O encerramento da cúpula do G7 em Évian-les-Bains, na França, foi marcado por uma troca de farpas indireta entre Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Durante sua entrevista coletiva nesta quarta-feira (17), o presidente dos Estados Unidos classificou o momento político do Brasil como “perigoso”, indicou confusão sobre o cenário eleitoral do país e ainda tropeçou nos nomes dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Questionado sobre a relação com o governo brasileiro após conversas nos bastidores com Lula, Trump adotou um tom crítico sobre a situação interna do Brasil. “O Brasil se tornou um país um pouco complicado, certo? Politicamente. Ficou um pouco perigoso do ponto de vista político. Você está falando do Brasil, não é? Tem sido algo desagradável. Tem sido uma bagunça”, declarou o republicano.
Confusão no clã Bolsonaro
As declarações de Trump indicaram um conhecimento superficial (e confuso) sobre os recentes acontecimentos jurídicos e políticos no Brasil. O presidente americano afirmou ter ouvido falar sobre a “prisão” de um candidato, misturando os episódios que envolvem o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — que é o pré-candidato à Presidência — e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
“Ouvi dizer que prenderam hoje alguém que está concorrendo a um cargo público. Fiquei sabendo disso depois que saímos. Eu tinha acabado de me despedir dele [Lula] e ouvi dizer que prenderam o ‘Bolsonaro Jr’. Ele estava indo bem nas pesquisas e o prenderam porque fez uma declaração no Texas. Prenderam-no, ou querem prendê-lo, para ter alguma coisa contra ele”, disse Trump.
O que de fato aconteceu: Na última terça-feira (16), a Primeira Turma do STF condenou Eduardo Bolsonaro (e não Flávio) a quatro anos e dois meses de prisão em regime semiaberto por coação no curso do processo, e não por declarações no Texas. Além disso, Eduardo não foi preso e segue morando nos Estados Unidos desde 2025. Flávio, por sua vez, segue sua pré-campanha e não é alvo dessa condenação.
A resposta de Lula
A tréplica do Brasil não demorou. Em entrevista coletiva separada, realizada pouco tempo depois, Lula rebateu as declarações do líder americano com ironia e defendeu o modelo eleitoral brasileiro.
Em referência direta à constante alegação de Trump (sem provas) de que as eleições dos EUA são fraudadas, o presidente brasileiro ofereceu “conselhos”. “Não tem país no mundo — e os Estados Unidos poderiam aprender com o Brasil — com eleições mais tranquilas, mais leves e menos conturbadas. Não tem país no mundo que tenha um sistema de urna eletrônica como o nosso, em que duas horas após terminar as eleições a gente já sabe o resultado”, destacou o petista.
Sobre os comentários relacionados ao clã Bolsonaro, Lula evitou corrigir diretamente o norte-americano, mas mandou um recado sobre soberania. “Não se metam nas eleições do Brasil”, cravou o presidente, afirmando que Trump tem o direito de ter suas preferências ideológicas, mas não de interferir na dinâmica democrática do país.