleatória do processo acabou esbarrando no sistema do tribunal e, por uma grande ironia do destino, o caso caiu no colo do próprio André Mendonça por sorteio.

A manobra no recesso

A investigação contra “Lulinha” nasceu a partir de provas encontradas no inquérito das fraudes do INSS, que já é comandado por Mendonça. Pela lógica do tribunal, o novo caso deveria ser enviado diretamente para ele, por envolver os mesmos personagens.

Foi aí que a articulação teria começado. A ala desconfiada do STF aponta que a PF aguardou estrategicamente o ministro Edson Fachin — que apoia Mendonça — sair do plantão para agir:

  • O bote: A Polícia Federal esperou Alexandre de Moraes assumir a presidência do STF no recesso (no dia 24) e enviou o caso, alegando que eram “fatos distintos” e pedindo um novo relator.
  • O aval: A PGR, comandada por Paulo Gonet, concordou rapidamente com a polícia e defendeu que a relatoria fosse livre.
  • A ordem: Moraes acatou os pedidos e mandou o caso para a roleta do sorteio eletrônico, tirando a garantia de que o processo ficaria com Mendonça.
  • O tropeço: O sistema rodou e devolveu o inquérito exatamente para André Mendonça.

Guerra declarada

A tentativa de “driblar” Mendonça tem um motivo claro: o ministro trava uma guerra aberta com as cúpulas da investigação em Brasília.

A postura dura do magistrado o transformou em um relator indesejado para os investigadores na capital federal. O clima de desconfiança se baseia em embates recentes:

A relação azedou de vez quando Mendonça enquadrou a Polícia Federal, exigindo ser avisado sobre qualquer mudança na equipe que investiga o esquema do INSS. A medida gerou tanta revolta que a PF acionou a Advocacia-Geral da União (AGU) para tentar reverter a ordem.
Além disso, Mendonça já havia batido de frente com a PGR em março. Na ocasião, o ministro lamentou publicamente a postura do órgão por não ver “urgência” na operação que mirava o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, escancarando a crise entre o gabinete do ministro e os órgãos de controle.

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