Inglaterra aposta em estratégia de pênaltis criada por Southgate para duelo decisivo contra a República Democrática do Congo

Técnico Thomas Tuchel mantém método que ajudou os ingleses a superar traumas históricos em disputas eliminatórias e afirma que preparação mental será fundamental nas oitavas de final da principal competição de seleções do planeta.
Redação NC News
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A seleção da Inglaterra vai manter a estratégia de preparação para disputas por pênaltis implementada durante a era Gareth Southgate. A confirmação foi feita pelo técnico Thomas Tuchel nesta terça-feira, véspera do confronto contra a República Democrática do Congo pelas oitavas de final do torneio mundial disputado nos Estados Unidos, Canadá e México.

O duelo acontece em Atlanta e pode ser decidido nas penalidades em caso de empate. Por isso, a comissão técnica inglesa decidiu preservar o método que transformou um dos maiores traumas da história do futebol do país em uma das principais armas da equipe nos últimos anos.

O que aconteceu?

Thomas Tuchel revelou que seguirá utilizando o programa de preparação para cobranças de pênaltis desenvolvido pela Federação Inglesa durante a passagem de Gareth Southgate pelo comando da seleção.

O treinador afirmou que existe um processo estruturado há anos e que os jogadores já conhecem todos os protocolos para uma eventual disputa.

A decisão mostra que, mesmo após a troca no comando técnico, a Inglaterra considera o planejamento criado anteriormente como um dos fatores responsáveis pela evolução do desempenho da equipe em mata-matas internacionais.

Como funciona o plano de pênaltis da Inglaterra?

O método desenvolvido durante a gestão de Southgate vai muito além dos treinamentos convencionais de cobranças.

Entre as principais medidas adotadas estão:

  • definição antecipada dos cobradores;
  • treinamento frequente simulando situações reais;
  • preparação psicológica dos atletas;
  • estudo detalhado dos adversários;
  • distribuição da pressão emocional entre os jogadores;
  • análise estatística dos goleiros e cobradores rivais.

Uma das estratégias mais conhecidas envolve a criação de um “companheiro de apoio” para cada atleta responsável por cobrar um pênalti. Esse jogador espera o colega na linha do meio-campo após a cobrança para dividir a tensão do momento.

Outra medida importante é o trabalho realizado com os goleiros. O arqueiro Jordan Pickford, por exemplo, utilizava anotações em sua garrafa de água contendo informações detalhadas sobre os hábitos dos adversários nas cobranças.

Como funciona o plano inglês para disputas de pênaltis:

  • Escolha prévia dos cobradores;
  • Simulações constantes nos treinamentos;
  • Apoio psicológico individual;
  • Estudos estatísticos dos rivais;
  • Estratégia específica para os goleiros;
  • Definição antecipada da ordem das cobranças.

Por que os pênaltis são um tema tão importante para a Inglaterra?

Durante décadas, as disputas por pênaltis representaram um dos maiores pesadelos da seleção inglesa.

Antes da chegada de Gareth Southgate, em 2016, a Inglaterra havia vencido apenas uma de sete disputas em grandes competições internacionais.

A única exceção havia sido a vitória sobre a Espanha na Eurocopa de 1996.

Sob o comando de Southgate, porém, o cenário mudou significativamente. Os ingleses conquistaram três vitórias em quatro disputas de pênaltis, resultado atribuído ao intenso trabalho psicológico e estratégico realizado pela comissão técnica.

A mudança ajudou a transformar uma das maiores fragilidades históricas da equipe em uma arma competitiva nos torneios recentes.

O que Thomas Tuchel aprendeu com experiências anteriores?

O atual treinador da Inglaterra revelou que carrega uma experiência traumática relacionada à falta de preparação para uma disputa de pênaltis.

Em 2016, quando comandava o Borussia Dortmund, Tuchel admitiu que não havia planejado previamente uma eventual decisão por penalidades na final da Copa da Alemanha contra o Bayern de Munique.

O confronto terminou empatado e o Bayern venceu por 4 a 3 nos pênaltis.

Segundo o treinador, a necessidade de definir os cobradores e a ordem das cobranças em poucos minutos deixou uma marca profunda em sua carreira.

Desde então, ele garante que nunca mais permitirá que uma equipe sua entre em uma fase eliminatória sem uma estratégia completamente definida para esse tipo de situação.

Como chega a Inglaterra para as oitavas de final?

A equipe inglesa avançou como líder do Grupo L.

A campanha teve:

  • vitória sobre a Croácia;
  • vitória diante do Panamá;
  • empate sem gols contra Gana.

Apesar da classificação, Tuchel reconheceu que a equipe ainda não apresentou o futebol que os torcedores esperam.

O treinador afirmou que o momento das fases eliminatórias exige pragmatismo e capacidade de superar dificuldades, mesmo sem atuações brilhantes.

Para ele, a prioridade é seguir avançando e aproveitar os momentos de qualidade individual quando surgirem durante as partidas decisivas.

Quem está fora do confronto?

A Inglaterra terá dois desfalques importantes para o duelo contra a República Democrática do Congo.

Os laterais-direitos Quansah e James estão fora da partida e não poderão atuar nas oitavas de final.

As ausências obrigam Tuchel a buscar alternativas para manter o equilíbrio defensivo e ofensivo da equipe em um confronto considerado decisivo para as pretensões inglesas no torneio.

O que acontece agora?

A Inglaterra enfrenta a República Democrática do Congo nesta quarta-feira pelas oitavas de final da principal competição de seleções do planeta.

Caso avance, a equipe seguirá na busca por um título que não conquista desde 1966.

A possibilidade de uma disputa por pênaltis mantém viva a importância do planejamento desenvolvido nos últimos anos e que agora atravessa diferentes gerações e comissões técnicas do futebol inglês.

Linha do tempo:

  • 1996: única vitória inglesa nos pênaltis até então;
  • 2016: chegada de Gareth Southgate;
  • 2018: Inglaterra volta a vencer disputa em torneio internacional;
  • 2026: Thomas Tuchel mantém o modelo criado pelo antecessor.

Entenda o contexto

Durante décadas, a Inglaterra conviveu com eliminações traumáticas em disputas por pênaltis, criando uma espécie de bloqueio histórico em grandes competições.

A chegada de Gareth Southgate marcou uma mudança profunda nessa cultura. O trabalho passou a envolver preparação psicológica, análise de dados, definição antecipada de estratégias e treinamentos específicos para situações de alta pressão.

Agora, sob o comando de Thomas Tuchel, o modelo continua sendo utilizado como parte da identidade competitiva da seleção inglesa.

A expectativa é que essa preparação faça diferença novamente caso a equipe precise decidir sua permanência no torneio mundial nas cobranças da marca penal.

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