O mercado do boi gordo inicia agosto com expectativas mais favoráveis para os pecuaristas. Depois de um primeiro semestre marcado por oscilações nas cotações da arroba, analistas avaliam que a combinação entre redução gradual da oferta de animais terminados e demanda consistente no mercado internacional pode favorecer uma recuperação dos preços ao longo das próximas semanas.
As análises do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), Datagro, Scot Consultoria e Safras & Mercado convergem para um cenário de maior equilíbrio entre oferta e demanda. Ainda assim, o comportamento das exportações, do consumo interno e do câmbio continuará sendo decisivo para definir o ritmo do mercado neste segundo semestre.
Oferta menor pode fortalecer a arroba
Um dos principais fatores acompanhados pelas consultorias é a disponibilidade de animais prontos para o abate.
Segundo pesquisadores do Cepea, o primeiro semestre foi marcado por momentos de oferta mais restrita de boi gordo, valorização da reposição e forte demanda internacional pela carne bovina brasileira. Na avaliação do centro de pesquisas, esses fatores contribuíram para sustentar o mercado ao longo dos primeiros meses do ano e seguem influenciando as perspectivas para agosto.
A expectativa compartilhada pelas consultorias é de uma redução gradual da oferta de animais terminados, o que tende a diminuir a pressão sobre as cotações da arroba.
Exportações seguem sustentando o mercado
O desempenho das exportações continua sendo um dos principais pilares da pecuária brasileira.
Na avaliação da Scot Consultoria, a demanda internacional permanece firme, especialmente por parte da China, principal destino da carne bovina brasileira, além de outros mercados asiáticos.
A Safras & Mercado também destaca que o ritmo das exportações deverá continuar exercendo influência direta sobre a formação dos preços, principalmente se houver encurtamento das escalas de abate nas próximas semanas.
Segundo semestre inspira confiança, mas exige cautela
Embora o cenário seja considerado mais positivo, as consultorias evitam previsões de movimentos bruscos nas cotações.
A Datagro avalia que a evolução do mercado dependerá da combinação entre oferta de animais, demanda doméstica, desempenho das exportações e comportamento do câmbio, fatores que seguem determinando a competitividade da carne bovina brasileira.
Para os analistas, o ambiente é mais favorável do que o observado no início do ano, mas o mercado continuará sensível às mudanças no consumo e às condições econômicas.
Planejamento continua sendo a melhor estratégia
Diante desse cenário, a recomendação é que o pecuarista acompanhe atentamente a evolução das escalas de abate, das exportações e dos principais indicadores do mercado antes de definir novas estratégias de comercialização.
O início de agosto reúne fundamentos mais consistentes para a pecuária de corte. A confirmação dessa tendência, no entanto, dependerá da evolução da oferta de animais, do desempenho das vendas externas e da reação do consumo interno ao longo das próximas semanas.
O que pode influenciar o mercado do boi gordo em agosto
Fatores de sustentação
* Menor oferta de animais terminados;
* Exportações aquecidas, especialmente para a China;
* Possível redução das escalas de abate;
* Oferta mais ajustada ao longo do segundo semestre.
Pontos de atenção
* Ritmo do consumo interno;
* Oscilações do câmbio;
* Estratégia de compra dos frigoríficos;
* Custos de produção nas propriedades.
Fontes: Cepea/Esalq-USP, Datagro, Scot Consultoria, Safras & Mercado.