Mendonça inclui Flávio Bolsonaro como investigado no Caso Dark Horse

Senador passa a ser formalmente investigado no STF por operação financeira ligada ao filme sobre Jair Bolsonaro; apuração envolve valores milionários e relação com Daniel Vorcaro
Redação NC News
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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a ser investigado formalmente em um inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que apura a estrutura financeira por trás do filme Dark Horse, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A investigação está sob relatoria do ministro André Mendonça e busca esclarecer a origem, o destino e a estruturação dos recursos utilizados para financiar o longa. Entre os elementos analisados está a relação financeira entre Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

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Investigação mira financiamento do filme

O caso entrou no radar da Polícia Federal a partir de informações sobre a movimentação de recursos relacionados à produção de Dark Horse.

Segundo informações já divulgadas no âmbito da investigação, Vorcaro teria negociado com Flávio Bolsonaro um acordo que chegava a US$ 24 milhões, valor que, convertido e atualizado conforme os documentos da apuração, corresponde a aproximadamente R$ 134 milhões.

A operação previa pagamentos entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026. No entanto, os repasses identificados até o momento teriam ocorrido entre fevereiro e maio de 2025, somando cerca de R$ 61 milhões.

A investigação busca esclarecer se todo o dinheiro destinado por Vorcaro foi efetivamente utilizado na produção do filme ou se parte dos recursos teve outra finalidade.

Dinheiro passou pela Entre Investimentos

Um dos principais pontos analisados pelos investigadores é a utilização da Entre Investimentos e Participações, empresa formalmente registrada em nome de Antônio Carlos Freixo Júnior.

Segundo a investigação, a empresa foi utilizada por Vorcaro em operações e negócios nos quais o empresário não aparecia formalmente.

Os documentos analisados pela PF apontam que os recursos destinados ao projeto cinematográfico passaram pela Entre antes de serem direcionados a estruturas financeiras nos Estados Unidos. Parte do dinheiro teria seguido para um fundo ligado a Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio.

A PF busca identificar o caminho completo dos valores e verificar se os R$ 134 milhões negociados foram integralmente destinados ao filme.

PF também investiga possível elo com estrutura de lavagem

A investigação ganhou uma nova frente depois que informações de um inquérito da Polícia Civil de São Paulo chegaram à Polícia Federal.

O material apontou um pagamento de aproximadamente R$ 28 milhões da Entre Investimentos para a empresa ACX ITC Tecnologia, que aparece em uma investigação sobre uma suposta estrutura de lavagem de dinheiro relacionada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Os pagamentos ocorreram entre fevereiro e abril de 2025, período que coincide com a fase de financiamento do filme.

A PF passou a analisar se houve apenas utilização de uma mesma estrutura financeira por diferentes clientes ou se existiria uma conexão direta entre os envolvidos.

Até o momento, a existência desses repasses não comprova que o dinheiro destinado ao filme tenha origem criminosa nem que os envolvidos na produção tenham qualquer vínculo com o PCC.

Quebras de sigilo podem esclarecer caminho do dinheiro

Os investigadores analisam documentos e quebras de sigilo bancário e fiscal para tentar reconstruir o caminho dos recursos.

Uma das questões centrais é identificar se os valores recebidos pela Entre foram utilizados exclusivamente no financiamento de Dark Horse ou se parte do dinheiro foi destinada a outras operações relacionadas ao grupo de Vorcaro ou a pessoas próximas ao senador.

Caso os documentos já obtidos não sejam suficientes, novas informações bancárias poderão ser solicitadas mediante autorização judicial.

Flávio Bolsonaro é investigado, mas não há conclusão de culpa

A inclusão do senador como investigado significa que as autoridades passaram a apurar formalmente sua participação nos fatos, mas não representa uma conclusão de que ele tenha cometido crime.

A investigação ainda precisa determinar a natureza das operações, a origem dos recursos, o destino dos pagamentos e a eventual existência de irregularidades.

O senador também já negou irregularidades relacionadas ao financiamento do filme e sustenta que a produção foi estruturada com recursos privados.

Caso envolve diferentes frentes

O inquérito sobre Dark Horse integra um conjunto maior de investigações relacionadas ao Banco Master e às operações de Daniel Vorcaro.

A apuração também passou a considerar possíveis conexões entre a estrutura financeira utilizada para financiar o filme e outras empresas investigadas pela Polícia Federal.

Com a ampliação do caso, os investigadores deverão cruzar contratos, transferências bancárias, mensagens e demais documentos para estabelecer a relação entre os diferentes personagens e operações.

O fato de pessoas ou empresas aparecerem nos documentos da investigação não significa, isoladamente, participação em crimes. A responsabilização dependerá das provas reunidas e da conclusão das autoridades.

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Entenda O Contexto

O filme Dark Horse entrou no radar das autoridades por causa da estrutura financeira utilizada para sua produção e da relação entre Daniel Vorcaro e pessoas ligadas ao projeto. A Polícia Federal investiga a movimentação de recursos que chegaram a aproximadamente R$ 134 milhões em valores previstos no acordo entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro.

Parte dos pagamentos identificados foi realizada por meio da Entre Investimentos, empresa que também passou a ser analisada em razão de outros repasses. Uma dessas operações envolve R$ 28 milhões enviados à ACX ITC Tecnologia, empresa citada em investigação da Polícia Civil de São Paulo sobre uma suposta estrutura de lavagem de dinheiro.

A PF passou a verificar se existe alguma conexão entre essas operações ou se as empresas apenas utilizaram uma mesma estrutura financeira. A inclusão de Flávio Bolsonaro como investigado permite que sua participação seja formalmente apurada no âmbito do STF.

Até o momento, porém, a investigação não representa condenação ou comprovação de crime, e o esclarecimento sobre a origem e o destino dos recursos ainda depende da análise das provas.

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