O cenário da corrida ao Palácio do Planalto pegou fogo nesta segunda-feira (22). O ex-governador de Minas Gerais e atual pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), acendeu uma grande polêmica nacional ao detalhar seus planos e propostas para o programa Bolsa Família. Zema afirmou abertamente que, em uma eventual mudança nas regras do benefício social caso seja eleito, não exigirá comprovação de estudo por parte das mulheres.
A justificativa apresentada pelo político gerou debate imediato nas redes sociais e nos bastidores de Brasília. Segundo a avaliação do pré-candidato, as mulheres devem ser tratadas de forma diferente pelo governo porque já possuem “outras atribuições em casa”, fazendo referência ao trabalho doméstico e à criação dos filhos.
O que propõe Romeu Zema para o novo Bolsa Família?
A proposta foi apresentada durante uma entrevista de balanço e apresentação de diretrizes econômicas de sua pré-campanha. Zema explicou que a intenção de uma reforma no programa social é incentivar o retorno de beneficiários ao mercado de trabalho e às salas de aula, mas que esse filtro deve focar prioritariamente no público masculino.
“Primeiro, eu viso muito os homens. As mulheres têm outras atribuições em casa…”, declarou o pré-candidato do partido Novo, sinalizando que a cobrança por capacitação, cursos e estudos será voltada para jovens e adultos do sexo masculino.
Na prática, a declaração mexe em uma das estruturas mais sensíveis do maior programa de transferência de renda do Brasil, onde a imensa maioria dos titulares dos cartões e das contas do benefício é composta justamente por mulheres chefes de família de baixa renda.
O que diz o atual regulamento e qual o impacto da fala?
Atualmente, as regras do Bolsa Família exigem contrapartidas chamadas de “condicionalidades” para que a família continue recebendo o dinheiro todo mês. O governo federal atual exige a frequência escolar de crianças e adolescentes e o acompanhamento de saúde (como vacinação e pré-natal).
A declaração de Zema dividiu opiniões:
O lado dos apoiadores: Defensores da ideia argumentam que o foco nos homens jovens ajuda a combater o desemprego masculino e reconhece a pesada jornada dupla que muitas mães de periferia enfrentam cuidando de lares sozinhas.
O lado dos críticos: Setores ligados aos direitos das mulheres e à oposição criticaram duramente a fala, apontando que o comentário reforça o machismo estrutural ao sugerir que o lugar e a obrigação da mulher são os afazeres domésticos, além de tirar o incentivo para que elas estudem e conquistem a independência financeira.