Liderança feminina e obras federais marcam virada em MT e MS

MT e MS destacam avanços com eventos e investimentos que impulsionam inovação e desenvolvimento regional.
Redação NC News
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Médicas cooperadas, pesquisadores, pequenos agricultores e o presidente da República compartilham a cena entre 23 e 25 de junho de 2026, em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Em comum, três agendas que miram liderança, inovação e infraestrutura, com impacto direto na saúde, na economia e no campo.

Mulheres à frente no cooperativismo médico

Na noite de 23 de junho, médicas das Unimeds de Mato Grosso se reúnem online para discutir poder e responsabilidade. A palestra “O Futuro é Coop e Precisa de Lideranças Femininas”, promovida pelo Sistema OCB/MT (Sescoop-MT) em parceria com a Federação Mato Grosso, trata menos de cargos e mais de atitude.

A convidada é a relações-públicas e doutora em Estudos da Linguagem Thaís Jerônimo, consultora da Unimed Brasil com mais de 20 anos de experiência em cooperativismo médico. Ela provoca as participantes a enxergarem a liderança como prática diária. “Liderança é uma ação, não uma posição. Você não precisa esperar ter um cargo para exercer um papel de líder”, afirma.

O encontro ocorre em um ambiente em que as mulheres ganham espaço na medicina e na gestão. A Federação Mato Grosso é citada como referência nacional pela alta presença feminina em cargos de direção no Sistema Unimed, em especial em Cuiabá, onde a cooperativa completa 50 anos cuidando de gerações.

A diretora financeira da Federação e presidente da Unimed Araguaia, Darcyane Faria, reforça o recado. “Reconhecemos que as mulheres, quando dotadas de perfil de liderança e vontade de aprender, têm muito a acrescentar na gestão das nossas cooperativas. Temos certeza de que este será um momento de grande aprendizado”, diz.

As falas das conselheiras da Unimed Cuiabá traduzem o que está em jogo. Andrea Minossi, do Comitê Educativo, defende a formação contínua e o debate aberto como caminho para ampliar a participação feminina nas decisões. Lia Pelloso descreve o salto ao sair da plateia. “Sempre participei das assembleias, mas foi quando me envolvi diretamente na administração que compreendi a complexidade da gestão de uma cooperativa. Precisamos participar, entender os números e contribuir para as decisões. Esse processo foi um grande aprendizado e mostrou o quanto é importante preparar novas lideranças”, afirma.

Fabiany Bertaglia da Silva, também conselheira, resume a ambição de longo prazo. “A mulher, dentro do cooperativismo, inspira pessoas e fortalece os princípios da cooperação, promovendo um futuro mais justo, inclusivo e sustentável”, diz. A mensagem ecoa num sistema em que a presença feminina à frente das cooperativas ainda enfrenta resistências, apesar do avanço dos números.

Inovação ganha casa própria em Várzea Grande

Dois dias depois, em 25 de junho, o foco se desloca para Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá. Após cerca de dez anos de planejamento e execução, o Centro de Inovação do Parque Tecnológico de Mato Grosso é inaugurado como símbolo de uma aposta de longo prazo na economia do conhecimento.

O prédio de 3.920,31 m², distribuídos em três pavimentos, reúne laboratórios especializados, ambientes inteligentes e equipamentos de alta performance. A estrutura física custa R$ 8,7 milhões, dentro de um investimento total em torno de R$ 25 milhões para colocar o projeto de pé, incluindo equipes e operacionalização.

O desenho do espaço busca algo mais ambicioso que um conjunto de salas modernas. A proposta é integrar governo estadual, universidades, centros de pesquisa, startups e empresas em um mesmo ecossistema, encurtando a distância entre laboratório e mercado. Na prática, o Centro passa a ser a sede física do Parque Tecnológico, que já funciona há alguns anos por meio de uma equipe gestora dispersa.

Em um estado marcado pelo agronegócio, a aposta em ciência e tecnologia pretende diversificar a base produtiva, criar empregos qualificados e atrair novos investimentos. O prédio inaugurado em Várzea Grande coloca Mato Grosso em um mapa de inovação que ainda se concentra nas capitais do Sudeste e do Sul, e tenta reter talentos que antes migravam para outros centros.

