A Eurofarma começa a vender nesta terça-feira (30 de junho de 2026) as canetas emagrecedoras Poviztra e o medicamento Extensior com preços até 48% menores em farmácias de todo o país. Os descontos valem para quem se cadastra no programa EuroCuida, plataforma de fidelidade lançada em abril e que já reúne mais de 80 mil usuários.
Preços caem pela metade em relação aos rivais
Os novos valores colocam a farmacêutica brasileira em confronto direto com os líderes globais desse mercado, Ozempic e Wegovy, da dinamarquesa Novo Nordisk. As doses iniciais de Poviztra passam a custar a partir de R$ 295, enquanto a continuidade do tratamento sai por R$ 309 dentro do programa.
Em nota, a empresa afirma que “o novo preço de 295 reais para doses iniciais e 309 reais para doses de continuidade do tratamento representa uma redução de quase 50% em relação aos concorrentes”. Hoje, Ozempic costuma ser vendido a partir de R$ 975 e Wegovy, a partir de R$ 1.399.
O movimento mira um ponto sensível para pacientes e médicos: o custo das terapias com semaglutida, aplicada em canetas injetáveis semanais. São tratamentos de longo prazo para doenças crônicas como obesidade, sobrepeso com comorbidades, diabetes tipo 2 e esteatose hepática, quadro popularmente conhecido como gordura no fígado.
Como funciona o EuroCuida
O acesso aos novos preços depende de cadastro no EuroCuida, programa de suporte ao paciente da companhia. A inscrição é feita pela internet, em site dedicado, onde também é possível consultar a lista de farmácias participantes em todas as regiões do país.
Segundo a Eurofarma, “o programa EuroCuida fornece descontos nos medicamentos em uma ampla variedade de farmácias, em todas as regiões do país, mediante cadastro”. A empresa informa ainda que “a plataforma tem o objetivo de tornar o medicamento mais acessível e dar suporte à continuidade do tratamento, tendo em vista que a obesidade é uma doença crônica”.
O modelo favorece quem se compromete com o tratamento desde o início. Dentro do programa, as doses de entrada de Poviztra custam R$ 295, e as de manutenção, a partir de R$ 309. Fora dele, na compra avulsa, os valores sobem para R$ 445 nas apresentações de 0,25 mg e 0,5 mg, e R$ 490 na dose de 1 mg.
A adesão rápida dá uma medida do apetite por remédios da classe: “Até o mês passado, mais de 80 mil pessoas já tinham se cadastrado no programa EuroCuida”, informa a empresa.
Dois remédios, quatro frentes de tratamento
Poviztra, apelidada de “Wegovy brasileiro” em consultórios e redes sociais, replica a formulação do medicamento de referência da Novo Nordisk. A Eurofarma descreve o produto assim: “Poviztra é indicado para obesidade, sobrepeso associado a comorbidades e esteatose hepática (MASH), além de redução do risco de morte, infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral em adultos com doença cardiovascular estabelecida”.
Extensior, por sua vez, é a versão idêntica ao Ozempic. Segundo a companhia, “Extensior é indicado para diabetes tipo 2, para redução do risco de declínio da função renal, doença renal em estágio terminal e morte cardiovascular em adultos com diabetes tipo 2 e doença renal crônica, em adição à terapia padrão”.
No caso do Extensior, também há corte de preços. Nas compras para início de tratamento dentro do EuroCuida, as caixas de 0,25 mg e 0,5 mg continuam em R$ 399, mas a dosagem de 1 mg, usada com mais frequência na manutenção, cai de R$ 599 para R$ 309.
A parceria com a Novo Nordisk, formalizada para a produção local de semaglutida biológica, permite que a brasileira ofereça versões idênticas dos medicamentos originais. Isso fortalece o portfólio no segmento de doenças crônicas e amplia a margem de manobra para agir em preço num mercado em forte expansão.
Impacto no mercado e na saúde pública
A entrada de Poviztra e Extensior com descontos agressivos pressiona rivais que trabalham com valores acima de R$ 900. Em um cenário em que parte relevante dos pacientes paga do próprio bolso, a diferença de mais de R$ 600 por mês tende a pesar na escolha do tratamento.
Também interessa ao sistema de saúde, público e privado. Obesidade, diabetes tipo 2 e esteatose hepática estão entre os principais fatores por trás de infartos, derrames e falência renal. Ao baratear o acesso a medicamentos que reduzem o risco de morte cardiovascular, infarto, acidente vascular cerebral e doença renal terminal, a Eurofarma mira um espaço em que custo e desfecho clínico caminham juntos.
Na prática, a maior barreira para terapias com semaglutida tem sido a continuidade. Pacientes iniciam o uso, mas abandonam o tratamento meses depois por não conseguir bancar a despesa mensal. Ao ancorar o preço da caneta em R$ 295 no início e R$ 309 na manutenção, a empresa tenta fechar essa equação ao longo do tempo.
Especialistas ouvidos por entidades médicas em debates recentes sobre o tema defendem que, mesmo com descontos, os remédios ainda não chegam à população de menor renda. A criação de programas de suporte ao paciente, como o EuroCuida, funciona como etapa intermediária, enquanto se discute incorporação mais ampla desses fármacos em políticas públicas.
O que vem pela frente
A farmacêutica aposta em escala para sustentar o modelo. Quanto maior o número de pacientes cadastrados, maior o giro das canetas e dos frascos de semaglutida, o que ajuda a diluir custos de produção e logística. A companhia indica que deve ampliar a rede de farmácias parceiras e incluir novas apresentações nas próximas fases do programa.
No outro lado, concorrentes tendem a reagir. Ajustes de preço, criação de programas de fidelidade próprios e negociações com grandes redes varejistas aparecem no horizonte imediato. A disputa deve ganhar força à medida que o uso de semaglutida se consolida não só em obesidade e diabetes, mas também em complicações cardiovasculares e renais associadas.
Os próximos meses vão mostrar se os descontos se mantêm e se os pacientes conseguem permanecer em tratamento sem interrupções. A sustentabilidade do programa, a resposta regulatória e o impacto real em internações e mortes por doenças crônicas vão definir se a estratégia da Eurofarma inaugura um novo patamar de acesso ou se será apenas mais um movimento isolado em um mercado de alto custo.
Similar do Ozempic da Eurofarma?
O similar do Ozempic da Eurofarma se chama Extensior. Segundo a empresa, é um medicamento idêntico ao original, indicado principalmente para diabetes tipo 2.
Quanto vai custar a semaglutida da Eurofarma?
Dentro do programa EuroCuida, as doses iniciais de Poviztra custam a partir de R$ 295, e a continuidade sai por R$ 309. Extensior 1 mg cai de R$ 599 para R$ 309.
Qual é o nome do Ozempic na Eurofarma?
O nome do equivalente ao Ozempic na Eurofarma é Extensior. Ele é indicado para diabetes tipo 2 e proteção renal e cardiovascular em adultos com doença renal crônica.