O julgamento de um segundo pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) vive um momento decisivo na Itália nesta quarta-feira (1º). A Procuradoria-Geral da República (PGR) do país europeu manifestou-se, nesta manhã, com um parecer desfavorável à nova solicitação do governo brasileiro, que busca o retorno da ex-parlamentar ao Brasil. A equipe de Zambelli confirmou que a decisão oficial já foi tomada pela Corte Suprema de Cassação italiana e pode ser publicada nas próximas horas.
O tribunal analisa a extradição referente à condenação de Zambelli a cinco anos e três meses de prisão, proferida em agosto do ano passado pela Justiça brasileira. O processo trata dos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, ocorridos quando a ex-deputada perseguiu um homem armada pelas ruas de São Paulo, na véspera do segundo turno das eleições presidenciais de 2022.
O embate judicial e a comemoração da defesa
O parecer do Ministério Público italiano marca uma reviravolta na tramitação do processo. Anteriormente, na segunda instância, a Corte de Apelação de Roma havia emitido uma decisão favorável à extradição da parlamentar. Diante do revés, a defesa de Zambelli recorreu à última instância, levando a análise final para a Corte Suprema.
A manifestação da PGR italiana foi celebrada pela família da ex-deputada. Por meio das redes sociais, Rita Zambelli, mãe de Carla, comemorou o posicionamento e classificou o fato como inédito. “É a primeira vez, em toda a tramitação do processo, que recebem um parecer favorável do Ministério Público italiano”, destacou Rita.
Argumentos em choque no tribunal italiano:
- A tese da PGR da Itália: O órgão italiano embasou seu parecer na suposta falta de imparcialidade do Supremo Tribunal Federal (STF) ao condenar a ex-parlamentar. Embora o relator desse processo no Brasil tenha sido o ministro Gilmar Mendes, a Corte italiana acolheu o argumento da defesa de que o ministro Alexandre de Moraes pode ter influenciado o processo em curso.
- A defesa do Brasil: A Advocacia-Geral da União (AGU) encaminhou ao tribunal europeu, no dia 25 de junho, a manifestação oficial do Estado brasileiro defendendo a extradição. A AGU destacou que o pedido cumpre rigorosamente os parâmetros do Tratado de Extradição entre Brasil e Itália e as normas internacionais aplicáveis. O órgão ressaltou ainda que o documento apresenta garantias dadas pelo ministro Gilmar Mendes sobre uma eventual prisão da ex-deputada.
Histórico de reveses para o Brasil
Este é o segundo processo que a ex-parlamentar enfrenta sobre extradição na Europa. Em maio deste ano, o colegiado de magistrados do tribunal superior italiano já havia negado o primeiro pedido feito pelo Brasil, que envolvia a condenação de Zambelli pela invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Na ocasião, a Justiça italiana decidiu anular o processo de extradição por entender que o relator da ação no STF, ministro Alexandre de Moraes, não reunia condições de imparcialidade para o julgamento. Os juízes avaliaram que Moraes teria acumulado simultaneamente os papéis de vítima do crime, investigador e julgador em diferentes etapas do processo, ferindo critérios jurídicos internacionais.
Crimes eleitorais e pressão política
A condenação analisada pela Corte italiana nasce de uma cena que domina o noticiário em outubro de 2022. Às vésperas do segundo turno da disputa presidencial, Zambelli, então uma das principais aliadas de Jair Bolsonaro, persegue um homem pelas ruas de São Paulo com uma arma em punho, após uma discussão política. As imagens viralizam nas redes e reforçam a tensão de uma eleição já marcada por conflitos.
Em agosto de 2025, por 9 votos a 2, o plenário do STF condena a ex-deputada por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento. A pena fixada, de cinco anos e três meses de prisão, é de regime inicial fechado. A decisão também repercute no ambiente político, ao atingir uma das figuras mais visíveis do bolsonarismo na Câmara.
Depois da primeira negativa de extradição, em maio, Zambelli deixa a prisão em Roma, onde cumpre medidas impostas pela Justiça italiana. O novo julgamento, na última instância do país europeu, define se ela volta ao Brasil sob custódia ou se permanece em território italiano enquanto a defesa explora outras vias legais.
Quem é Carla Zambelli?
Carla Zambelli é ex-deputada federal por São Paulo, eleita pelo PL. Ganha projeção nacional como uma das principais aliadas do ex-presidente Jair Bolsonaro e voz ativa da direita nas redes sociais.
Qual era a profissão de Carla Zambelli?
Antes de se eleger deputada, Carla Zambelli atua como ativista de movimentos de direita e trabalha na área de comunicação e mobilização política, principalmente em redes sociais e grupos de apoio a pautas conservadoras.
Como está a situação de Carla Zambelli atualmente?
Em 1º de julho de 2026, Zambelli responde em liberdade na Itália, após deixar a prisão em Roma depois da negativa do primeiro pedido de extradição. Ela aguarda a decisão da Corte de Cassação sobre o segundo pedido, ligado à condenação por porte ilegal de arma e constrangimento.
Qual é o passado de Carla Zambelli?
Zambelli surge na cena pública em movimentos de rua contra o governo Dilma Rousseff e se torna figura central do bolsonarismo. No Congresso, atua em pautas conservadoras e se envolve em embates com adversários políticos. Após os atos de 8 de janeiro de 2023 e a escalada de conflitos institucionais, passa a ser alvo de inquéritos no STF, o que culmina nas condenações hoje em discussão na Justiça italiana.