Manejo adequado ajuda abelhas a encontrar a própria colônia, mostra pesquisa da Embrapa

Estudo revela que características das caixas e a disposição das entradas podem reduzir erros de navegação e melhorar o manejo de abelhas-sem-ferrão
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Pequenas mudanças na forma como as colônias são organizadas podem fazer diferença na capacidade das abelhas de encontrar o caminho de volta para casa. É o que mostra uma pesquisa da Embrapa, que avaliou como práticas de manejo interferem na navegação de abelhas-sem-ferrão.

Para acompanhar individualmente o comportamento dos insetos, os pesquisadores utilizaram microetiquetas de radiofrequência, permitindo registrar os deslocamentos das abelhas entre a colônia e o ambiente externo.

Quando a abelha erra de colônia

As abelhas-sem-ferrão vivem em colônias próximas umas das outras em muitos sistemas de criação. Nesse cenário, a capacidade de reconhecer e localizar a própria colônia é fundamental.

Quando uma abelha retorna de uma atividade de coleta, ela precisa identificar corretamente a entrada de sua colônia. Alterações na posição das caixas, na orientação das entradas ou em características visuais do ambiente podem aumentar a possibilidade de erros de navegação.

A pesquisa avaliou justamente essas situações para entender como o manejo pode interferir no comportamento natural dos insetos.

Tecnologia permite acompanhar cada abelha

O uso das microetiquetas de radiofrequência é um dos diferenciais do estudo.

Em vez de observar apenas o comportamento geral da colônia, os pesquisadores conseguem acompanhar indivíduos específicos, registrando seus deslocamentos e identificando eventuais erros no retorno.

Esse tipo de monitoramento permite compreender com mais precisão como as abelhas utilizam referências visuais e espaciais para se orientar.

Informação pode melhorar o manejo

Os resultados reforçam a importância de considerar o comportamento das abelhas no planejamento dos meliponários.

A organização das caixas e a posição das entradas podem parecer detalhes simples, mas interferem na orientação dos insetos. Reduzir esses erros pode contribuir para diminuir a entrada acidental de abelhas em colônias vizinhas e preservar a organização das famílias.

A pesquisa também amplia o conhecimento sobre a capacidade de navegação das abelhas-sem-ferrão e pode contribuir para o desenvolvimento de práticas de manejo mais adequadas à biologia desses insetos.

Além da produção de mel e outros produtos da meliponicultura, as abelhas têm papel fundamental na polinização de plantas nativas e cultivadas. Por isso, compreender seu comportamento também é importante para sistemas agrícolas que dependem desses polinizadores.

Ciência aplicada ao manejo

O estudo mostra como ferramentas de tecnologia podem ser utilizadas para responder questões muito específicas do campo.

Ao combinar conhecimento sobre o comportamento das abelhas com sistemas de monitoramento individual, os pesquisadores conseguem identificar situações que dificilmente seriam percebidas apenas pela observação convencional.

A pesquisa abre, assim, novas possibilidades para aperfeiçoar o manejo de abelhas-sem-ferrão e tornar os sistemas de criação mais compatíveis com as características naturais desses insetos.

Fonte: Embrapa.

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