Lula leva bilhões ao canteiro de obras e ao campo

Enquanto Mato Grosso corta a fita do novo centro de inovação, Mato Grosso do Sul recebe uma visita com peso político e econômico. Na manhã de 25 de junho, por volta das 8h, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarca no Aeroporto Municipal Plínio Alarcon, em Três Lagoas, e para para cumprimentar o público que o espera no saguão.

Lula chega acompanhado de autoridades locais, entre elas a ex-ministra do Planejamento Simone Tebet. A principal parada é o canteiro da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 3 (UFN-III), obra da Petrobras que fica anos paralisada e agora volta ao centro da estratégia do governo para reduzir a dependência externa de insumos agrícolas.

Em Três Lagoas, o presidente assina contratos entre a estatal e empresas responsáveis pela retomada da construção, com recursos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento que somam mais de R$ 5 bilhões. A aposta é clara: garantir oferta interna de fertilizantes para o agronegócio, setor que sustenta grande parte do PIB regional e nacional.

À tarde, a comitiva segue para Ponta Porã, na fronteira com o Paraguai. No Assentamento Itamarati, Lula participa da entrega de títulos de terra a assentados e pequenos trabalhadores rurais, medida que promete dar segurança jurídica e acesso a crédito para famílias que vivem há anos em situação precária. Em seguida, inaugura obras no aeroporto da cidade, parte de um esforço para melhorar a infraestrutura logística da região e facilitar o escoamento da produção.

Os atos em Mato Grosso do Sul dialogam com demandas históricas do campo: regularização fundiária, insumos mais acessíveis e estradas e aeroportos em condições de sustentar o volume de safra. Em um estado que se projeta como potência agropecuária, a reativação da UFN-III e as intervenções em infraestrutura são lidas como sinal de prioridade do Planalto.

Quem ganha com a nova agenda regional

As três frentes abertas em poucos dias ajudam a redesenhar o mapa de poder e oportunidades em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. No cooperativismo médico, a formação de lideranças femininas tende a transformar conselhos e diretorias, tradicionalmente masculinos, em espaços mais diversos. A consequência prática é uma governança com mais vozes, capaz de refletir um corpo clínico em que as mulheres se aproximam da maioria.

No campo da inovação, o Centro de Várzea Grande cria uma infraestrutura que faltava para projetos tecnológicos ganharem escala. Startups com foco em agronegócio, saúde e serviços podem encontrar suporte em laboratórios e parcerias com universidades, enquanto o poder público ganha um instrumento para articular políticas de longo prazo.

No agronegócio e na área fundiária de Mato Grosso do Sul, a retomada da UFN-III, respaldada por mais de R$ 5 bilhões do Novo PAC, promete reduzir a vulnerabilidade do país a oscilações internacionais no preço dos fertilizantes. A entrega de títulos de terra e as obras em Ponta Porã reforçam a tentativa de combinar desenvolvimento econômico com inclusão social, ao mesmo tempo em que melhoram a logística em uma região estratégica de fronteira.

Os próximos meses vão mostrar a capacidade de cada uma dessas iniciativas de sair do papel institucional. O desafio é transformar palestra em presença efetiva de mulheres em cargos-chave, prédio moderno em inovação concreta e contratos bilionários em obra concluída, com fertilizantes nacionais chegando ao produtor. Se avançarem na mesma direção, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul tendem a consolidar um ciclo virtuoso em que liderança, tecnologia e infraestrutura deixam de ser promessa para virar rotina.

Qual estado é MT?

MT é a sigla de Mato Grosso, estado da região Centro-Oeste, cuja capital é Cuiabá.

O que significa MT e MS?

MT significa Mato Grosso, com capital em Cuiabá. MS significa Mato Grosso do Sul, cuja capital é Campo Grande.

Qual é a diferença do Mato Grosso para o Mato Grosso do Sul?

São dois estados distintos. Mato Grosso (MT) tem capital em Cuiabá; Mato Grosso do Sul (MS) tem capital em Campo Grande e foi criado ao ser desmembrado de MT.


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