O recém-anunciado acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã enfrenta seu primeiro e mais grave obstáculo: a rejeição aberta de Israel. Apesar de o tratado firmado neste domingo (14) prever a “interrupção imediata dos confrontos em todas as frentes, incluindo o Líbano”, o governo israelense deixou claro que não acatará a determinação.
Nesta segunda-feira (15), o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, foi categórico ao afirmar que as Forças de Defesa de Israel (FDI) não se retirarão do território libanês. Segundo ele, as tropas permanecerão por “tempo indeterminado” em uma zona de segurança recém-estabelecida que abrange partes do Líbano, da Síria e da Faixa de Gaza.
Katz prometeu destruir toda a infraestrutura classificada como terrorista e enviou um duro recado ao regime aiatolá: “Se o Irã atacar Israel devido aos eventos no Líbano, nós o atacaremos com toda a força e demonstraremos claramente a disparidade de poder”.
A fúria do gabinete israelense
O desconforto com a mediação dos Estados Unidos (que teve auxílio do Paquistão, Rússia e China) é visível no alto escalão israelense. Itamar Ben-Gvir, ministro da Segurança Nacional e expoente da extrema direita, criticou diretamente a condução da Casa Branca. “Israel é um país independente, soberano, e o tratado de Trump não obriga os israelenses”, disparou.
Até a publicação desta reportagem, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu não havia se manifestado publicamente sobre o tratado. No entanto, as ações militares falaram mais alto que a diplomacia.
Bombardeios retomados no Líbano
Horas após o presidente Donald Trump ir a público celebrar o cessar-fogo com os iranianos, o sul do Líbano voltou a ser alvo de operações letais de Israel.
De acordo com a Agência Nacional de Notícias (NNA) do Líbano, um ataque realizado com um drone israelense atingiu um carro na cidade de Kfar Tebnit na manhã desta segunda-feira. A agência confirmou a existência de vítimas feridas. Disparos adicionais também alvejaram a mesma cidade e a região vizinha de Nabatieh al-Fawqa.
A incerteza até a assinatura final
A cerimônia oficial para a assinatura do acordo EUA-Irã está mantida para a próxima sexta-feira (19), em Genebra, na Suíça. No entanto, o texto final ainda é mantido em sigilo e os ataques continuados de Israel colocam a eficácia prática do memorando em xeque.
A comunidade internacional, incluindo o secretário-geral da ONU, António Guterres, reagiu com cautela. Enquanto Washington e Teerã comemoram vitórias políticas domésticas com o papel timbrado, o campo de batalha no Oriente Médio prova que a paz plena ainda parece estar longe de ser alcançada.