A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro surpreendeu lideranças do Partido Liberal (PL) ao ameaçar abandonar sua pré-candidatura ao Senado Federal nas eleições deste ano. Segundo parlamentares próximos, ela comunicou que está “esgotada” e preocupada com os desdobramentos de sua recente briga pública com o senador Flávio Bolsonaro (PL), atual pré-candidato do partido à Presidência da República. A crise acende um alerta na sigla, que tenta contornar a situação para não perder um de seus principais cabos eleitorais.
O estopim da crise: a aliança no Ceará
O conflito familiar e político ganhou as redes sociais na última semana. O embate foi motivado por divergências sobre a estratégia regional do partido no Nordeste. A cúpula da legenda e Flávio Bolsonaro defendem o apoio à candidatura de Ciro Gomes (PSDB) para o governo do Ceará. Michelle, por sua vez, é veementemente contra essa aliança.
Na quarta-feira passada, a ex-primeira-dama publicou dois vídeos em suas redes sociais criticando abertamente o senador. Nas gravações, ela afirmou ter sido “maltratada e desrespeitada” por Flávio, classificando a postura do parlamentar como ríspida e autoritária nas decisões partidárias.
Motivos que levaram à ameaça de desistência:
- Ataques de aliados: A postagem rendeu críticas duras a Michelle vindas de pessoas historicamente próximas a Flávio, como o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), seu cunhado, e o influenciador Paulo Figueiredo.
- Preocupação familiar: Ela confidenciou a aliados próximos o temor sobre como a repercussão negativa nas redes sociais pode impactar psicologicamente suas filhas em um ano eleitoral turbulento.
- Foco pessoal: Desmotivada com a disputa, Michelle afirmou que preferiria dedicar seu tempo aos cuidados do ex-presidente Jair Bolsonaro, que atualmente cumpre prisão domiciliar devido à condenação no caso da trama golpista.
Operação abafa e os impactos no Distrito Federal
A ameaça de retirada da candidatura implodiria os planos do partido para a capital do país. O PL já havia desenhado a chapa majoritária para o Distrito Federal, que contaria com Michelle e a deputada Bia Kicis (PL-DF) disputando as duas vagas ao Senado, em forte aliança com Celina Leão (PP) na corrida pelo governo distrital.
Para evitar o desastre eleitoral, a cúpula da sigla iniciou uma verdadeira força-tarefa de contenção. O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, agendou uma reunião de emergência com a ex-primeira-dama nesta terça-feira (30) para tentar aparar as arestas.
Simultaneamente, Flávio Bolsonaro tenta promover gestos de paz, convidando Michelle para um evento de sua pré-campanha focado especificamente no eleitorado feminino, marcado para esta quarta-feira. Até o momento, no entanto, ela não confirmou presença, mantendo o partido em suspense sobre o seu futuro político nas urnas.