Comandante do Bope que liderou operação com 122 mortes deixa o cargo no Rio

Exoneração foi publicada no Diário Oficial; Polícia Militar não informou se mudança tem relação com a megaoperação realizada nos complexos do Alemão e da Penha
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O coronel Marcelo de Castro Corbage, comandante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), foi exonerado do cargo no Rio de Janeiro. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado nesta quarta-feira (24) e tem efeito retroativo ao último dia 18.

A saída do oficial ocorre meses depois da chamada Operação Contenção, realizada nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte da capital fluminense. A ação ficou marcada por registrar 122 mortes, tornando-se uma das operações policiais mais letais da história recente do estado.

O que aconteceu?

A publicação oficial informa apenas a exoneração do coronel do cargo de comandante do Bope, sem detalhar os motivos da decisão.

A Polícia Militar confirmou a nomeação de um novo comandante para a unidade, o tenente-coronel Carlos Eduardo da Silveira Monteiro. A corporação classificou a mudança como um ato administrativo interno e não esclareceu se a troca tem ligação com investigações ou desdobramentos da Operação Contenção.

Quem é o coronel Marcelo Corbage?

Marcelo Corbage era considerado um dos principais oficiais operacionais da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Durante sua gestão à frente do Bope, comandou operações de grande porte contra organizações criminosas em comunidades da capital.

Seu nome ganhou projeção nacional após liderar a Operação Contenção, realizada em outubro de 2025 nos complexos do Alemão e da Penha.

Como foi a Operação Contenção?

A ação ocorreu em 28 de outubro de 2025 e mobilizou milhares de agentes das polícias Militar e Civil em uma ofensiva contra integrantes do Comando Vermelho.

Segundo o balanço divulgado pelo governo estadual, a operação resultou em 122 mortos, cinco deles policiais. As autoridades afirmaram que o objetivo era cumprir mandados de prisão e atingir lideranças da facção criminosa.

Além das mortes, a ação resultou em prisões e apreensões de armas, drogas e veículos. O principal alvo da operação, apontado como uma das lideranças máximas da organização criminosa, conseguiu escapar durante a ofensiva.

O que dizem as investigações?

A operação passou a ser alvo de análises e apurações após questionamentos sobre a atuação policial durante os confrontos.

O Ministério Público recebeu depoimentos de integrantes das forças de segurança e analisou imagens captadas por câmeras corporais utilizadas por parte dos agentes que participaram da ação. Também foram investigadas circunstâncias envolvendo algumas mortes registradas durante a operação.

Meses após a ofensiva, policiais chegaram a ser presos preventivamente em investigações relacionadas a possíveis irregularidades identificadas durante a atuação nas comunidades.

Por que a exoneração virou assunto?

A saída de Corbage ocorre porque ele era o principal comandante da operação que gerou forte repercussão nacional e internacional devido ao elevado número de mortos.

Como o ato oficial não apresentou justificativa, surgiram questionamentos sobre uma eventual relação entre a exoneração e os desdobramentos administrativos e investigativos ligados à operação. Até o momento, entretanto, não há confirmação oficial dessa conexão.

O que acontece agora?

Com a mudança, o Bope passa a ter novo comando em um momento em que o debate sobre segurança pública, letalidade policial e combate ao crime organizado continua no centro das discussões no Rio de Janeiro.

A expectativa é que as investigações já abertas sobre episódios relacionados à Operação Contenção continuem tramitando nos órgãos responsáveis, enquanto a Polícia Militar segue promovendo mudanças internas na estrutura de comando.

Operação Contenção em números:

122 mortos
5 policiais mortos
Centenas de agentes mobilizados
Prisões e apreensões de armas e drogas

 

Entenda o contexto

A Operação Contenção marcou a política de segurança pública do Rio de Janeiro em 2025 ao reunir uma das maiores mobilizações policiais já registradas no estado. O elevado número de mortes gerou debates sobre os limites das operações em áreas dominadas pelo crime organizado, além de questionamentos sobre protocolos operacionais e mecanismos de fiscalização.

A exoneração do comandante que liderou a ação ocorre em meio a esse cenário e reforça a atenção sobre os próximos passos das investigações e da estratégia de segurança adotada pelo estado.

Carregar Comentários