O ex-governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), enfrenta o que se desenha como a maior tempestade política de sua carreira. Com a aproximação das eleições para o Senado, um acúmulo de denúncias graves envolvendo ramificações do “Caso Master” e trocas de farpas com figuras históricas da política estadual têm elevado a pressão sobre o político. Mendes hoje vê seu nome no centro de investigações e de intensos debates no próprio estado.
A crise, que mistura acusações de má gestão de dinheiro público e suspeitas de esquemas financeiros complexos, tem gerando cobranças públicas tanto de adversários históricos quanto de membros do seu próprio partido.
O Escândalo da Oi e a ofensiva de Pedro Taques
Um dos embates é protagonizado pelo também ex-governador Pedro Taques (PSB). Em suas redes sociais, Taques deixou claro que o “Escândalo da Oi” está longe de ser arquivado. Em vídeo recente, ele revelou documentos que apontam o avanço de uma investigação contra Mauro Mendes no Superior Tribunal de Justiça (STJ), fruto de uma denúncia protocolada na Procuradoria-Geral da República (PGR) no início do ano.
O centro da polêmica envolve o repasse de R$ 308 milhões dos cofres do governo de Mato Grosso para um acordo de restituição tributária com a operadora Oi. Segundo os documentos apresentados por Taques, o caminho desse dinheiro levanta graves suspeitas.

Apesar de decisões da Justiça Eleitoral que determinaram a remoção de vídeos sobre o assunto, Taques afirmou que já recorreu e desafiou o ex-governador: “Provando, Mauro, você tem que vir a público e responder. Sem fugir para onde foram parar os R$ 308 milhões”.
O jantar em Nova York: Citações na PF e negativa veemente
A pressão sobre Mauro Mendes transcende as fronteiras de Mato Grosso. O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), tentou justificar um luxuoso jantar pago pelo banqueiro Daniel Vorcaro (ligado ao Banco Master) em Nova York. A proximidade entre Castro e Vorcaro é apontada em relatórios da Polícia Federal e em tentativas frustradas de delação do banqueiro, propostas que acabaram rejeitadas pela PGR.
Castro alegou a aliados que, durante o jantar na famosa churrascaria Nusr-Et, Mauro Mendes estava na mesa ao lado, e que ambos teriam até brincado sobre quem pagaria a conta.
Mendes, no entanto, reagiu de forma dura à associação de seu nome ao banqueiro e ao caso fluminense. Em fala à imprensa, ele negou categoricamente qualquer envolvimento:
“Quem escreveu isso vai responder judicialmente. Eu nunca jantei com o Vorcaro, não o conheço, nunca tive nenhum contato com ele. Essa história de jantar em Nova York é uma grande mentira, uma grande fake news”, afirmou Mendes.
Suspeitas na ALMT: R$ 448,5 milhões e o “Caso Master”
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) também entrou no circuito de cobranças. Os deputados estaduais aprovaram um requerimento, de autoria de Lúdio Cabral (PT), exigindo explicações do governo sobre um aporte de R$ 448,5 milhões de recursos públicos.
O dinheiro, originalmente destinado à estruturação financeira da concessão da rodovia BR-163/MT, foi injetado no MT-Par Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Não Padronizado. O problema que acendeu o alerta dos parlamentares é a administradora do fundo: a Reag Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A..
A instituição foi liquidada pelo Banco Central por envolvimento no “Caso Master” e é investigada por suspeita de lavar dinheiro para a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). O requerimento busca garantir a segurança do dinheiro público confiado a uma empresa que entrou na mira das autoridades federais.
“Fogo amigo” e o recado de Júlio Campos
Para agravar o cenário, Mendes enfrenta um forte desgaste dentro de sua própria base política. O deputado estadual Júlio Campos, colega de partido no União Brasil, não deixou barato uma provocação de Mendes sobre sua idade.
Ao rebater comentários sobre estar na faixa dos 80 anos, Campos destacou sua trajetória de mais de meio século de vida pública sem manchas, traçando um paralelo direto com a situação atual do ex-governador. “Nunca a Polícia Federal, nunca o Ministério Público e nunca o Tribunal de Contas contestou a minha administração. (…) Lamentavelmente, o nosso ex-governador Mauro Mendes está tendo muita contestação na sua gestão. Desejo a ele que chegue também aos 80 anos com muito prestígio político e sem mexer com a Polícia Federal”, disparou o deputado.
O que diz Mauro Mendes
Procurada, a assessoria de imprensa do ex-governador, não se pronunciou até o momento da publicação desta reportagem.