Gastos do governo chegam a R$ 2,6 trilhões e se aproximam de recorde registrado na pandemia

Despesas da União somaram R$ 2,633 trilhões em 12 meses até maio; aumento é causado pelos gastos obrigatórios e pressiona o Orçamento e a dívida pública.
Redação NC News
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As despesas do governo federal seguem em trajetória de alta e já estão a R$ 189,5 bilhões do maior patamar da série histórica, registrado durante a pandemia de Covid-19. Dados do Tesouro Nacional mostram que os gastos da União somaram R$ 2,633 trilhões no acumulado de 12 meses até maio deste ano.

O recorde foi alcançado em novembro de 2020, quando as despesas federais chegaram a R$ 2,822 trilhões, impulsionadas pelas medidas adotadas para enfrentar a pandemia.

O aumento das despesas é impulsionado principalmente pelos gastos obrigatórios. Nos 12 meses encerrados em maio, os benefícios previdenciários consumiram R$ 1,117 trilhão, mais que o dobro dos gastos com pessoal, que somaram R$ 440,1 bilhões.

O crescimento dessas despesas levou o governo federal a ampliar para R$ 23,7 bilhões o bloqueio de recursos do Orçamento neste ano. Segundo o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do segundo bimestre, as projeções de gastos aumentaram em R$ 14,1 bilhões para o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e em R$ 11,5 bilhões para os benefícios previdenciários.

O bloqueio orçamentário é um mecanismo utilizado para garantir o cumprimento das regras fiscais. Pelo arcabouço fiscal, o crescimento real das despesas públicas está limitado a 2,5% ao ano, além de o governo precisar cumprir a meta fiscal estabelecida para o exercício. Em 2026, a equipe econômica prevê um superávit primário equivalente a 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB).

O aumento dos gastos obrigatórios também reduz o espaço para despesas discricionárias, destinadas a investimentos e ao funcionamento da máquina pública. Além disso, quando as despesas superam as receitas, o governo precisa emitir mais títulos públicos para financiar o déficit, o que contribui para o aumento da dívida.

Em abril, a dívida pública federal alcançou R$ 8,798 trilhões, alta e 1,915% em relação ao mês anterior. O montante corresponde a quase 70% do Produto Interno Bruto (PIB)

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