Venda de sítio por R$ 600 mil em dinheiro vivo faz MP reabrir investigação contra prefeito de Rio Preto

Antigo proprietário afirma que recebeu pagamento em sacolas de dinheiro; imóvel foi registrado por R$ 200 mil, e a diferença de R$ 400 mil passou a ser alvo da investigação.
Redação NC News
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O Ministério Público de São Paulo determinou a reabertura da investigação sobre a compra de um sítio pelo prefeito de São José do Rio Preto, Coronel Fábio Cândido. A decisão foi tomada após o antigo proprietário do imóvel afirmar que recebeu R$ 600 mil em dinheiro vivo pela negociação, valor muito superior ao registrado na escritura.

Reprodução | TV TEM

O caso voltou ao centro das atenções depois que um depoimento prestado pelo vendedor, José Luís Pessina Filho, veio à tona. Segundo ele, o pagamento foi realizado em espécie, dentro de sacolas, sem qualquer transferência bancária.

De acordo com o relato do antigo proprietário, o prefeito teria informado inicialmente que faria o pagamento por PIX. No entanto, dias depois, decidiu quitar a compra em dinheiro vivo.

O depoimento foi registrado durante uma sessão da Câmara Municipal, em abril, e passou a ser considerado um novo elemento para a investigação, que havia sido arquivada anteriormente.

Além da forma de pagamento, outro ponto chamou a atenção das autoridades: o valor declarado oficialmente na documentação da compra.

Embora o vendedor afirme ter recebido R$ 600 mil, o imóvel,  um sítio com aproximadamente 36 mil metros quadrados,  foi registrado por apenas R$ 200 mil. A diferença de R$ 400 mil passou a integrar a apuração para esclarecer se houve eventual omissão de informações ou outras irregularidades relacionadas à negociação.

O que diz o vendedor?

José Luís Pessina Filho afirmou que recebeu o dinheiro integralmente em espécie e confirmou que a entrega ocorreu em sacolas.

A esposa dele também prestou informações aos investigadores. Segundo o relato, após a conclusão da compra, o prefeito e outras pessoas participaram de um churrasco no sítio para comemorar o negócio.

O que diz a defesa do prefeito?

A defesa de Coronel Fábio Cândido nega qualquer irregularidade. Em manifestação, os advogados afirmam que todos os bens, operações patrimoniais e declarações fiscais do prefeito foram apresentados aos órgãos competentes e sustentam que a aquisição ocorreu dentro da legalidade.

A Procuradoria-Geral de Justiça determinou o prosseguimento das investigações, que ficarão sob responsabilidade da Delegacia Seccional de Polícia de São José do Rio Preto.

Nesta fase, investigadores poderão colher novos depoimentos, analisar documentos e verificar a origem dos recursos utilizados na compra do imóvel, além de esclarecer a diferença entre o valor declarado oficialmente e o montante que o vendedor afirma ter recebido.

A investigação busca esclarecer as circunstâncias da compra do sítio e verificar se houve alguma irregularidade na operação imobiliária. A reabertura do caso não representa condenação nem comprovação de crime, mas indica que o Ministério Público entendeu haver novos elementos que justificam a continuidade das apurações. Ao final da investigação, as autoridades poderão decidir pelo arquivamento do caso ou pela adoção de outras medidas previstas em lei.

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