Tem quem ainda veja Eduardo Bolsonaro como um ativo político indispensável para o bolsonarismo. Nos bastidores, porém, essa percepção vem perdendo força há bastante tempo. Desde que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro se estabeleceu nos Estados Unidos e passou a atuar internacionalmente contra decisões do Judiciário brasileiro, cresceu entre aliados da direita a avaliação de que ele passou a gerar mais problemas do que soluções para o projeto político da família. A condenação imposta pela Primeira Turma do STF, por unanimidade, a quatro anos e dois meses de prisão em regime semiaberto pelo crime de coação no curso do processo, reforçou esse cenário. Embora a decisão ainda esteja sujeita a recursos e possa percorrer um longo caminho jurídico, o impacto político já produz efeitos concretos e independentes do desfecho judicial. Caso a condenação seja mantida, um eventual pedido de extradição dependerá da posição do Governo dos Estados Unidos e poderá se arrastar por anos. A possibilidade de concessão de asilo político tornaria esse processo ainda mais complexo. É justamente nesse terreno de incertezas que Eduardo Bolsonaro tem concentrado sua estratégia, transformando sua situação jurídica em instrumento de disputa política internacional e ampliando o atrito diplomático entre Brasília e Washington. Nos bastidores do Governo Federal, a avaliação é que esse episódio abriu uma oportunidade para o Palácio do Planalto explorar politicamente as contradições do bolsonarismo. O pedido de asilo apresentado por Eduardo Bolsonaro ao Governo Norte-Americano ocorreu em um momento simbólico, quando o Presidente dos Estados Unidos participava de compromissos internacionais ao lado do Presidente Lula. Para adversários políticos, o episódio fortalece a narrativa de que um grupo que sempre defendeu o discurso da soberania nacional agora busca respaldo em um governo estrangeiro. É natural que Flávio Bolsonaro saia em defesa do irmão. O problema é que o contexto atual torna essa defesa politicamente custosa. A pré-candidatura presidencial do senador já enfrenta desgastes próprios e convive com questionamentos que podem ganhar dimensão maior ao longo dos próximos meses. O caso também provocou desconforto entre partidos aliados e setores do campo direitista. A principal preocupação é que novos desdobramentos jurídicos e políticos acabem contaminando candidaturas proporcionais e disputas regionais. Como costuma ocorrer na política, partidos do Centrão observam o cenário com pragmatismo e evitam se aproximar excessivamente de temas que possam gerar desgaste eleitoral. O campo da direita passa, assim, a enfrentar duas frentes simultâneas de pressão. De um lado, questões que afetam diretamente a imagem de Flávio Bolsonaro. De outro, a condenação de Eduardo Bolsonaro e sua condição de autoexilado, elementos que alimentam uma narrativa explorada pelos adversários políticos. O cenário ainda pode mudar. Recursos judiciais, mudanças no ambiente político e a própria dinâmica da sucessão presidencial poderão alterar a correlação de forças. No entanto, à medida que o calendário eleitoral avança, o espaço para reconstrução de narrativas se torna cada vez mais estreito. Nos bastidores, a leitura predominante é que Eduardo Bolsonaro deixou de ser apenas um problema jurídico. Tornou-se também um desafio político para o futuro eleitoral da própria família Bolsonaro.
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